Poema Nao Ame sem Amar
Se me perguntassem
Qual o melhor destino
A Humanidade deveria seguir
Eu não saberia responder
Pois não o há como saber
E eu jamais fui muito bom
Em dirigir nem mesmo a minha vida
Mas eu creio que o melhor rumo
Pra conduzir os caminhos do Mundo
Não seja este
Há quem diga que a melhor espada
Passa pelo malho do martelo,
Pela bigorna e pelo fogo
E que toda semente
Precisa morrer para germinar
Eu sei dizer somente
Que as pessoas que vivem neste mundo
Não são espada e nem semente
Depois de tanto errar na vida
Muita coisa foi aprendida
E hoje eu vejo as coisas
Muito mais claramente
E sei que o mundo precisa
de cada um de nós
Porém eu não tenho voz
Que possa gritar tão alto
E sei também
Que ninguém me perguntou
Infelizmente
Edson Ricardo Paiva
Não tente viver antes da hora
Não queira morrer antes do tempo
Pra cada momento há o dia certo
Acerte
Sendo honesto consigo mesmo
Antes de tentar ser correto com Deus
E desista de abraçar o mundo
Seus braços não são tão longos
Porém eles são suficientes
Para abraçar todos aqueles
Que fazem parte do seu dia
A cada instante
Reconcilia-te com teu irmão
Antes de fazer a tua oferta
Oferece um pouco de você mesmo
A quem precisar da tua ajuda
É isso que muda o mundo
E é esse o melhor presente
Imagine
Que depois de todos os abraços
todos os braços juntos
Poderão, sim
Um dia abraçar o mundo
Edson Ricardo Paiva
Eu creio somente
Naquilo que existe
E não nas coisas que eu vejo
Simplesmente porque eu
As veja
O mal muitas vezes me corteja
E me alveja com olhos perversos
Isso acontece
Muitas vezes ao dia
E ele age lentamente
Procuro desviar-me
Faço charme
e o deixo descontente e triste
Prefiro a companhia dos anjos
E se anjos não há
Eu os invento
E creio neles
Solicito-lhes proteção
Então
Passo a sentir no coração
A divina presença
Que sempre acompanha
Aqueles que, de alguma forma
Fogem às normas estabelecidas
Por aqueles que enxergam a vida
Como um jogo
Cuja regra é
Simplesmente vencer
Ignorando
Que todos nós caminhamos
lentamente
Ao derradeiro e eterno sepulcro
E no fim dessa caminhada
A gente deixa o que plantou
E quem somente quis colher
Se esqueceu
Que não há de levar
Nada.
Edson Ricardo Paiva
De tudo que há
Entre o Céu e a Terra
Apesar de parecer confuso
Não existe
nenhum caso conhecido
Em que o acaso tenha prevalecido
Sobre a lógica
O Rio que secou
A flor que não nasceu
O pássaro, cujas asas
Jamais serviram pra nada
Tudo está onde sempre esteve
E sempre estiveram
No lugar onde se pede
E na exata medida
Nesta vida
Tudo cabe, nada excede
O dia em que o Sol
brilhou além da conta
Tantas vezes que ocorreu
De uma simples nuvem
Bloquear a luz do Sol
As coisas parecem saber exatamente
O tempo que lhes cabe
E o tamanho que se mede
Nada além
O tempo caminha sempre em frente
Nada retrocede
Pra fazer a nossa vontade
Pois, a bem da verdade
Há tanta gente neste mundo
E nenhum de nós, jamais
Foi capaz de dizer com precisão
O que deseja desta vida
Portanto
A harmonia sempre reinou
dentro da mais absoluta ordem
cada folha que caiu
e cada amor que nunca existiu
obedecendo
a organização deste caos
Os perfeitos
Com todos os seus defeitos
bons e maus
Fazendo guerra
Se odiando em harmonia
e o amor reinando imperfeitamente
Perfeita medida da desordem
As águas inundam
As chamas ardem
Conforme a vida procede
Aleatoriamente
Obedecendo a ordem
conforme dias se sucedem
Nada se perde
Edson Ricardo Paiva.
