Poema Mentira
DOCE MENTIRA
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Sempre fui o romeiro e sempre foste a graça;
minha fé, mesmo intensa, nunca te alcançou;
meu amor é fumaça que a brisa dispersa
e meu show é silêncio que devoro em seco...
Sou a velha esperança que se desidrata;
perde o sonho no espaço da própria quimera;
uma data pra nunca no seu calendário;
primavera invadida pelos gafanhotos...
Mesmo assim jamais pulo desse Titanic,
não é doce morrer na solidão sem fim
de não ter só pra mim esse amanhã contínuo...
É melhor naufragar ao alcance da imagem
que virou a miragem de minha verdade
mentirosa, improvável, mas revigorante...
MENTIRA
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Pode até ser que a mentira
não tenha pernas tão curtas;
nem seja crime ou pecado;
'Deus' não esteja me vendo
e não serei descoberto...
É que mentir causa dano;
danificar ser humano
há muito não acho certo...
META HUMANA
Demétrio Sena - Magé
A mentira está livre pra ser difundida;
é verdade por lei; certamente por moda;
tem a sua guarida oficial imposta,
sua nódoa virou logomarca sagrada...
Estão livres as raivas insanas e fúteis;
esse ódio gratuito pelas diferenças;
os inúteis que geram violência e guerra
ditam crenças e suas fobias humanas...
Nesse mundo covarde na palma da mão,
é preciso criar um atalho pro sol;
contramão das barbáries da brutalidade...
Vale tudo; então vale fazermos o certo;
acharemos a flor no deserto inumano
e teremos as mudas de florir mais almas...
... ... ...
Respeite autorias. É lei
MENTIRA
Demétrio Sena - Magé
É verdade; viu?
Hoje o dia da mentira
reabriu abril.
... ... ...
Respeite autorias. É lei
O Império da Mentira
William Contraponto
O sangue traça o marco da inglória,
Não há justificativa no terror gratuito.
A mentira inaugura uma fase decisória,
Com seu império, grito e bomba dá o veredito.
O medo ergue o altar do comandante,
Que vende paz com pólvora na mão.
Se o inimigo é vago e mutante,
Cabe ao discurso moldar a razão.
A história curva-se ao protocolo,
Entre sanções, promessas e punhais.
E a verdade, enclausurada no solo,
Silencia sob escombros imorais.
Cria-se o monstro em tela e manchete,
Edita-se a fúria com precisão.
A máquina mente, projeta e repete —
E a guerra ganha nova encenação.
Com mapas falsos e dardos verbais,
Assina pactos, escolhe a invasão.
E enquanto lucros fluem dos canais,
O povo sangra sem explicação.
Em salas frias, o jogo é traçado:
Quem morre, quem lucra, quem irá cair.
E a potência, ao engano viciada,
Segue a história que insiste em mentir.
Nada mais terrível para um mentiroso do que a verdade!
A mentira é tagarela!
Mas a verdade não precisa dizer nada para se pronunciar.
A verdade É!
Acreditei na grande mentira, na ilusão, Mas a verdade rasgou o véu de Maia, em conclusão. Jamais seria feliz apenas tendo, Hoje faço parte da grande consciência, estou vivendo.
Na ilusão encontrei o engano, quase me perdi, Mas a verdade brilhante revelou o que não vi. Pensava que o ter era o caminho da alegria, Mas vi que na existência verdadeira é que mora a poesia.
Faço parte de um todo, grande e consciente, Na verdadeira essência, achei o elo presente. Não sou apenas um ser, mas um todo em conexão, Na existência plena, encontrei a verdadeira razão.
Flashes de Luz
Como uma mentira que não chegava ao fim
Não sei como eu vivi tanto tempo assim
Olhando para o nada tentando enxergar
Uma nova saída para pegar
Esse sonho louco de ser alguém
Um grande homem que vá além
Já estava caído quando chegou
De uma vida de erros me resgatou
Mas hoje eu vim aqui pra te dizer
Esse versinho que eu fiz pra você:
Ás vezes quando nós nos despedimos
As horas e segundos que passamos juntos
Passam em minha mente como flashes de luz
Frações de segundos antes do fim
Tornaram sua partida eterna pra mim
O corpo celeste mais importante
Meu sistema solar de brilho ofuscante
Imponente como os dois anéis de Saturno
A titã que me protege enquanto durmo
O tom de voz é maquiagem eficaz de um orador. A verdade pode ser gritada e não ouvida e a mentira sussurrada e seguida.
A Maldade Humana e o Poder da Mentira
A mentira seduz, encanta, enfeitiça. Ela se espalha com facilidade porque muitas vezes é mais confortável do que a verdade. O ser humano, ao invés de questionar, prefere acreditar no que lhe convém, no que agrada seus desejos ou reforça seus medos. Mas por quê? Por que é mais fácil aceitar uma mentira bem contada do que encarar a verdade?
