Poema de Amigo de Augusto dos Anjos

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A intolerância irracional de muitos escusa ou justifica a hipocrisia ou dissimulação de alguns.

A beleza é uma letra que se vence à vista, a sabedoria tem o seu vencimento a prazos.

O pretexto normal dos que fazem a infelicidade dos outros é de quererem o bem deles.

A maioria das mulheres quase não têm princípios: conduzem-se pelo coração e, quanto aos seus costumes, dependem daqueles a quem amam.

Os homens são poucas vezes o que parecem; eles trabalham incessantemente por parecer o que não são.

As paixões perdoam tão pouco quanto as leis humanas, e raciocinam com mais justeza: não se apoiam elas numa consciência que lhes é própria, infalível como o é um instinto?

Nunca a polícia terá espiões comparáveis aos que se colocam ao serviço do ódio.

Quem sem descanso apregoa a sua virtude, a si próprio se sugestiona virtuosamente e acaba por ser às vezes virtuoso.

Não existe vício que não tenha uma falsa semelhança com uma virtude e que disso não tire proveito.

Agrada-nos o homem sincero, porque nos poupa o trabalho de o estudarmos para o conhecermos.

Não devemos julgar os homens por aquilo que eles ignoram, mas por aquilo que sabem, e pela maneira como o sabem.

Para o homem, apenas há três acontecimentos: nascer, viver e morrer. Ele não sente o nascer, sofre ao morrer e esquece-se de viver.

Depois do espírito de discernimento, o que há de mais raro no mundo são os diamantes e as pérolas.

O amante é um arauto que proclama onde existe o mérito, o espírito ou a beleza de uma mulher. Que proclama um marido?

Para conhecermos os amigos é necessário passar pelo sucesso e pela desgraça. No sucesso, verificamos a quantidade e, na desgraça, a qualidade.

Há 2 espécies de chatos: os chatos propriamente ditos e os amigos, que são os nossos chatos prediletos.

Para conseguir a amizade de uma pessoa digna é preciso desenvolvermos em nós mesmos as qualidades que naquela admiramos.

As mulheres podem tornar-se facilmente amigas de um homem; mas, para manter essa amizade, torna-se indispensável o concurso de uma pequena antipatia física.

Friedrich Nietzsche
Humano, Demasiado Humano

A amizade é uma predisposição recíproca que torna dois seres igualmente ciosos da felicidade um do outro.

Devem-se escolher os amigos pela beleza, os conhecidos pelo caráter e os inimigos pela inteligência.