Sinto alguns medos
Não por mim
dei de frente com a morte
Algumas vezes
E, feliz ou infelizmente
Até agora ela optou
por me deixar aqui
Eu sinto medo
de segredos
Guardados nos corações humanos
Alguns deles
Legítimos antros de falsidade
Escondendo planos que
Se ocultos não fossem
Revelariam
Toda sorte
da sua ausência de humanidade
Não tenho o menor medo
da Justiça de Deus
Não tenho medo de leões
Nem de crises
Nem de trabalho
Não tenho medo de não ser feliz
O que me assusta de verdade
São certos atalhos
Que o mal sempre nos revela
E que a maioria ignora
Mas aos olhos de gente ruim
Lugares assim
São verdadeiros oásis
onde vão
beber e abrir as asas
Quando asas lhes dão
Acredite
Existe neste mundo
Muitas pessoas assim
E seus voos
Apesar de efêmeros
e tão baixos quanto o seu caráter
Muitas vezes
Causam estragos imensos
Antes
Que a sua maldade os consuma
Meu medo daquilo que é mal
é que muita gente se compraz
Outros acham bom
E querem fazer igual
Eu sinto medo porque
Isso acaba se tornando banal
E todo mundo se acostuma
Pois
A gente sempre encontra
gente assim.
Edson Ricardo Paiva
Se um dia me perguntassem
Se eu algum dia fui feliz
Eu responderia que não sei
Tentei, me virei, desisti
Creio eu que tal coisa
É um Estado de Espírito
E acho que quando eu nasci
Isso não estava no contrato
Não dá pra ser feliz aqui
Sabendo que existe
mais de um Brasil
E dentre esses muitos Brasis
Eu creio que nem eu
E nem a imensa maioria
Nasceu naquele em que quis
Fora isso
Esse lugar está em um mundo
Onde nem todo mundo
é realmente feliz
Não sei dizer ao certo
O nome completo que se dá a isso
Onde a fome é algo concreto
E cada um que tem
um compromisso
a honrar
é consigo mesmo
Mesmo assim, na medida do possível
Procuro não me sentir infeliz
E sou grato a todos
que caminham comigo
e compartilham suas vidas
Com este ser cheio de dúvidas
Que sou eu
Quando todo mundo for feliz
Então, eu também serei
Até lá
Não me façam perguntas
Cuja resposta
Eu não sei.
Edson Ricardo Paiva
Calma.
Eu não quero ser
Não pretendo ser
Não sou e não serei jamais
Alguém que muito mente
Como se vê, tão comumente
Eu quero ser somente
Alguém que espalhe sementes
Sempre de paz
Como pouca gente faz
O que eu queria ver
Era alguém sinta prazer
Em me ouvir
Quando eu disser o que digo
Não ligo pro ouro do mundo
Minha busca é
e sempre foi
Por algo que está mais profundo
E cujo brilho
Nada ofusca
Eu quero encontrar a calma
Que se esconde
Na escuridão dos sonhos
Na hora em que a alma se expande
e tudo se acalma
Este mundo não é assim
Tão grande
A ponto de esconder eternamente
Algo que não está perdido
A gente só não sabe
Ou pensa não saber
O lugar certo de procurar
Aquilo que cabe aqui, bem perto
Se não estiver agora
Será somente porque
Ainda não é a hora
Eu quero ser aquele
Que te ajuda a encontrar
Aquilo que comumente
A gente sente
Vontade de sentir
Sem saber bem ao certo o que é
Mas pressente ser melhor
Que essa dor que a gente sente
Tão comumente
Edson Ricardo Paiva
Meu lugar é
e sempre será
Aquele
onde eu estiver
Portanto
Procuro não precisar
nada além daquilo
que eu mesmo possa carregar
Meus olhos enxergam
muito perto
Mas
Tenho um coração tranqüilo
enquanto outros
São desertos
Agradeço sempre à vida
por cada graça recebida
e procuro aprender a lição
Que sempre vem contida
em cada verso
e saber
Que cada coisa tem seu tempo
e cada tempo o seu momento
Meu lugar é
e sempre será
onde eu estiver
e não aqueles
aonde o vento me leva
Procuro ter
Aquilo que eu plantar e colher
e sempre juntar e dividir
com tudo que o vento me trouxer
O segredo
é ficar perto daquilo
que faça sentir a alma leve
Tempo infinito
Vida breve.
