Poema de Justiça

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O maior inimigo da justiça não é a injustiça declarada, mas a injustiça administrada como rotina.

A burocracia pode atrasar a justiça; a corrupção pode vender o caminho para quem puder pagar.

O clima não conhece fronteiras; por isso, a justiça climática também não pode conhecê-las.

A justiça climática começa quando compreendemos que quem menos contribuiu para o aquecimento pode ser quem mais paga por suas consequências.”

A justiça climática é a tentativa do Direito de corrigir uma assimetria que a física tornou impossível esconder.

A justiça ambiental não pergunta apenas quem causou o dano; pergunta quem tem capacidade, dever e oportunidade de evitá-lo.

A inteligência artificial pode calcular a justiça; somente o homem pode responder por ela.

O código pode organizar o mundo; somente a justiça pode dizer se o mundo organizado é justo.

Todo regime autoritário deseja uma Justiça que saiba interpretar a lei, mas não saiba interpretá-lo.

O jurista que confunde legalidade com justiça pode tornar-se funcionário da injustiça sem jamais violar uma norma.

A toga não transforma a força em justiça; apenas pode dar à força uma aparência mais respeitável.

“O Direito é a tentativa humana de fazer justiça sem possuir a certeza absoluta sobre o que seja a Justiça.”

“A Justiça não precisa ser uma verdade eterna para ser uma obrigação presente.”

“Talvez não saibamos o fundamento último da Justiça; sabemos, porém, que a injustiça continua sendo injustiça quando ninguém consegue explicá-la.”

“A justiça é o esforço da humanidade para impedir que o poder de uma vida determine arbitrariamente o destino de outra.”

“O Direito pode organizar a sociedade, mas somente a justiça pode impedir que a organização destrua a vida.”

“Toda sociedade revela sua concepção de justiça pelo modo como protege a vida de quem não possui poder para protegê-la sozinho.”

“A justiça talvez seja apenas isto: criar regras para que o acaso do nascimento não determine o valor de uma vida.”

“O animal abandonado não pede justiça com palavras; sua própria vulnerabilidade é a petição.”

“Um Direito verdadeiramente civilizado não pergunta se o animal pode reivindicar justiça; pergunta por que o ser humano ainda precisa ser convencido de que deve oferecê-la.”