28 poemas sobre a infância para reviver essa fase mágica da vida
“Brincar não é perda de tempo; é a linguagem pela qual a infância transforma medo, desejo e mundo em experiência possível.”
Do livro No Começo, o Afeto — Winnicott e as Raízes do Desenvolvimento Emocional, da autora Nina Lee Magalhães de Sá.
“A infância não é apenas uma etapa do tempo; é o solo emocional onde o sujeito aprende se pode existir sem se defender o tempo inteiro.”
Do livro No Começo, o Afeto — Winnicott e as Raízes do Desenvolvimento Emocional, da autora Nina Lee Magalhães de Sá.
“Cuidar da infância é cuidar da origem do humano, antes que a dor precise virar sintoma para ser escutada.”
Do livro No Começo, o Afeto — Winnicott e as Raízes do Desenvolvimento Emocional, da autora Nina Lee Magalhães de Sá.
“A infância não fica para trás apenas porque o corpo cresceu; muitas vezes ela permanece esperando escuta dentro do adulto.”
Do livro O Grande Universo das Memórias, da autora Nina Lee Magalhães de Sá.
Agora ela é como aquela cicatriz de infância que tu sabe que tá ali, que dói se bater o tempo, mas que já faz parte do teu corpo.
Cheirinho de café e de terra molhada
Nostalgia tem gosto de infância: fogão a lenha, risada de vó e chuva batendo no telhado.
Na infância, o Sul de Minas era meu destino de férias. Terra do meu pai, entre São Sebastião do Paraíso, Itaú, Pratápolis, Passos, Morro do Níquel e Fortaleza de Minas. O tempo passou, mas essas lembranças continuam morando no coração. ❤️🌿
Talvez a maior riqueza da infância estivesse justamente na sua ingenuidade: a capacidade de transformar coisas simples em acontecimentos memoráveis. Um campinho de terra, uma mexerica e uma tarde de domingo bastavam para preencher um dia inteiro. O mundo se transformou, como teria que ser, mas essa capacidade de encontrar valor no simples continua sendo uma das maiores formas de sabedoria.
Quem cria um filho para depender de si não prolonga o amor; prolonga a infância. E toda infância que sobrevive ao tempo acaba se transformando em uma velhice sem autonomia.
Lugar de infância é onde se cultiva a virtude, e não em meio ao brinde dos excessos e à apologia da ignorância.
Quase não restam lembranças boas da minha infância. Talvez nunca as tenha vivido, ou talvez algo em mim tenha morrido antes mesmo de aprender a ser feliz, deixando apenas um vazio frio onde deveriam habitar memórias e calor.
Quando as lembranças da infância se entranham no meu peito, rasgam-me as entranhas e arrancam minha carne ao ritmo de memórias que não perdoam, tudo o que superei , daquele passado terrível com tanto esforço vira pó, e eu fico a arrastar o cadáver de quem fui.
Nunca tive infância. Fui lançado à pressa do mundo, obrigado a crescer antes de compreender a vida, envelheci de dentro para fora. Sonhei com uma infância que nunca existiu, um abrigo inventado para suportar a ausência do que jamais vivi. Cresci depressa demais, e no lugar dos risos ficaram apenas os ecos de um tempo que nunca foi meu.
A infância não foi um jardim, foi um campo minado de acidentes, um leito gelado de doenças e um cemitério precoce de perdas inimagináveis. Mas o pior não estava no sangue ou no luto; o verdadeiro trauma veio na frieza cortante da negação. Fui gerado, mas não acreditado. A pessoa que me trouxe à luz se tornou o meu juiz mais severo, o espelho da indiferença que me tratava como sombra. Essa voz, a que deveria ter sido o meu alicerce, martelava a sentença mais cruel na minha cabeça infantil: eu nunca seria alguém. Eu estava condenado à infelicidade antes mesmo de ter chance de viver. E essa semente... Ah, essa semente perversa. Ela não morreu. Ela se transformou num arbusto espinhento com garras de ferro. Cresceu no solo árido da rejeição, no pedregal da alma, e hoje, é uma mata fechada dentro de mim. Suas raízes profundas não são superficiais, são nervos expostos, enroscadas no âmago do meu ser. Arrancá-las é impossível. O que resta é a luta diária para não ser estrangulado pelos seus ramos gélidos.
Há um silêncio que tem cheiro de infância perdida. Ele se esconde nas gavetas e nos retalhos do falar. Quando me ponho a escrever, o silêncio ensina como ferir com calma. Sinto que as palavras são pontes frágeis entre mundos. E atravessá-las é ato de coragem e covardia.
Minha infância ainda soluça em algum sótão da memória. Peço perdão ao menino que fui por não ter sido o herói que ele esperava.
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