Edson Ricardo Paiva
Enquanto o tempo passava
E enquanto eu aprendia
Ria da cara da sorte
Não sentia medo
Nem mesmo da morte
Um dia, então, me enganei
Abandonando aquele escudo
Por pensar que sabia de tudo
Saindo ao mundo
Sem nem mesmo um guarda-chuva
Cara fechada, coração vazio
Sem medo de perder
Por sentir, que tudo já estava perdido
Ontem, eu acordei com medo
e eu o sinto, ainda hoje:
Medo de quebrar cristal,
Medo de perder o que não tenho,
Medo de perder de novo
Tudo que estava perdido
Um novo medo a cada passo
Medo de escrever coisa boba
Medo de morrer num sonho
E não voltar nunca mais
Medo de perder sorrindo
Como naqueles jogos de gincana
A toalha de linho,
A luz na janela,
As xícaras de porcelana
E aquela esperança que eu tinha
Um medo que eu pensei
Que não ia sentir nunca mais
Medo da despedida
Onde a última alegria desta vida
Se vá
Sem nem mesmo olhar pra trás
Edson Ricardo Paiva
Meu amor por ela
é amor assim
Parece que nem existe
Parece de folhetim
Amor de não pedir nada
Dormir na calçada
Implorando a Deus que chova
E estar de longe, olhando
Na esperança que ela
Apareça
Nem que seja somente
Pra fechar a janela
e nem me veja
Amor de ficar feliz
Se a vir de longe e de relance
por saber que passou por ali
Amor de guardar a pedra
de algum chão que ela pisou
Não é um amor de dormir abraçado
É amor de ficar acordado
e velar pelo sono,
Não é nenhum amor de verão
É amor de cuidar no inverno
e talvez, um dia, quem sabe
Estar junto no outono da velhice
Ser amor pelo resto da vida
Aceitando as esquisitices
Todas elas serão bem vindas
Meu amor é amor de querer
Ir à frente
Abrindo as portas pra ela
e levar café na cama
Meu amor
é amor de quem ama
e não troca por outra mulher
de qualquer outra qualidade
idade, nacionalidade
ou crença
Meu amor:
O amor que eu sinto pela Senhora
É amor de ir, se acaso
Mandar-me embora
E chorar escondido
Amor de se desdobrar
Pra atender qualquer pedido
E sentir-se perdido
Enquanto distante
É muito maior que a Senhora pensa
é um amor que nunca viste
Amor que nem sabes que existe
É amor que ninguém nunca viu
E ele é seu.
Edson Ricardo Paiva
Existem momentos
Em que meu coração se agita
Porém, minha alma
Imutavelmente estática
Não geme e não chora
Não diz a verdade
e não mente
Não sussurra...não grita
Não suplica, não implora
O Fleumatismo da calma
Vem somar ao coração
Essa tortura
O coração se revolta
nas suas fibras mais íntimas
A alma,
com a sua costumeira indiferença
Não dá a mínima
E eu
No meio disso tudo
Me guardo o direito
No final de cada dia
Permitir que a alma
Escondida em algum canto
chore o pranto dos perfeitos
E o coração
Repleto de defeitos
Carregado de tristeza
Carente de paz
Ria
Ria até não poder mais.
Edson Ricardo Paiva
Se a vida acabasse hoje
Eu juro que a deixaria
Um pouco triste
Pelas coisas
que não fiz ainda
Mas algo
Sempre há de ficar inacabado
E sem resumo
Se esta noite eu partisse
Diria que não fiz
Aquilo que eu tanto queria
Mas sereno
Por lembrar-me que disse
Se hoje
O Dedo de Deus
Apontasse pra mim
E dissesse
Que a hora do fim era agora
Eu iria embora um pouco triste
Porém, sem remorsos
Nenhum arrependimento
Sequer pelos muitos erros
Que eu cometi
Enquanto pensava acertar
E triste eu iria
Nos braços de uma isquemia
Uma hemorragia cerebral
Tanto faz, não faz mal
Na hora da partida
Qualquer despedida é igual
Creio ter feito
Menos o mal que o bem
Não deixaria ninguém
Que tenha sido
importante pra mim
Sem antes ter dito muitas vezes
Sobre a importância que tiveram
Nesta e em todas as outras vidas
Se minha vida acabasse hoje
Creio ter sido esta
A minha poética despedida.
Edson Ricardo Paiva
A gente deseja ...
