Poema na minha Rua Mario Quintana
O pente fino que minha mãe passava em mim quando criança,hoje continuo passando,tirando quem não soma,deixando quem interessa.
Se não valorizou os sorrisos que te abri,não volte na minha porta atrás de drama,ou te indico o cinema mais próximo.
Quando ouço os aplausos da minha chegada,olho fixamente para reconhecer,quem estava no trajeto eu quando tropecei.
Não perco meu tempo com gente imbecil contando minha versão da história,deixo o tempo contar por mim.
Quando minha imaginação te encontra a gente se esconde dentro do outro,depois você vai embora me deixa sem roupas descoberto, e no bater da porta acordo e te perco.
Se reparar meus chinelos gastos,e meus pés empoeirados,repare também a minha vontade onde quero chegar.
Não, não é a minha cor que responde por mim, não é meu cabelo, não é meu tamanho, não é minhas medidas, não é de onde eu vim, é meu caráter, meus princípios e minhas atitudes.
Eu poderia escancarar algumas verdades olho no olho, mas prefiro deixar minha ausência responder que mentiras contadas são tapas sobre a máscara que mais dias menos dias ela cai.
Se você sentir minha língua em outras línguas,se eu estiver de olhos fechados, estou evitando que meu olhar seja legendado.
Se souber ler em braile vai descobrir porque fujo tanto,minha pele tem mensagens deixadas por quem se foi.
Ainda que ousem calar minha voz, a minha mente barulhenta protestará,e minhas mãos inquietas escreverão verdades nos muros do tempo.
Me chamam de rebelde, só porque me rebelo contra o que ameaça tirar minha essência, ou minha existência.
Uma hipérbole foi pensar poder ter-te em meus braços, minha paixão, admiração, amor era como metáfora de diamante, é fábula dizer que isso irá se desfazer no tempo, algo tão indelével como o sentimento que tenho por ti, o que me resta é as marcas das boas coisas que sonhei para nós.
