Poema 18 anos
Sete dias de paz em todos os dias, semanas e anos do mundo e é só
multiplicar, pelo dobro, pelo menos.
VINTE ANOS E
Contei os natais com ela
Maria, minha mãe.
Vinte e tantos no presépio
Comigo, José filho,
Em nome de meu pai, Manuel.
Era a Gruta de Belém,
Porém,
Quase parecendo a outra,
Era o meu Natal puro,
Que os meus de agora esconjuro,
Neste destino cruel!
Foi-se a mãe;
Meu pai, seguiu-a além,
Fiquei eu, menino patético!
Que natal tão estépico,
Mais senil que poético,
Este de agora meu
Pobre que sou pigmeu,
Desde que minha mãe morreu
Há distância de esperanças mil,
Depois das águas de Abril.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 22-12-2022)
ANIVERSÁRIOS
Ela faz anos.
Aquele faz anos.
Tantos a fazerem anos...
Eu só queria aprender
A saber
Fazer
Os meus anos,
À minha medida,
Sem enganos,
Nem danos,
À chegada e à partida.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 31-12-2022)
ALTARES
Anos vão.
Construi e tenho no meu quarto
Numa cómoda velha de minha mãe,
Um santuário,
Tipo berçário,
Que acolhe alguns santos
Do reino que Deus tem.
Uns mais que outros, sacrossantos,
Para mim.
E assim,
Talvez pela memória
Feita só estória
De querer afastar medos e quebrantos
Em simples peças de barro,
Já em padecimentos de sarro.
E cada vez mais eu reparo
Que neste mundo às avessas,
A quem faltar fé ou faro
Baterá em portas travessas.
Ravessas, elas só se abrirão
Por senha ou pela beatice,
Sempre esta minha tolice
De não aceitar sermão.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 27-03-2023)
Já se passaram anos, mas ainda me lembro de você,
Das lembranças que compartilhamos, dos momentos que vivemos juntos.
Ainda posso sentir sua presença, sua voz, seu sorriso,
E tudo o que compartilhamos naquele tempo distante.
As lembranças são como fios que nos conectam ao passado,
E nos permitem reviver momentos que já se foram.
Elas nos trazem conforto e alegria,
E nos ajudam a manter vivas as memórias.
Mas, embora as lembranças possam ser doces,
Elas também podem ser dolorosas e difíceis de suportar.
Elas podem nos fazer sentir tristes e solitários,
E nos lembrar de coisas que preferiríamos esquecer.
No entanto, mesmo com todas as dificuldades,
Ainda vale a pena lembrar de você,
Pois as memórias que compartilhamos
São uma parte preciosa de quem eu sou.
Então, mesmo que muitos anos tenham se passado,
Ainda guardo você em meu coração,
E espero que, onde quer que você esteja,
Esteja lembrando de mim com carinho e emoção
Da mesma forma que eu me lembro de você
SAUDADES DE JÚPITER
Vivi tantos anos algures,
Num telúrico planeta
Chamado Terra...
Fugi para Júpiter um mês;
Esqueci o telúrico
E abracei o gasoso,
Num gozo
Sulfúrico.
Lá voltarei um dia, talvez …
Deixou-me saudades
O que Júpiter encerra,
Maior vapor
E muito mais amor,
Que na própria Terra,
De tantas necessidades.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 27-11-2023)
LUZ PERDIDA
Tantos anos na escuridão,
Procurei um dia a luz
No túnel da ilusão,
O brilho que me seduz.
Fiquei cego na minha cruz
Da vida,
De tanto olhar sempre em vão,
A luz da minha partida.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 28-11-2023)
Anos e anos
Existem anos que ela continua lutando
Contra todas as suas dificuldades
Ela vive se questionando
O por quê que essa luta
Nunca chega ao fim
Procura palavras para
Expressar o seu cansaço
Está cansada mas continua
Resistindo a tamanha batalha
Seguindo seu caminho difícil
Tendo em vista as dificuldades
A qual sonha em viver sem elas
Tenho trinta e poucos anos
E alguns problemas
Não tenho psicológico algum
Para continuar no meu relacionamento
E muito menos para ter um novo
Casos amorosos, namoro, casamento...
