Poema de Feliz Aniversario Fabricio Carpinejar
[LUA CHEIA]
Cortei a minha saudade
Em plena lua cheia
Só pra poder vê-la crescer
Mais rápida, mais bonita
No deslumbre vazio
De lhe trazer
Em meus mitos
Com um pouco mais
De certeza
CEGA
tenho da harmonia
um trilho
aresta
percurso as cegas
cílios que caem (outono)
sotaque da gente que me cerca
peixe elétrico: desfibriladores
crase dando ar à pedra
las dores de un ninho
que sabe fazer casa na distância
y braço de sofá
em todo um colo
que
rejeita
AZUL-MUJER
homem que escreve bonito
um céu azul-mujer está limpo
pra tu passar
levar cores na água dum riso
mandar cartão postal
um logradouro dos
teus segredos
BRASILIENSES
Abram suas rodas
Desarmem os braços
Afetem-se por abraços
Sem medo de quem chega
Tampouco de quem vai embora
Poupem-se de logradouros
Perguntem o ofício da alegria
Olhem o céu dos meus olhos
QUERO FAZER AMOR
quero fazer amor
como a manteiga passada no pão dos famintos
quero fazer amor
como a chave que abre a porta dos desesperados
quero fazer amor
como o feijão que põe graça no arroz da feira
quero fazer amor
como o telefone ocupado com a sua inesperada ligação
quero fazer amor
como o parto normal dos nossos sonhos bêbados
quero fazer amor
como pular de amarelinha de uma perna só e de mãos dadas
quero fazer amor
como cão e gato entre os ratos
quero fazer amor
como a brisa anunciando a brasa
quero fazer amor
como o meio-fio está por um fio para ser reformado
quero fazer amor
como o azul da cor do mar despacha o azul do viagra
quero fazer amor
como o fantasma da ópera que resolve sambar na sapucaí
quero fazer amor
como as impressões digitais que se despedem dos dedos
quero fazer amor
como um gole de café me faz xícara
quero fazer amor
como a declaração borrada de batom e medo
quero fazer amor
como a mama me assanha e me ossanha
quero fazer amor
como a bola cheia de tanto zero a zero
quero fazer amor
como a guerra e a paz que tomam conta do formigueiro
quero fazer amor
como o galo que não dá as ordens no terreiro
quero fazer amor
como a fusão de tudo na função do nada
JUSTIÇA CERTA
P/ Taty
Bater o martelo
faz doer a cabeça do prego
Na lábia legal constituída
por códigos de sabedoria
conciliação entre as partes
para a alegria do inteiro
Sem essa de vigiar e punir
Na tribuna do zelar e compreender
fazer direito
compreendendo o esquerdo do mundo
* Marcos Fabrício
AMIGO É MORADA
Amigo é a morada que nos abriga
Amigo é a mola quando estamos sem chão
Amigo é a janela para arejar nossa casa
Amigo sopra o olho para espantar o cisco que atrapalha a visão
Amigo anima festa quando estamos de luto
Amigo oferece ouvido de graça para ligações a cobrar
Amigo é o passarinho que lembra que a gente sabe voar
Amigo tem boca santa para proteger a nossa existência
Amigo é a surpresa mais esperada da vida
Amigo me esquenta com beijos e abraços
Amigo conta piada e põe a gente no meio dela pra história ficar mais engraçada
Amigo é o nosso grande testador
Amigo tem papo reto
Amigo é o nosso relações íntimas
Amigo divide o copo para os dois molharem a palavra
Amigo rasga o verbo se o ato é ruim
Amigo fala o que a gente precisa ouvir
Amigo deixa de passar a mão na cabeça para não levar embora o nosso juízo
Amigo conhece bem as nossas virtudes
Amigo recicla os nossos defeitos
Amigo é bom de conversa e de silêncio
Amigo dá muito mais toques do que explicações
Amigo conhece de dentro quem é você por dentro
SOMBRA DOS VENTOS
Cansado de ser marinheiro nauseado
De remar à unha rumo a dezembros nublados
Pus-me ao solo encravado
Aqui ando e corro descalço
Meu superego, campo farto de hectares
Da primeira à última porteira
Posse tenho das poças em que tanto afogo
Eu quem afaga a cada seca desse cerrado
Eu quem afaga
Espelho de faca
Plantarei um pássaro
Para asas fazerem sombra em meu quintal
Sujo, eivado, de esgalho (ou da migalha)
O assoalho de meu quintal...
