Poema Menino
Qual era a cor do céu?
Seus pensamentos angustiados,
Se perderam e sem anel,
O compromisso era forjado.
Sem pesar, e como fuga
Lutava contra a culpa.
Queria ser dela, mas a disputa
Era cega e absoluta.
Dizia para si, sê fiel,
Porém, seu coração agora cansado
Pedia por razão e era cruel,
Sua paixão parecia um fardo.
Sem pesar, e como fuga
Lutava contra a culpa
Queria ser dela, mas a disputa
Era cega e absoluta
Adiante, homem, viva seu fado,
Sereno, e distante;
Será como aqui, porém amado.
Talvez perante;
Seja sozinho, e será passado,
O tempo, puro, presente
Vivo, e venturo.
Consequente, homem, viceje e a vida,
Mostrar-lhe-á a dor,
Nas noites e em suas brisas,
Seguirá taciturno de amor,
Antes mesmo da despedida,
O alento, duro, ardente
Esquivo e Inseguro.
Só então, viverá a chance
Que nem os Deuses
Mais distantes,
Poderiam lhe privar.
Só então, viverá um romance
Que embeleze,
A sua espera;
Porém ainda assim seguirá, a procurar.
Sua vida afinal, já não é mais sua.
E os dias que se seguirão, não são mais seus.
Suas escolhas, que se farão, são pela única,
E suas conquistas, que ocorrerão, o farão pelos teus:
Cabelos avermelhados,
Alma, e o adeus, para ninguém dado.
Sim, é dela a cor do céu,
Que se altera ao seu agrado
Como é dela o garoto incréu,
Para o eterno, suspiro, realizado.
Talvez fizesse bem,
Aquela espera.
Talvez fosse além,
Por ser tão bela.
Mas talvez seja de quem,
Só a venera.
Talvez as histórias,
Fossem histórias.
Talvez os sonhos,
Fossem sonhos.
Mas talvez soassem suasórias,
E o gosto pelo mistério,
Sempre impera.
Quem sabe seja impulso,
E esperança,
Quem sabe seja discurso,
Pela temperança,
Mas quem sabe seja percurso,
E a insegurança,
Só seja austera.
Há quem diz que é verdade.
E há quem diz que não se sabe.
Há quem diz que é importante.
E há quem diz que está distante.
Quando determinarem, pelo menos,
A resposta será sincera.
Eu não sei quem está certo,
Também não sei quem está mais perto.
Mas se eu descobrir em algum verso,
Sei que será tudo, mesmo que discreto,
Para ela, que vive bela e terna.
Em sua vida que é poeta.
Saberia ela como ele se sente?
Incerto de tudo e por vezes contente
Saberia ela que ele não mente?
Com ela é sincero sem saber se é vero
Talvez os dois não soubessem
Talvez não deveriam
Talvez os dois se esquecem
Mas se lembram com carinho
Saberia ele quem é ela?
Diferente e do seu jeito, tão bela
Saberia ele como a espera?
Quietamente inquieto
Em sua inconstância que vem por certo
Talvez os dois não soubessem
Talvez não deveriam
Talvez os dois se esquecem
Mas se lembram com carinho
Saberiam os poetas, que assim é o amor?
Ou diriam os profetas que o nosso é temor?
Não nos vemos, ou dizemos que é sonho e distante.
O que será isso que não entendemos?
O que nos fará se persevera com afinco?
Dirá para nós que estamos sozinhos?
Ou roubará a voz em que nós nos escondemos?
Já não sei se procuro,
Ou se a procura é minha,
Mas sempre te esqueço,
Para te ver em toda a vida.
Havia um riacho,
E por ele um caminho.
Cruzando-lhe, o garoto,
Encontrou-se sozinho.
Porém, distante sonhou,
Em encontrar seu destino.
Havia uma estrada,
E nela, um poeta.
Que dizia ser sábio,
E tocava clarineta.
