Poemas sobre a mulher negra que falam de beleza e luta
Revisão por Equipe editorial do Pensador
Criado e revisado pelos nossos editores
A mulher negra carrega história, coragem e uma beleza que atravessa gerações. Em versos marcados por sensibilidade e resistência, surgem reflexões sobre identidade, dignidade e força. Cada poema transforma vivências em arte, exaltando raízes, autoestima e a potência de quem segue lutando sem deixar de brilhar.
Negra
Ela é pop.
Ela é rock.
Ela é funk.
Ela é samba.
Ela não se define,
porque quem se define se limita.
E não há limites pra ela.
Ela descobriu sua essência,
sua verdade, sua liberdade.
Ela não precisa provar nada a ninguém.
Não é cabelo "duro".
É crespo, natural.
Ela é assim,
riso fácil,
brilho no rosto,
e aquele jeito que encanta onde ela chega.
Ela é negra,
e é desse jeito que ela reluz!
A beleza negra está nos olhos de quem vê.
Se quiser empresto os meus,
senhor do engenho, pra você.
O preto dá qualquer tonalidade a outra cor,
ela é muito importante.
A beleza do outro é o reflexo do que está dentro de você...
foi uma mulher negra e escritora
de pele e alma como a minha
que me ensinou
sobre os vulcões e as rédeas e os freios
sobre os tumultos dentro do peito
e sobre a importância de ser protagonista
nunca segundo plano
se você encostar a mão entre os seios
vai sentir os rastros de nossas ancestrais
Pele negra
Ó, que beleza!
Só podia ser obra da natureza.
O sol forte
E o suor escorrendo na pele
Combinação perfeita,
Então é brilho que sai da pele negra.
Tão bonita,
Eu a invejo,
Mas é uma inveja saudável
Que até versifico,
Algo tão admirável.
Sou mulher
Sou guerreira
Sou negra
Sou de luta
De labuta
De sorrisos
De amores
Sou de lágrimas
Sou de canto
De encantos
De sabores
Minha pele
É meu manto
Meus cabelos
Minha identidade
Não me omito
Não me escondo
Sou negra
Sou preta
Sou
Sou um ser humano
Que quer liberdade
Igualdade
Respeito
Que quer seguir adiante
Retroagir
Ir para a esquerda
Ou para direita
Usar longo
Ou um short curtíssimo
Cabelo afro
Ou cabelo liso
Doutora ou dona de casa
Ser vista
Como cidadã
Que não precisa ser isso ou aquilo
Que quer simplesmente escolher seu rumo, seu prumo...
E a cada dia se construir como bem lhe aprouver
Tendes no coração o brilho do amor
Teu lindo sorriso contrasta com tua cor
Tua pele negra linda é esculpida pelo calor
Sempre serei seu fã, amar-te-ei sem pudor.
Tu és mulher nêga,
uma poesia em mim!
A mulher negra,
Deus ao pintar
Pincelou de forma diferente:
Deixando uma obra de arte
Que encanta a gente.
O da Vinci pintou a Mona Lisa,
Porque não te conhecia!
Vejo que nós, negras meninas
Temos olhos de estrelas,
Que por vezes se permitem constelar
O problema é que desde sempre nos tiraram a nobreza
Duvidaram das nossas ciências,
E quem antes atendia pelo pronome alteza
Hoje, pra sobreviver, lhe sobra o cargo de empregada da casa
É preciso lembrar da nossa raiz
semente negra de força matriz que brota em riste!
Mãos calejadas, corpos marcados sim
Mas de quem ainda resiste.
Mulheres como eu
Quando saem de suas casas
São arrastadas em carro de polícia
Mulheres como eu
Quando exigem seus direitos no trabalho
São arrastadas com algemas da polícia
Mulheres como eu
Quando atuam na política governamental
São alvejadas sem investigação da Polícia
Mulheres como eu
Choram a morte do filho
Que saía para a escola
Mulheres como eu
Choram a morte do filho
Que brincava na calçada
Mulheres como eu
Choram a morte do filho
Que soltava pipa no domingo
Mulheres como eu
Esperam pelo marido que não volta pra casa
Mulheres como eu
Vivem com medo de que o marido não volte pra casa
Mulheres como eu
Sofrem com o marido quando não pode voltar pra casa
Mulheres como eu vivem de luto e de luta
Defendem a honra da família tradicional brasileira sem pai
Defendem o prato cheio na mesa
Não se rendem na guerra
E vencem cada batalha armadas da própria carne
Ah Inegra, a tua existência é sinônimo de resistência
Nessa terra onde nós mulheres negras somos silenciadas,invisibilizadas
tu tens o poder de acolher, dar voz, fortalecer.
Ah Inegra, tantas lutas travadas muitas injustiças, racismo, lágrimas
mas também muitos sorrisos, conquistas, afetos, encontros bonitos.