Deseja demais
Sonha em coisas
com as quais
Não há de ter jamais
E por mais que veja
A maneira que se porta a vida
Insiste em pintá-la,
Transformá-la em gravura
Pendurá-la nas paredes
Na casa
onde guardamos ilusões
Justamente
No quarto da esperança
Ali não se fala
e nem se cabe pensar
Sobre as coisas reais
tais como
Lembranças
Sobre as quais jamais falamos
Pedaços de alma pelo chão
Sonhos esquecidos
Corações despedaçados
promessas não cumpridas
cacos de vida
Mas insistimos sempre
e não desistir jamais dos sonhos
Presentes que pedimos pra Deus
Pode parecer impossível
A alma sente, de repente
Um desnível e cai
Cai para um lugar
Que fica perto de nunca mais
A gente faz um esforço sobre-humano
Pra não desistir
de ao menos fazer planos
Que talvez
Irão se concretizar...ou não
Coração desliza
o juízo perde o chão
Quem é que vai
um dia aprender
ou ensinar
A forma correta e concreta
de mandar no coração?
Edson Ricardo Paiva
Deixei de guardar as datas
Me esqueci de como fazia
Pra lembrar-me dos nomes
Faz tempo que não me ocupo
Com aquela antiga aflição
Que me fazia lembrar
Endereços e preços
Agora compreendo
Que coisas, cujo valor se mede
Não valem muita coisa
E que não existe um dia combinado
Muito menos um lugar certo
Pra que aconteça
de a vida da gente virar ao avesso
e descobrir
Que nomes ou endereços
deixam de ter importância
E que as coisas realmente importantes
Podem estar bem perto,
Ou distantes
Não existe certeza
Pra nada
Aquilo que vem
Sem nome, lugar ou hora marcada
é que realmente vai fazer
A gente acordar triste ou feliz
No meio da madrugada
Um rosto sem nome certo
Um rastro a ser seguido
Sem a gente ao menos saber
A razão de estar
Tão contente
Indiferente ao fato
de tudo que tinha guardado na lembrança
Não servir pra nada
E aquilo que tanto interessa
Não tem nome e não tem preço
endereço ou hora marcada
Não tem passado; não tem cor
Não tem medida e nem peso
Nada que explique a pressa
Nada que àquilo mensure
Existe apenas suavidade
e um tanto assim de magia
Junto a tanta alegria
e uma grande quantidade
daquela coisa que faz a gente
Não querer saber como se faz
Só da vontade de fazer
Fazer exatamente
Perfeitamente perfeito
Aquilo que nunca fez
E fazendo do jeito que vier à mente
de repente a gente olha
E vê que não tinha outra escolha
Só tinha querer
Um querer que não podia ser
Guardado ou escrito
Não estava em lugar nenhum
No tempo ou no espaço
e independia
de tudo que houvesse nos bolsos
E mesmo assim
Tinha sim
hora e lugar pra ser
Mas demorou pra perceber
Que a real felicidade
Independe da nossa vontade
das nossa lembranças
E também das nossas crenças
Pois chega do inesperado
Sem nem ao menos pedir licença
Edson Ricardo Paiva
Das coisas que se quer
Muitas não passarão jamais
do patamar do querer
Pois querer
Não significa necessariamente
Que eu vá movimentar
Uma palha pra conseguir
E das coisas que desejo
Não vejo a hora de acordar
Pra poder
Movimentar todo um Universo
Tirando Estrelas de lugar
Se preciso
Porém eu não preciso
Basta desejar de coração
E conversar com meu pai
Numa simples Oração
Que um Universo inteiro se move
Tudo depende
daquilo que a gente também faz,
da sinceridade nas intenções,
E da urgente necessidade
Que algo simplesmente
Venha a causar na gente
Tudo isso
Pelo fato de eu ter em mente
Que também faço parte
de um Todo
Que faz nascer
Mil Sóis a cada instante
E tenho força suficiente
Pra viver meu dia a dia
Sentir a brisa das calmarias
e ter no coração a serenidade
de sorrir durante as procelas
Que porventura a vida me trouxer
Pois nada disso
A vida traz de graça
Mas a luz do Sol convida
a gente todo dia
Pra olhar a cara das tempestades
Rir da cara da sorte
Mas rir de verdade e com vontade
e depois de tudo isso
Escrever ao mundo um poema
Contando como é que acontece
Basta querer
Que mesmo sendo
Infinitamente pequeno
Creia:
A alma cresce.