Vemos pessoas sustentando falsidades mesmo sabendo que não são reais. Elas ouvem de alguém, repetem e espalham, sem se preocupar com as consequências. A verdade, por outro lado, parece não ter o mesmo apelo. Quando alguém traz uma boa notícia ou compartilha uma felicidade genuína, o mundo muitas vezes reage com desprezo ou indiferença. Mas quando se trata de destruição, fofoca ou ódio, a atenção é imediata.
Existe um prazer perverso na desgraça alheia. Há quem se alimente da infelicidade dos outros, que inveja o sucesso e faz de tudo para derrubá-lo. Essas pessoas não vivem suas próprias vidas, apenas observam e atacam aqueles que brilham. Mas por quê? O que as move? É um caráter doente? É o medo de serem inferiores? Ou é simplesmente uma escolha consciente de seguir o caminho da destruição?
Olhando para a história, percebemos que o mal sempre tenta tomar o controle. Em certos momentos, parece até vencer. Mas a verdade é como azeite sobre a água: sempre vem à tona. A mentira pode correr rápido, mas seu fim é inevitável. No final, aqueles que vivem da maldade acabam sozinhos, infelizes, consumidos pelo próprio veneno.
Então, o que podemos fazer? Nos proteger, seguir em frente e não permitir que a escuridão dos outros nos atinja. O mundo sempre terá aqueles que tentam destruir, mas cabe a nós escolher o lado da verdade, da construção, do bem. Porque, por mais que demore, a verdade sempre vence.
As Lunáticas da Mentira
Vagam soltas, lunáticas da ilusão,
Espalhando mentiras sem compaixão.
Sabem que são falsidade pura,
Mas seguem firmes na criatura escura.
Outras, coitadas, ignorância vestem,
Não veem, não ouvem, apenas infestem.
Ah, se a ignorância fosse muda e cega,
Não feriria, não seria tão brega.
Mas ela sente, e sente com rancor,
Carrega no peito o mais frio terror.
A maldade que nela se esconde e dança,
É o atraso cruel da nossa esperança.
São quase nada, sombras da dor,
Mas o nada, ao menos, tem algum valor.
Elas mentem, ferem, zombam da verdade,
Hipócritas almas sem piedade.
Mal amadas, maldosas, sem raiz,
Vivem do caos, do que não condiz.
Mas a paz, essa luz que não engana,
Vencerá sempre a mentira insana.
O Herói Que Nunca Foi
Há quem precise de um herói,
mesmo que seja de mentira,
mesmo que a capa esconda ruínas
e a máscara disfarce a ira.
Fecham os olhos para o óbvio,
adoram o brilho do falso altar,
não importa o que ele destrua,
desde que os faça sonhar.
Talvez jamais foram crianças,
daquelas que acreditam no bem.
Talvez a infância lhes foi negada,
e agora não confiam em ninguém.
Talvez viveram na ausência
de ternura, de luz, de calor —
e agora se alimentam do medo
e de um discurso sem amor.
O herói que seguem é o avesso,
não salva, não cura, não guia.
Onde pisa, deixa rastros de cinza,
de dor, desamor e agonia.
Mas eles aplaudem, defendem,
com fervor quase irracional.
Sabem que é tudo mentira,
mas preferem o mal ao real.
Porque dentro de si há um vazio
que o tempo não soube curar.
E ao verem alguém feliz,
fazem de tudo pra derrubar.
Dizem “Deus” com a boca suja,
com a alma vendida à vaidade.
Usam o nome do sagrado
pra espalhar crueldade.
E assim seguem cegos, de joelhos,
bajulando quem só destrói.
Acreditam num falso profeta
que prometeu, mas não constrói.
E o mundo assiste, calado,
a essa farsa com cheiro de dor.
Enquanto os verdadeiros heróis
seguem em silêncio — com amor.
Há muita morte escondida atrás de xícaras de café.
Planos ardilosos e muita mentira se misturam entre
xícaras e mais xícaras de café nas casas daqueles
que só sabem fofocar.
Passa maquiagem
No rosto, não na realidade
Na mensagem
Passa a verdade
Não tem mentira
Não tem primeiro de abril
Minha poesia
É como um fuzil
Tem alvo
A verdade que falo.
Não tem mentira
Não tem primeiro de abril
Minha poesia
É como um fuzil
Tem alvo
A verdade que falo.
A verdade é uma constância,
se viveres o momento
estarás numa mentira.
Então, terás alegria,
mas não serás feliz.
Censor
Pergunta sobre mim
Respondo a sua pergunta
Você matuta, reflete
E diz que é mentira.
Você novamente pergunta
Eu respondo
Você especula, pensa
E diz que é mentira.
E aí vai, e pergunta, pergunta
Eu respondo e respondo
Você cisma, pondera
E não acredita.
E você volta a me perguntar
Eu reconsidero, reflexiono
Respondo filosofando
E não sou compreendida.
Você pergunta mais uma vez
Eu sinto que está a julgar
Refuto a indagação
Silencio.
E você pergunta sobre o meu silêncio
Sinto que é para auferir vantagem
Da sua mais nobre arte
Que é a de censurar.
O silêncio e a minha mais aristocrática retribuição
Assim você elucubra a mentira já posta
Em qualquer das respostas
Que irá me sentenciar.
