28 poemas sobre a infância para reviver essa fase mágica da vida
“A infância não fica para trás apenas porque o corpo cresceu; muitas vezes ela permanece esperando escuta dentro do adulto.”
Do livro O Grande Universo das Memórias, da autora Nina Lee Magalhães de Sá.
Na infância, o Sul de Minas era meu destino de férias. Terra do meu pai, entre São Sebastião do Paraíso, Itaú, Pratápolis, Passos, Morro do Níquel e Fortaleza de Minas. O tempo passou, mas essas lembranças continuam morando no coração. ❤️🌿
Talvez a maior riqueza da infância estivesse justamente na sua ingenuidade: a capacidade de transformar coisas simples em acontecimentos memoráveis. Um campinho de terra, uma mexerica e uma tarde de domingo bastavam para preencher um dia inteiro. O mundo se transformou, como teria que ser, mas essa capacidade de encontrar valor no simples continua sendo uma das maiores formas de sabedoria.
Lugar de infância é onde se cultiva a virtude, e não em meio ao brinde dos excessos e à apologia da ignorância.
Quase não restam lembranças boas da minha infância. Talvez nunca as tenha vivido, ou talvez algo em mim tenha morrido antes mesmo de aprender a ser feliz, deixando apenas um vazio frio onde deveriam habitar memórias e calor.
Quando as lembranças da infância se entranham no meu peito, rasgam-me as entranhas e arrancam minha carne ao ritmo de memórias que não perdoam, tudo o que superei , daquele passado terrível com tanto esforço vira pó, e eu fico a arrastar o cadáver de quem fui.
Nunca tive infância. Fui lançado à pressa do mundo, obrigado a crescer antes de compreender a vida, envelheci de dentro para fora. Sonhei com uma infância que nunca existiu, um abrigo inventado para suportar a ausência do que jamais vivi. Cresci depressa demais, e no lugar dos risos ficaram apenas os ecos de um tempo que nunca foi meu.
A infância não foi um jardim, foi um campo minado de acidentes, um leito gelado de doenças e um cemitério precoce de perdas inimagináveis. Mas o pior não estava no sangue ou no luto; o verdadeiro trauma veio na frieza cortante da negação. Fui gerado, mas não acreditado. A pessoa que me trouxe à luz se tornou o meu juiz mais severo, o espelho da indiferença que me tratava como sombra. Essa voz, a que deveria ter sido o meu alicerce, martelava a sentença mais cruel na minha cabeça infantil: eu nunca seria alguém. Eu estava condenado à infelicidade antes mesmo de ter chance de viver. E essa semente... Ah, essa semente perversa. Ela não morreu. Ela se transformou num arbusto espinhento com garras de ferro. Cresceu no solo árido da rejeição, no pedregal da alma, e hoje, é uma mata fechada dentro de mim. Suas raízes profundas não são superficiais, são nervos expostos, enroscadas no âmago do meu ser. Arrancá-las é impossível. O que resta é a luta diária para não ser estrangulado pelos seus ramos gélidos.
Há um silêncio que tem cheiro de infância perdida. Ele se esconde nas gavetas e nos retalhos do falar. Quando me ponho a escrever, o silêncio ensina como ferir com calma. Sinto que as palavras são pontes frágeis entre mundos. E atravessá-las é ato de coragem e covardia.
Minha infância ainda soluça em algum sótão da memória. Peço perdão ao menino que fui por não ter sido o herói que ele esperava.
Sinto falta de uma infância que talvez nem tenha existido, um tempo de barro e sol onde o amanhã era apenas uma hipótese irrelevante. Hoje, o futuro é um monstro que se alimenta das minhas horas de sono, sussurrando que o tempo é uma ampulheta cheia de vidro moído.
Minha infância foi difícil. A fada do dente arrancava meus dentes sem anestesia e ainda roubava meu dinheiro.
O Filósofo e Prof. Clóvis de Barro certa vez disse e uma entrevista que na infância, a nossa auto confiança nasce de alguém que nos empresta de si, geralmente, o motivo é nos amar muito.
Lembrei da minha mãe ensinando eu a andar de bicicleta. Ela tirou as rodinhas, mandou eu subir, explicou como os freios funcionavam e disse que para manter o equilíbrio era só não parar de pedalar. Me deu um forte impulso, e enquanto eu pedalava desiquilibradamente, ela gritava: você consegue. Até hoje confio de que sou capaz de aprender qualquer coisa!
A vida mais curta que a gente tem é a infância, pois a gente não sabe o quanto ela é tão breve até virar uma lembrança.
"Eu percebi que a minha infância não foi a infância que eu queria, mas a infância que eu precisava, para aprender as lições da vida."
Crianças são especiais para quem ama a infância, pois proteger essa fase é a melhor missão que um adulto pode ter. Fica a dúvida: quem cuida de quem? O adulto cuida da criança ao dar atenção, limpar a roupa e defendê-la de quem é ruim. Mas a criança também cuida do adulto com um abraço sincero e com as palavras exatas que a gente precisava ouvir. É uma troca de ajuda e de amor. Diante de tanta pureza, é difícil entender por que existe quem queira fazer o mal contra elas, mas o futuro sempre cobra o preço de cada ato. Cuidar de uma criança é proteger o que há de melhor no mundo.
O sentimento de apego e de rejeição oriundos da primeira e segunda infância, tornam a vida de muitas pessoas insuportáveis na vida adulta. São raízes que devem ser arrancadas. Caso persista a dor do significante, todos os dias as ramificações deve ser cortadas na CEPA uma por uma até que se olhe no espelho e se possa dizer a si mesma: eu sou tudo aquilo que eu sempre quis ser.
Emília Bôto
- Relacionados
- Poemas sobre crianças que celebram a pureza infantil
- Poema sobre lembranças da infância guardadas na memória
- Poemas de Felicidade
- 53 poemas sobre a vida que trazem sabedoria
- Lembranças da infância: frases para celebrar e reviver momentos
- Amizade de Infância
- 80 frases sobre crianças que celebram a magia da infância