Edson Ricardo Paiva.
Não existe casa
Se não houver telhado
Pra bem ou pra mal
Andar pra frente ou pra trás
é uma questão de escolha nossa
e das coisas que se faça
Não existe aquela opção
do "tanto faz"
Pois
Depois de feito
Aí não tem mais jeito.
Até as folhas mortas
escolhem o vento que as carregue
e as portas onde irão se acumular
Peça a Deus
Converse com o Universo
deseje o impossível e o infinito
E constate
Como é incrível
e também muito bonito
Aquilo tudo que acontece depois disso
Tenha sempre um compromisso
Com tudo que veio fazer aqui
entre as coisas que parecem impossíveis
Encontra-se a faculdade
de poder intuir
Como as coisas acontecem
Lembre-se
A sua mente é uma mente integrada
a bilhões de outras consciências
E se a gente não fizer a nossa parte
Toda ciência acumulada
Não vai nos servir pra nada
Nisto consiste a arte da vida
E não existe uma idade certa
Pra gente saber ou não
Simplesmente viver
E ser aquilo que quer
A cada momento
Pense no exemplo
da folha e do vento
É tudo uma questão de escolha.
Edson Ricardo Paiva.
Eu gosto
de coisas que não se descreve
Prefiro viver diferente
daquele jeito sem graça
Que tanta gente vive
Enquanto pensa
Que comprar e vender fumaça
Me faça crer que elas vivem
Eu gosto
De não precisar limpar
tanta fuligem
A cada dia que amanhece
Eu gosto
do que não se vê no rosto
Posto isso
Eu realmente gosto
Que haja algum compromisso
Mesmo quando dizem
Que não presto
E aposto
Que quando gosto
Existe um motivo divino
Meus olhos cansados
E minha alma de menino
Com o tempo aprenderam
Que quando se gosta
E não se vê no rosto
Pode procurar e ver
Que muito provavelmente
Vou gostar de todo o resto.
Edson Ricardo Paiva.
Se você quiser pedir-me algo
Te peço que não me peça
Pra que eu te explique nada
A cada dia que nasce
Pode haver somente
Um amor que a cada dia
Apenas cresce
Quando a gente se esquece
de tentar entender o passado
Então te peço que me peça
O impossível
E somente amor infinito
Não me peça pra que eu mude
Qualquer coisa a respeito
daquilo que está escrito
E escreva junto comigo
Um poema mais bonito
Me ajude a fazer da vida
Poesia somente
E a cada dia mais concreta
Não me faça sonhar contigo
Abandonemos nos nossos passados
Tantos sonhos perdidos e esquecidos
Aqueles sonhados erroneamente
A gente pode somente
Transformar tudo em verdade
e descobrir
Que pode sim, existir
Um jeito certo de pedir
Pra que eu te traga uma montanha
Enquanto me trazes estrelas
Façamos as pazes com a vida
E então, nós dois
a sós
Poderemos construir
Outra vida
Só pra nós.
Edson Ricardo Paiva.
Eu penso
Em um olhar
que não me olha
E enquanto
Esses insistentes pensamentos
Existem
Sem que eu possa fazer nada
Aquele olhar
Que não me vê
E tanto eu preciso
Insiste em vir morar ou se esconder
Num momento qualquer
de algum sonho
A saudade tira o sono
Fico no portão
Esperando a quem não vem
Vejo
A luz da lua
Projetando a sua sombra na calçada
A vida me cobrando
O peso dos anos de ausência
A violência
Com a qual me agride
A brisa mansa que me diz
Que eu também preciso
Viver aquele momento
Em que a alma se decide
Em finalmente ser feliz ou não
Resolvo buscar em mim mesmo
Palavras certas
Como a quem simplesmente
Ora no deserto
Me envolvo com tudo aquilo
E oro com tanta fé
Que sonhos, desejo e insônia
Brisa mansa
Coração que não se cansa
E de tanto insistir
de repente
Parece que dá tudo certo
Aquela acalentada presença
Já não me parece
Nada distante
E no instante em que eu abro os olhos
E vejo que está aqui.
Edson Ricardo Paiva
