Poema de Justiça

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“A justiça não é a vitória da lei sobre o homem, mas da razão sobre a arbitrariedade.”

O Direito que tolera a censura assina sua própria certidão de óbito, transformando a justiça em um monólogo do poder.

A justiça cega não pode ser surda; e a censura é a cera derretida nos ouvidos da lei.

A justiça que precisa da censura para se sustentar é frágil como um castelo de areia na maré alta.

Um tribunal que teme o debate livre não é a casa da justiça, mas o santuário do medo.

A Justiça começa quando o Direito aprende a agradecer àqueles que lhe deram uma voz.

A gratidão é talvez a forma mais silenciosa de justiça: devolve ao passado o reconhecimento que o presente lhe deve.

Ser grato à Justiça do passado é assumir responsabilidade pela Justiça do futuro.

A Justiça começa onde a dignidade humana deixa de depender da conveniência do poder.

O acesso à Justiça começa quando nenhuma pessoa precisa pedir permissão para ser ouvida.

Onde a justiça nasce da raiva, a sentença pode ser legal, mas o coração da lei já adoeceu.

A justiça começa quando deixamos de perguntar apenas “quem fez?” e passamos a perguntar também “o que aconteceu para que isso fosse possível?”.

A evolução explica por que as instituições mudam; a justiça decide quais mudanças merecem ser preservadas.

A justiça começa quando o homem percebe que sua liberdade termina exatamente onde começa a dignidade do outro.

A igualdade jurídica é uma promessa; a justiça material é o difícil trabalho de cumpri-la.

Quem acredita possuir toda a verdade já começou a perder a capacidade de fazer justiça.

Justiça sem humanidade vira mecanismo; humanidade sem justiça pode virar privilégio.

Platão imaginou a justiça como harmonia; o Direito contemporâneo tenta transformar essa harmonia em instituições.

Aristóteles percebeu que justiça não significa tratar todos sempre da mesma maneira, mas oferecer a cada situação o tratamento que lhe corresponde.

Justiça é o esforço permanente para impedir que a força se apresente como razão.