Tudo sempre acaba
As pessoas ficam pulando de um relacionamento para outro
Outras continuam no mesmo
Tentando
E nisso, tudo vai se perdendo
Os beijos, abraços, as noites de amor
A pessoa vai se perdendo
Com o tempo perde a vaidade
O brilho no olhar
O sorriso
E por fim
Perde a vontade de viver
Não sabe mais quem é
O que está fazendo
Não consegui juntar todos os cacos
Do coração, da alma
E fica se ferindo
Se afogando na depressão, ansiedade, crises e mais crises
E por fim
Você sai como errada
Por amar alguém que na verdade nunca existiu
Que omitiu
Escondeu muito bem
Quem realmente é
E eu saiu como ?
Errada, louca, egoísta, preguiçosa, vitimista...
Que saudades eu sinto de mim.
Um amigo me disse uma vez que o sorriso era a chave para conquistar as pessoas. Passei anos pensando nisso e nunca funcionou comigo. Comecei pensando como era fácil pra alguns. Bem, funcionando ou não, eu tinha um amigo que desejava que funcionasse pra mim.
Um amigo me disse uma vez que a sinceridade poderia doer, mas sempre seria a melhor escolha a se fazer. Eu sou humano, passei anos errando e continuo a errar. Comecei pensando como ele fazia a verdade soar tão leve. Bem, mesmo não sendo mágico, eu tinha um amigo que se preocupava em me ensinar.
Um amigo me disse uma vez, que eu ainda não tinha crescido o suficiente para entender. Mas ele tem a mesma idade que eu. Comecei me olhando no espelho... No começo eu chorei. Mas então eu sorri. E logo eu fui sincero comigo mesmo. Então, eu cresci. Minha "sorte pessoal" é ver que não estou sozinho.
Esfera do Pensamento Abstrato
A orquestra regida por um maestro bêbado, 25 anos vivendo nostalgicamente no passado, e também, na esperança de viver no futuro. Ficamos glorificado o nosso passado, nossa época de criança e com sentimento de esperança de ter um futuro próspero, sem ao menos aproveitar nosso presente.Muito bom para mostrar que a profundidade nunca fugiu de nosso tempo, é que a profundidade está em cada indivíduo e quando o indivíduo acredita que não existe profundidade em seu tempo, naturalmente é o indivíduo que não é profundo e se emerge no raso de sua própria imagem margem, passiva.
Almirantes Rotineiros
No tempo em que festejavam
Os dias de meus anos
Eu era feliz e ninguém estava morto
Sou hoje um corpo frio
Sou mal amado pela escolha que fiz
Apenas por comodismo e conveniência
Sou tudo que me acostumei
Triste, melancólico, morto na besta vida que me propus ter
Vida sem amor,
Na bobeira que me agarrei por medo
O que eu sou hoje é tempo
Como eu te compreendo como pessoa
Como te amo sendo pessoa
Não, não morremos enquanto memória
Não fui eu que fiz anos, foste tu.
Fácil e bom para escutar
Lindo, difícil de entender
O saber tem seu lugar
Sabedoria é quase tudo
Talvez Etnólogo
Tenho me surpreendido comigo mesmo através do que venho escrevendo há alguns anos, e as vezes me pergunto, fui eu quem escreveu isso?
Pós Modernidade, tempos difíceis para os etnólogos que vivenciam e experienciam costumes de sociedade e povos diferentes, tentando sobreviver ao globalitarismo, cada qual, seguira o seu caminho imposto ou os mais afortunados escolhidos.
Como os monges, nós "etnólogos" mergulhamos nas sociedades e culturas, como um monge mergulha em busca da mais profunda paz na meditação, nos isolando, e ao mesmo tempo nos conectando com outras dimensões de verdades desconhecidas.
De varias palestras que participei e em sigilo comuniquei, dizem que sou intelectual, sem se recordarem de uma só frase e palavra dita, mas acham legal. Legal, simboliza, significa a lastimável condição de imobilismo e conformismo das massas imediatistas.
