Poema Nao Ame sem Amar
INCERTEZA
Não sei se durma ou sonhe...
Não sei se cante ou coma...
Não sei se olhe ou viva...
Não sei se é tarde pra viver,
Ou viva este entardecer...
Devo querer o amor,
Ou amar este querer...?
NENHUMA MOLDURA
meus poemas não cabem em nenhuma moldura,
minhas estantes não suportariam tantos navios,
minha ternura guarda a via lactea,
mas a minha loucura poe pela manhã
o sol no meu quintal,
o teu sorriso é a a razão de tudo
mas não seja tão feliz
que eu não te amaria tanto
nem seja triste isso me contagiaria...
queria dizer que te amo,
mas isso rima com engano,
então calo e contemplo o horizonte
ante uma rampa,
diante da disputa por lixo, entre seres humanos
e isso preencheria tantos livros,
livros que abarrotariam bibliotecas...
mas quem vai entender,
lutamos pelo reciclável, mas não nos reciclamos...
carregamos sacos imundo,
dentro deles o mundo,
todas as nossas almas e demônios...
Quando eu quis acreditar no amor...
já não era manhã...
já não tinha o sabor de hortelã,
os desejos já tinham dormido...
Não tenho medo de grandes estrelas
De uma forma ou de outra
Eu ajudo a construir o céu e o inferno
Sou passageiro como um cometa
E como as desilusões sou eterno
Não quero entender a vida
nem sei se posso entendê-la
permeio caminhos tortos
chorando por seus abortos
me inspirando com a lua
me encantando com as estrelas
não quero entender o amor
nem sei se seria capaz...
o amor está bem além
do que me traz satisfação e paz...
JUMENTO
Dorothy tinha um jumento...
Não um jumento jumento,
um jumento com sentimento e pressentimento,
mas era um tormento
imaginar o que as pessoas pensam
quando te olham bem dentro,
afinal era um jumento...
e era meio engraçado
o jumento no serrado
contemplando o eco sistema
e tentando poemas...
mas era um jumento,
um jumento que se apaixonava...
e se apaixonou por brida, a cabrita
e imaginou uma família,
e como seria ? sua filha berrando...
seu filho meio bode meio asno zurrando,
não daria certo, pensaou em bria,
filha da vaca estrela,
vinda de lannys no cinturão de orion,
imaginou jumentinhos e vaquinhas
intergaláticos galopando no universo...
imaginou-se astronauta
povoando os planetas
até que soava o rebenque
mostrando sua realidade quadrúpede,
dois cestos de cipó, dois centos de rapaduras
e a clientela da vilazinha a ver seu sofrimento...
pescaria
enquanto eu tento entender
o que eu não percebo
enquanto eu tento
ouvir o que é gritado
os peixes saltam na lagoa
querendo ser pescados
palavras são peixes,
poesia é pescaria
meu barco está abarrotado...
Nem é tão tarde assim,
Preguiçosa, a lua, entre nuvens se esconde,
não sei de onde me vem a nostalgia,
não sei de onde me vem o desencanto,
eu canto assim tanta melancolia...
a noite é madrasta dos solitários
não tenho meta, não tenho itinerário
não é tão tarde assim...e a esperança definha
e o vazio de sala quarto e cozinha
silencia risos e promessas
nem é tão tarde assim... e já é tarde...
DELEITE
À noite me empenho
ao que eu não tenho da tua alma
convém que eu diga amém
a tudo teu que silencie este encanto
e mudo permaneço,
não mereço tudo, deveria te esquecer
mas esqueço tudo ...
eu sou assim,
a tarde vem e vai...
percebo universos em verbos,
em proverbios
e faço versos,
é o meu jeito,
eu sou isso, assim de descompor
até desexistir neste compor
a essência do amor,
mas ante tua presença
silencio é sinfonia
e eu me deleito...
NENHUM OLHAR
A primeira vez não percebi tristeza,
Não percebi alegria,
não percebi olhar,
não tinha o que se perceber...
estava sempre ali no ponto do ônibus
parecia esperar uma condução
que não chegava nunca...
sua roupa suja,
seus sapatos sujos,
sua pele suja...
e ali no ponto do ônibus, condomínio Belvedere,
Sargento Hermínio...
todos pegamos nossas conduções
para os nossos destinos e ele ficou ali...
no dia seguinte ele estava ali,
no ponto do ônibus e não tinha guarda-chuva,
não tinha chapeu, não tinha olhar...
não estava triste, não estava alegre,
nada percebia... todos partimos e ele ficou ali...
na manhã seguinte ele estava pálido...
e tinha um olhar, só um olhar,
um único olhar... um mísero olhar
ele partiu...no rabecão do I M L e ficamos ali,
a olhar, sem nenhum olhar...