Mas a música lembrava,
O garoto de casa,
E inquieto seguiu,
Com sua historieta.
Havia uma cidade,
E nela pessoas,
Convivendo, o garoto,
Encontrou-se sorrindo.
Mas a estrada o chamou,
E após uma briga,
Estava ele animado,
Em perseguição do destino.
Havia um magnata,
Que ofereceu um sorriso.
Era Trazido em moedas,
Mas sua memória era um aviso.
Fugiu então, o garoto,
Da ganância e do perigo.
Havia a saudade,
Do que é fácil e distante.
E do passado a memória,
Atormentava enquanto diante.
Mas a estrada que seguia,
Prostrou-se perante,
A jovem alma que riu,
E continuou ele errante.
Sê meu rei.
Sê meu rei.
Seja a fonte que nutre meus instintos
Sê meu dono, meu arrimo.
Sê meu amante, meu menino
Seja a força de meu intimo
Sê sereno e continuo.
Sê a fome da minha sede
Seja prazer e jeito de doer
Sê fisionomia do poder
Sê meu discípulo
Seja meu galante curumim
Sê meu macho, meu serafim
Sê meu rei, meu tutor
Seja a jaula de meu pudor
Sê meu homem, meu amor.
Enide Santos 11/07/15
De que vale ter voz
se só quando não falo é que me entendem?
De que vale acordar
se o que vivo é menos do que o que sonhei?
(VERSOS DO MENINO QUE FAZIA VERSOS)
(trecho extraído do livro “O fio das missangas”, Cia. das Letras, 2004, pág. 131.)
Tava indo pra escola
e encontrei um mendingo,
ele me agrediu
e lhe dei um golpe de jiu-jitsu
Ele se levantou
e eu nem tive tempo de escapar,
então chegou um policial
e disse ``Mãos pro ar´
À beira do mar
O garoto agora descansa
Depositou nas ondas
Todas as suas inocentes esperanças
Os maus dominam
E aos bons exterminam
Virar capitão
É a única opção
De quem não tem o pão
Mas oh, não chore
Menino refugiado
Bem lá no alto, no céu
Um lugar lhe foi guardado
Sem guerra
Sem violência
Como havia sonhado
No mundo você só seria
Um mero refugiado
Muleque coloca chifre, homem coloca aliança.
Muleque desiste fácil, homem tem esperança.
Muleque de ti gosta, o homem realmente lhe ama.
João
Foi a forma que Deus encontrou
De explicar pra ela o que é o amor.
E ela vai até pensar que tá cuidando dele
Mas, ele é quem vai cuidar dela,
pra sempre, a pedido de Deus.
Sou fiel à minha essência,
quem lê-me, vê o meu reverso,
e que há verdade em meus versos,
que imersos em incontinências
revelam inobediências,
mas sem ninguém contender...
e sem dar o braço a torcer,
verso só o que a vida dita
c'o menino qu'inda habita
todo meu jeito de ser
Meu coração pulsa firme
transbordante de alegria
com essa pueril euforia
de sentimentos sublimes
não existe pecado ou crime
se, no imo, deixar morrer
o que nos faz adoecer
e ter uma vida bendita
c'o menino que inda habita
todo meu jeito de ser
De tanto exalar malícia
nas fendas do mundo-cão,
por falta de compaixão
o homem é só imundícia,
mas quem guarda em si primícias
faz todo mal dissolver...
pretenso a melhor viver
e de esperançoso grita
o menino que ainda habita
todo meu jeito de ser...
Céu nublado,
Os primeiros pingos de chuva
Já começam a cair,
O vento vem,
Atinge o meu rosto, e volta
Ele afronta,
Querendo mostrar que está ali,
Mas não adianta fingir
Sei que és mesmo um menino,
E não sabe amar,
Por isso, toca-me,
Toca-me levemente,
E volta.