Solo, sujo, sol e chão
Farto de folhas de feridas que secaram
No outono que se foi.
Não como a sorte que nasce nos trevos
Nas vielas dos meus dedos...
A minha sorte - eu tenho outras -
Ainda é cedo
Pra mostrar
Quero (mais do que posso); vê lá se posso
Oh, esperança tão teimosa
Quero comprar uma rede
Pra me balançar
E voar em vento
Pra mo'da vida não parar
A minha sorte - eu tenho outras -
Ainda é cedo
Pra mostrar
ECLIPSE SAGITÁRIO
Onírico: eis minha força motriz
em cada palmo de crina
só em beleza me embalo
Cavalgo céu a dentro
e sendo arqueiro - de impulso adestrado -
atiço eclipse
sol y lua
em
Sagitário
CAPRICA
Capricórnio
De córnea hígida y
Pupilas dilatadas
Nos córneos
A bússola
Aponta sem perder
Foco
Hora
Alve Verde
Sou apaixanada pela a única coisa no mundo que não me trai, mais sim me atrae.
Pode me fazer chorar, xingar, brigar com aquela amiga especial, mais também vai me fazer sorrir, gritar, da aquele abraço tão inesperado e surpresa na mesma amiga que brigou.
Vamos nos entender sem dizer uma palavra,
é um amor que não se explica, que não tem prazo de validade.
Amor que corre na veia, que pulsa da ponta dos pés ate o coração, amor que o tempo não apaga, que a distância não diminui.
Ser alve verde é saber que existiram dias de glórias, e outros poucos de derrota. E ainda assim não nos calamos, não baixamos a cabeça, lagrimas poderam surgir mais o vento se encarregará de enxuga-las.
Por fim sentir esse amor tanto imenso, só me faz perceber que por maior que seja meu amor uma pessoa, o meu amor pelo Palmeiras sempre vai ser incomparável, incontestável, insubstituível, inenarrávelmente superior a tudo que existe.
PÃO DE ILUSÃO
"Dona Maria vai à mesma padaria há 43 anos e alguns dias. Essa data traz a agonia inventada pela espontaneidade da vetustez. Alguns móveis da padaria, ao longo da modernidade, foram trocados por mármore gelado e mogno lustroso. Os donos do estabelecimento ainda não foram trocados. O padeiro continua com um semblante frio - tanto quanto o mármore - e a balconista, com a sua pele lustrada pela temperatura dos pães, estende dedos grossos para devolver o troco. Em todos esses anos, os formais comprimentos nunca foram trocados por nenhuma amizade com túnica mais interna. Dona Maria é apenas mais uma velha assídua que sempre compra o mesmo bolo de trigo. Os que estão na padaria, também são apenas os mesmos, apenas são, sem muitas túnicas internas, são superficialmente apenas duas almas sem recheio que Dona Maria vê ao longo de seus 43 anos. Por casualidade, há muitos calendários, Dona Maria vê os mesmos rostos, os mesmos objetos, come as mesmas comidas, veste os mesmos vestidos que cheiram a naftalina. Diga-nos, Dona Maria, diga como era o sol naquela década. Diga-nos, diga com dignidade como as pessoas se trajavam, nos diga sobre os programas televisivos, diga-nos se os corpos eram em preto e branco, diga se havia medo de ter esperança. Conte-nos, conte sobre hoje, conte sobre excesso de cores. Conte-nos como contas as moedas do cofre que guardas em cima da geladeira, qual valor tem a mudança. Para Dona Maria, a dinâmica do tempo não lhe foi muito generosa. Dona Maria aguarda, no cume de sua demência, que nada possa mudar, pois envelhecer é um fenômeno agudo, que esculpe pés de galinha e rugas sem muita cortesia estética. E ela inventa todos os dias mais um dia de monotonia, para que não alcance o desespero de um dia ter de que se reinventar. Dona Maria sabe que a eternidade não se vende em nenhuma padaria, mas que a alegria da ilusão lhe traz a sensação de poder ter desenhar a vida que se quer levar."
