Poema de Justiça

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“Justiça tardia não é apenas uma justiça atrasada; é uma justiça que chega depois de a realidade ter mudado.”

Quando a lei perde a humanidade, a legalidade pode sobreviver enquanto a justiça morre.

A justiça não começa quando o juiz decide, mas quando alguém é capaz de ouvir o outro sem desejar puni-lo.

O direito organiza a sociedade; a justiça pergunta se a sociedade organizada merece continuar existindo.

“A Justiça perde sua dignidade no instante em que passa a perguntar quem é o acusado antes de perguntar o que aconteceu.”

“Uma sentença pode encerrar um processo, mas somente a Justiça consegue encerrar uma injustiça.”

“A independência da Justiça não significa que o juiz esteja acima da sociedade; significa que ele deve estar abaixo da Constituição.”

A lei pode conter a violência, mas somente a justiça pode retirar dela sua legitimidade.

Toda sociedade revela sua concepção de justiça pela violência que tolera em nome da ordem.

Quando a punição humilha, a justiça deixa de corrigir o dano e começa a reproduzi-lo.

A justiça não pergunta apenas quem venceu a luta; pergunta por que alguém precisou lutar para ser reconhecido.

Toda vingança deseja um culpado; toda justiça procura compreender o dano sem multiplicá-lo.

A justiça começa quando a vítima deixa de ser apenas alguém que sofreu e passa a ser alguém cuja palavra importa.

Quando o Estado exige obediência sem oferecer justiça, a autoridade começa a envelhecer por dentro.

A violência transforma pessoas em obstáculos; a justiça devolve a elas sua condição de pessoas.

A justiça não é a vingança da sociedade contra o indivíduo; é a sociedade impondo limites à própria capacidade de vingança.

Toda justiça que esquece a humanidade do culpado corre o risco de tornar-se violência com toga.

A segurança pública começa antes do crime, porque prevenir é também uma forma de justiça.

Justiça criminal sem devido processo pode produzir condenados; não necessariamente produz justiça.

A justiça não fracassa somente quando absolve o culpado; fracassa também quando convence o inocente de que ser honesto foi um erro.