Do abraço perdido
Sou
Aquele
Capaz
De
Me
Confundir
E me erro
Sou
Aquele
Capaz
De
Te
Magoar
Com meu erro
Mas
Aquele
Que
Te
Quer
Bem
Sou
Também
O
Abraço
Que
Não
Te
Dei
Carrego
Em
Mim
Como
Culpa
Aqui
Jaz
Um
Abraço
Que
Passado
O
Momento
De
Existir
Vive
Em mim
Morto
Peso
Bem
Feito
Mergulhei
Mergulhei
No silêncio dentro de mim
Encontrei boiando
A esperança
Nadei com ela
Pronto pra
Emergir
Em mim ?
Como ?
Se em mim
Estava já
A me procurar
E
Falhei
Com olhar altivo e coração sincero
Na ansia da quietude e o peito desejoso daquilo que almeja,
Assim era um homem com coração de menino,
Com olhar ambicioso em uma alma simples e generosa,
Na busca do seu propósito transforma os que te seguem,
Sem medo de acreditar no outro, constroe cidades com seus sonhos e se lapida com pedacinhos daqueles em que confia,
Audacioso e sem medo de errar, primeiro prefere arriscar,
E assim peregrino e desbravante segue caminhante pelo seu alvo,
Confiando no que te move e vivendo um dia de cada vez, com toda intensidade da sua alma, como se o amanhã se encarregasse de si, pois vale a pena acreditar no que o hoje te reserva"
Rasgo delicado.
Um peito rasgado pelo amor delicado, princesa, amor, pureza, gentileza e surpresa, senhora do meu destino um amor assim clandestino.
Envolvente mulher me faz de menino, senhora e agora me dar amor e me devora? A poesia me entrega ati.
De frente com teu rosto vejo a face da poesia concreta que me desperta amor.
Guimarães Sylvio.
Nobre amor
Acordei com vontade de você!
Seu cheiro baila em meu olfato e me faz lembrar a fragrância das tenras frutas
Meu cérebro desnorteado não me deixa esquecer o dia do amor
Seus beijos com sabor de amoras me embriagaram feito vinho
O tempero doce no seu corpo me fez navegar na paixão do desejo
No seu ninho me alimentou como um pássaro alimenta seus filhotes
O sabor das delicias direto da sua boca me causaram alucinação
Meu menino grande no porte e pequeno na pureza de menino
A formosura na sua alma expandiu e superabundou no seu corpo
Sua vontade de me amar enfeitiçou o meu entendimento
Preciso do seu corpo embolado nos lençóis e misturado ao meu
Como viver depois de experimentar todo deleite me oferecido?
Vou te procurar no mar molhado pela chuva
Nas cortinas esvoaçantes movidas pelo vento vou tentar te achar
Nas pedras fortes vou me sentar e olhar para o horizonte
Na esperança que o tempo passe como um meteoro
E você chegue logo para fazermos amor na cachoeira
Em uma entrega sem pressa com todo o tempo do mundo...
Oh! Quão sofrido é ...
... É refletir o passado,
Analisar os passos errados,
Esperar o futuro ...
Viver abandonado,
Neste vasto chão ...
Onde os desumanos corações se alimentam,
Da força do meu trabalho,
Da minha inacreditável resignação.
Fui abandonado !
Esquecido ,largado na amplidão...
Andei despido pelas ruas,
Maltratado,pisado - sendo o dono da razão,
Conheci da vida -o fracasso,
Do mundo - os piores tratos.
Lutei ,sofri ... Venci
Vivi até com os ratos,
Desejando aparecer alguém,
Que me desse um velho sapato
Para proteger os meus pés,
Dos bichos e dos Cactus.
Vegetei no mundo - fantasia
Meu Deus liberta-me dessa agonia !
Contemplo o Céu ... Não vejo a Lua,
Como é sofrido durante o dia ,
Recordar o passado ...
E ver: Que sou um Menino de Rua.