Pré-datado
“Anos atrás, quando eu mapeei mentalmente pela primeira vez o que significaria andar à frente, havia meia dúzia de arremessos em que eu pensava: Oh, isso é um movimento assustador e essa é uma sequência realmente assustadora, e aquela pequena laje e aquela travessia. Havia tantas pequenas seções onde eu pensava, mas nos anos seguintes, eu empurrei minha zona de conforto e a tornei cada vez maior até que esses objetivos que pareciam totalmente loucos acabariam caindo no reino do possível.”
Charles Darwin, Presente
Você é o resultado de 3,8 bilhões de anos de evolução, isto que se chama acordo.
O Impetuoso Eterno Retorno
Após anos tentando entender a generosidade de minha atitude, a interpretação do Übermensch é por demais generosa. Nunca consegui enxergar esta construção de Nietzsche, que na minha opinião, é apenas estética sem nenhum valor ético como um ser feliz, um ser satisfeito consigo próprio. Zaratustra gasta tanto tempo em críticas aos outros que, só resta uma sensação de estar lendo o texto de alguém frustrado com a existência. Um inimigo da vida real que propõe que a existência desejável é algo inatingível pelo homem.
Quando Nietzsche propõe o teste do retorno em Gaia Ciência, parece que propôs algo tão insólito como a contemplação suicida de alguns monges quando buscam para atingir o Nirvana através do jejum infinito. O eterno retorno, não é apenas impraticável, é indesejável.
Não sou especialmente sartreano, mas como eu poderia esperar ser livre num contexto de perfeição das ações. Penso que o erro e o arrependimento façam parte das nossas bençãos. São uma parte fundamental da mudança e a mudança é o desejável. O caminho tortuoso é verdadeiramente o Nirvana possível e desejável.
Atingir a meta, chegar ao fim do caminho é o inferno, ser o super-homem, viver de acordo com o eterno retorno é a morte. É o fim da aventura humana de erros, acertos, delícias e arrependimentos, amargores e doçuras. Não almejo o tempo para vivê-lo numa espécie de plenitude utópica. Sou um adorador do tempo em todas as suas dores e sobretudo na sua inconsistência tão fluida.
Como eu poderia respeitar o despautério de desejar uma vida perfeita, tão perfeita que, não mais se quisesse mudar uma nota em sua existência. O Super-homem está morto, pela própria definição do seu criador.
Sua arrogância
Foi pela idade substituída
No diagnóstico feito pela vida
Você em dois anos envelheceu dez
Pouco juízo
Falta de conselhos muitas vaidades
Dispensando tantas oportunidades
Hoje você vive sozinha e carente
Segunda chance
Depois dessa idade é um presente raro
O mundo não poupa, o tempo cobra caro
Não perdoa juros nem dá prazo a gente
Letra de Vicente Nery
Misticismo
Um minuto de conexão
Cem anos sem explicação
Silêncio contido, disperso
Paz no sentido reverso
O que contém a letra M?
O que há por trás dela?
Misticismo e tudo treme
Na contínua passarela
Opções em transposição
No infindável rumo
Quatro ou um milhão
Eu encontro ou sumo!
Por que existe alfabeto?
Só enxergo uma agora
Sob outros olhos, perto
Distante, indo embora
Semelhança que atrai
Diferença que apedreja
Esperança que se vai
Coração que esbraveja.
Tatuado com açoite
Passam os carros, passam os anos
Uma mesma vida com outros planos
Crescimento alheio às megalópoles
Impaciente com as conversas moles
Mesma rua da infância sem crianças
Não há brinquedos, novas andanças
Habitante do arquipélago da lacuna
Que nos jornais não renderia coluna
O pessimismo é fruto da observação
Fecham-se os olhos, cai outra noite
Continua sendo perdoável ter razão
Ainda que esteja tatuado com açoite
Supera e se recolhe à sua caverna
Existe tranquilidade mesmo sazonal
Não alimenta crença na vida eterna
Otimismo deveras querer ser imortal.
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