O MENINO QUE O VALE LEVA
"Você nunca volta pelos mesmos caminhos. Você, o pequeno menino do vale, também é o grande adulto que leva. E se hoje vai embora - cheio de lentidão na marcha - é porque nunca perdeu o medo de voltar. Sempre soube que, o soluço, é o veredito pujante do perdão digerido. E eu, teimoso como sou, dou conversa ao desespero. Tenho calos por ainda ter cordas, na cabeça, para me pendurar em suas fugas. Corra ligeiro, na cidade que há em mim, com todas as suas coisas que vão perdendo o cheiro, exalando o melhor perfume da sua falta. Vale-me muito esse menino. Valei-me...volte! Pois as placas não têm nomes e, as ruas, não têm saídas. Nos fios da barba, há cama para a sua insônia. Riso também é choro. Cacto também se rega. Amor, não se nega".
AMAR - ATO I
"Desde que se tornou verdade, todo medo era apenas mentira, sem parcimônia de sentir a ausência do cais que me era, da imensidão de sorrisos igualmente divididos. Com aqueles braços - que atravessavam-me sutilmente os poros - tod'alma fluía, vestida de lençóis translúcidos, delicados, mas hígidos o suficiente a passar por qualquer espinho sem nem causar ferida, partos e partidas. Partilhas comigo a razão das mais belas canções e da cólera incurável, da falta do ar. Desde que se tornou verdade, tudo se torna...transforma no ato de amar".
CARECA DE SAUDADE
Há pouco esmero nesse texto. Há pouco ele cresceu. Crespos, lisos, ondulados: tantos são os caminhos para a saudade. Trançados em raiz, espetados, penteados em et ceteras. E, mesmo em caminhos calvos, é algo que cresce, aumenta, cai. Tal vez, saudade. Cabelo, talvez. Arrepia e embaraça. Saudade é capaz conceber sentimentos de arrepiar e embaraçar qualquer sensatez. Há quem peleje ao pentear os fios desse tempo com o credo latente de que a saudade irá passar. Esforços em vão. Cabelo se corta, saudade também. Saudade logo cresce. O cabelo? Também!
PÉTALA POR PÉTALA
"Aprendi a andar sobre à vida sem as mãos, sem nenhum apego ou reflexo de segurança mediante ao perigo. Em minha riqueza de aptidões, a que mais contemplam é a terrível maneira como os cadarços se comportam. Os que se importam: sintam-se importantes. Equilíbrios aos equilibristas. Pra eu que tanto me dou bem e mal - pétala por pétala - sob o papel de malabarista, resta rogar habilidade na dinâmica das instabilidades."
SAPATO, VESÍCULA E CAMINHO
"Eu não escondo desconforto, mas, algumas pedras, encontram abrigos privilegiados."
TRUCO
Troquei de roupa
Troquei os passos
Troquei figuras
Troquei os fatos
Troquei de olhos
Troquei de alma
Troquei de cores
Troquei de espelhos
Troquei de braços
Troquei palavras
Troquei de amores
Troquei de pecado
Troquei as bolas
Troquei
Truquei
Retruquei
Aos trocos e devoluções
Não me troco por nada
CIDADES ONÍRICAS
"Gosto de tudo o que sou, enquanto caminho para o sono, naquele instante de repouso em que sou apenas mais um tom de vulto. Sou bom em ouvir vento varrendo ruas, em pensar na turbulência dos acasos e em fugir de insônias autorais. Refaço as costuras dos panos que me embrulham, em pensamentos desajuizados, desenfreados. Quando, por fim, durmo, acordo em cidades oníricas e tomo café da manhã com a minha bendita inconsciência."
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