Não me fale de felicidade
não conheço tal cidade
isso é uma província tão distante...
uma via inviável
tenho alguns sorrisos em molduras
alguns retratos em estantes
prateleiras de aglomerados
não sustentam o sentimento
assim por tanto tempo
não me fale tão suave de ternura,
essa rua deserta e escura
só me traz espanto...
não me faça sonhar ou ter pesadelos...
VINTE ANOS DE MENTE
Mas se não for eu,
seja feliz assim mesmo
nem tudo é completo...
completo vinte anos
no ano que vem ,
vinte anos de mente, de mentalidade...
e se essa cidade fosse minha,
galerias de jóias seriam suas,
seriam suas as sorvceterias...
meu maior prazer é tua alegria ,
é o teu prazer,
mas se não for eu,
seja feliz assim mesmo,
nem todo amor
tem o mesmo tamanho
o mel dos meus olhos castanhos
aliviam a dor,
meu coração tem o suporte
para qualquer adeus,
mas se não for eu
será alguém com muita sorte
seja feliz do seu jeito..
nem tudo é perfeito guarde
no peito a lembrança
do que é ser criança.
E se a esperança ainda arde,
se a paixão te consome
aguarde, tenho todo amor
pra matar essa fome...
HOMEM
um homem não é só um homem
por ser um homem só...
pode ser um homem só,
pode não ter ontem, pode não ter tempo,
mas pode ter o amanhã, a manhã e o vento...
um homem não é pobre por nada ter,
não é vazio por ser pobre,
é pobre por ser vazio,
um homem não é só um homem
por ser um homem só ,
um homem não é rico pelo que possui,
por que pode possuir castelo
e não ter um lar,
pode possuir moto e não ter movimento,
pode possuir avião
e não ter espaço,
pode possuir passo e não ter sentido,
um homem tem que plantar e colher,
tem que escrever e ler,
tem que amar e fazer filhos...
tem que saber seu nome,
um homem não é só uma impressão digital,
um homem,
impressiona por saber,
e impressiona mais ainda por saber saber...
No final da tarde,
mesmo laconicamente olhe o ocaso...
fique feliz, mas não muito,
não se jubilize tanto,
pense nos que não têm essa possibilidade,
a noite, olhe a lua, ame, mas não se derrame
o amor é salutar em doses homeopáticas,
o amor tem efeitos colaterais
seja feliz, mas não tanto,
é triste ser feliz, eu já fui triste um dia...
olhe a chuva e não se maldiga,
no nordeste chuvas são
gotas de diamantes e águas marinhas...
Mas se teu olhar e o meu olhar não se encontrar
na imensidão da vida,
saiba que o destino também se engana
e a paixão mente que ama
com a Ingenuidade de um menino...
mas se o teu olhar e o meu olhar não se encontrar
que vou fazer com o luar,
que entra pelo zinco do meu barracão...
que vou fazer com as flores e poemas,
que escrevi no meu caderno,
que vou fazer com essa imensidão de amor?
mas se o teu olhar e o meu olhar não se encontrar
na imensidão deste desejo,
saiba, tem um beijo e um olhar a te esperar em outra dimensão...
Não quero entender a vida
nem sei se posso entendê-la
permeio caminhos tortos
chorando por seus abortos
me encantando com a lua
fascinado pelas estrelas...
Mentira o amor não existe,
não existe este querer sem limites
este apetite sem fim,
este aceitar que permite mentir assim...
A manhã entra pelos portigos, insistente,
a dádiva de existir persiste,
a vida não deixa de ser vida
mesmo sendo alegre ou sendo triste,
a manhã me absorve em seus raios,
frestas conduzem sentimentos,
é um pouco do sol que nos envolve
tornando-nos partículas do firmamento...
Como não viver o amor
se o amor é o ar que respiramos
como não comer se do amor nos alimentamos
como não querer
se o amor é o verbo e o substantivo...
AMOR
como não viver o amor
se o amor é o ar que respiramos...
como não comer
se do amor nos alimentamos...
como não querer
se o amor é o verbo, é o substantivo...
como desanimar, o amor é lenitivo...
o amor é uma escada que te leva ao céu,
são as asas que de uma forma
ou de outra Deus deu ...
o amor é contemplar e perceber grandes feitos,
é desejar ajudar e perdoar os defeitos...
amor é a essência maior do ser humano,
a maior proeza dos fortes é dizer te amo...