Ah Inegra, são vinte anos de diversas histórias tantos projetos escritos, vividos, sentidos quantas lutas junto as quilombolas, as artesãs, as juventudes, as encarceradas, as periferias.
Ah Inegra, todo respeito e admiração às mulheres negras que te criaram
as mais antigas que ficaram
a todas aquelas que somaram
as mais novas que te renovaram.
Ah Inegra, gratidão as parcerias, aos coletivos e movimentos espalhados pelo caminho, as diversas e muitas mulheres que contribuíram com a tua luta coletiva, feminista, antirracista.
Ah Inegra, desejo que tu sigas quebrando as novas correntes, tecendo sempre o novo e tramando muitas rebeldias.
Ah Inegra, enquanto tu existires nós mulheres negras nunca lutaremos sozinhas Tu és quilombo, força e resistência
Obrigada pela tua linda e brava existência!
Mulheres negras, guerreiras de luz
Feministas incansáveis, força que reluz
Suas lutas marcantes ecoam na história
Rompendo barreiras, reescrevendo a trajetória.
Da resistência nas senzalas à busca por liberdade
As mulheres negras enfrentaram a adversidade
Contra o racismo, machismo e opressão
Ergueram-se com coragem e determinação.
Sojourner Truth, com sua voz poderosa
Denunciou as injustiças, lutou vigorosa
Angela Davis, símbolo de resistência
Desafiou o sistema, defendeu a existência.
Lélia Gonzalez e Sueli Carneiro, intelectuais
Fundaram o feminismo negro, essenciais
Marielle Franco, símbolo de esperança
Lutou pelos direitos com garra e perseverança.
Mulheres negras feministas, batalhadoras
Percorrem caminhos em busca de vitórias.
Sua luta é por justiça e igualdade plena
Transformando o mundo com sua chama serena.
Ah, havia muita beleza nela, era muito linda.
Superava a Branca de Neve e a Bela Adormecida.
Mulher igual essa... Meus olhos nunca enxergam.
Era uma arte caminhando pela rua,
Como se saísse de um quadro.
Anida sinto seu cheiro...
Seu cabelo era longo, tipo de Raponzel. Cacheado. Bem preto.
Tentei recitar-lhe um poema para ela, mas não deu, o verso ficou engasgado na garganta.
Tentei dar-lhe flores... E dizer que em cada pétala, havia um verso meu, minhas mãos tremiam...
Quando ela olhou pra trás, ela percebeu que meu rosto mudara, meus olhos, e meu coração batia mais forte.
E ela sorriu... E partiu!
E meu coração também, partiu-se.
E ela foi meu amor à primeira vista.
Sou negra,
Sou negra beleza pura,
Como é bom ser negra!
Para toda esta beleza
Meu tipo não é europeu.
Venho da África, meu irmão,
Sou negra sem os 68 cm de cintura.
Como é bom ser negra
Do nariz largo, dos lábios grossos,
Dos olhos grandes, atentos a tudo.
Dos meus seios redondos já não sai
Mais leite para os teus filhos
Mas sim para os filhos que eu quiser!
Sou negra dos quadris invejáveis para
O repouso do homem que eu quiser ter.
Eu sei o segredo do caminhar e te envolver –
Cuidado, seu moço!
Não sou peça de prostituição!
Não sou mais do teu fogão!
Sou negra do pixaim que exibo com prazer!
Sou negra pro meu nego me chamar de pretinha!
Sou negra não pro samba de Sargentelli da vida,
Mas para o batuque do meu povo guerreiro:
No morro, na favela, no terreiro!
Minha mãe não é Nossa Senhora,
Mas sim Nana Buruku.
Meu herói não é Princesa Isabel,
Mas sim o grande Zumbi.
Como é bom ser negra!
Sou negra e sou Miss da Negritude;
Sou negra e sou Rainha do Congo, na Angola,
Na Nigéria ou no Brasil.
Sou negra apesar de você me denominar de moreninha,
Mulata, jambo ou outro matiz.
Sou negra e não reforçar o sistema que está aí
Sou negra apesar de você não admitir,
Eu sei o jongo de capoeira
Eu sei o jongo do afoxé,
O segredo do candomblé
Eu sei dar o tempero certo para o vatapá
Que eu quero comer.
Como é bom ser negra!
Negra para toda essa negritude!
Sei que sou o veneno, a pimenta
Com meu sorriso aberto, meus pés grandes
e firmes
Sou negra
Sou gostosamente negra!
Extasiantemente negra!
Conscientemente negra!
ser mulher é
ser loira, olhos claros, nunca descabelar-se
é ter sangue escorrendo entre as pernas & não
[deixar que percebam mesmo que
você corra
você nade
você dance
[...]
eu descobri agora que
não sou mulher
sou negra, sou apenas uma negra.
[...]