Poema Nao Ame sem Amar
O povo que não é apto
a reconhecer a incompetência
de seu governo,
está fadado a ser explorado
e padece do direito de mudar,
pois é incapaz de lutar
Quando mostro uma felicidade que não vivo
torno mais dura a realidade que nego reconhecer,
pois até posso ser sagaz ao enganar a quem me escuta,
mas incapaz de mudar a verdade que se apresenta do meu ser.
Enquanto a política não deixar
de ser um horizonte atrativo,
não haverá espaço para
uma legítima representatividade,
pois o interresse que move
os que nela estão,
não é pautado no altruísmo.
Não procure ir além
do que você seja capaz de entender,
pois as incertezas
pode conduzí-lo á insignificância
do que você conseguiu compreender.
Faça o que você encontra
sentido em fazer,
pois todo o resto
não passa de obrigação
do nosso viver.
Ninguém consegue ser bom,
pois quando alguém busca
ser bom, é porque não o é
na sua essência.
E bondade não é algo
a ser adquirido, mas inerente
do próprio ser.
Logo um ato de bondade,
necessariamente, não significa
que seu feitor seja bom.
O altruísmo não é uma
questão de decidir sê-lo
ou não, porque o ato
não legitima o seu feitor
como altruísta, portanto, ser bom
não é um ato de querer,
mas simplemente ser.
Não procure por muito,
busque apenas o que realmente
é essencial para você,
pois ao ignorar o limite
dos nossos desejos,
deparamos na infelicidade
oriunda da decepção.
A infelicidade encontra-se também
na lembrança de não termos cedido
um pouco do nosso tempo para
fazermos o que não podemos mais
fazer, porque o tempo passou.
Principalmente se o que queremos
está relacionado com uma pessoa que amamos.
Infeliz daquele que faz de suas decisões
reflexos do pensamento de outro, pois
a ação que não é pensada por quem
a pratica, não é atitude.
É apenas execução a um comando dado.
Viver harmoniosamente em sociedade
não é apenas cumprir os seus deveres
e usufruir dos seu direitos,
é ter a capacidade de enxergar
que você tem que parar onde
o próximo tem o direito de começar.
O Deus que é rogado pelo adversário
é o mesmo para qual roga o aliado,
a diferença entre ambos não está na fé,
mas na superioridade
que um exerce sobre o outro, pois caso fosse diferente, cabendo a Deus decidir, não haveria justiça divina, ou a mesma estaria em favorecimento ao superior, logo o destino de um conflito estaria traçado na ação do cervo e não na decisão do criador.
O educador que nao luta
pelos seus direitos
não está habilitado
a mediar no processo
de ensino e aprendizagem
na construçao de um sujeito
crítico capaz de contribuir
na transformação da realidade
na qual está inserido.
O professor que tem medo
de lutar pelos seus direitos,
não educa para a criticidade,
apenas contribui para a
manutenção da docilidade
que faz o oprimido se sentir
o único responsável
pelas desigualdades sociais,
as quais ele é submetido.
O professor que não luta
pelos seus direitos,
por medo de represálias
por parte do poder que o oprime,
não educa para a transformação,
apenas instrui seus alunos
dentro de um processo
de ensino e aprendizagem
que garante a manutenção
da relaçao de submissåo
entre oprimidos e opressores.
A desigualdade não é obra divina,
como não é uma oportunidade
espiritual de lapidaçåo da alma.
A diferença de oportunidades é a forma
que o homem utiliza para manter
a superioridade de uma minoria
sobre uma maioria a fim de garantir
o poder de explorá-la por meio da manipulação,
fazendo-a acreditar que a dura realidade
que lhe é imposta não é algo a ser superado,
mas aceitado como normal.
No relacionamento de amor,
o que importa para a sua manutenção
não é o que fazemos,
mas o que deixamos de fazer,
pois o feito é o que se espera,
o que não foi feito é o que frustra
e a decepção vai enfraquecendo,
dia a dia, a relação.
Qual o real sentido da vida?
Uma pergunta que muitos
acreditam que a resposta estar em não fazê-la.
O povo que fecha os olhos
para não enxergar
o que está explícito,
afim de não reconhecer
o erro cometido,
expõe-se aos ditames
de um governo ditatorial.
O homem diante do que
ele não pode explicar
recorre a fé para poder aceitar
a única certeza que ele tem,
mas insiste em refutar.
Nessa introspecção contínua,
ele trava uma luta consigo
para se manter no que chama
de lucidez, sem compreender ainda
o que possa afirmar o que não seja lúcido.
