Pessoas Boas Dormem bem
Enquanto Você Sonha Comigo
Se a noite me rouba o sono
e me faz na cama virar,
talvez seja o teu pensamento
que veio de longe me buscar.
Talvez enquanto estou acordado,
tentando em vão adormecer,
você esteja em algum sonho
procurando por mim sem saber.
E se for verdade esse encanto,
não quero a noite terminar:
prefiro perder algumas horas de sono
só para, em teus sonhos, ficar.
Minhas imperfeições são muitas, eu sei. Mas o meu maior medo — aquele que me tira o sono — sempre foi o de ver você partir. Meu amor por você é a única coisa em mim que beira a perfeição.
Tenha o bom sono da tarde chuvosa e fria de domingo,
dispense bebidas , mas aceite um bom café,
mostre para você que você se ama com carinho
e vença a semana toda sempre de pé e com muita fé!
Nas sensações do tempo, vemos os experimentos do meio-dia.
Dentro de duas horas, o sono perdura numa retórica dominical. Na televisão, a programação fútil exibe a simplicidade e a ostentação: ricos se divertindo com pobres na ilusão da dopamina sintética, prêmios, desafios e futilidade humana em exibição barata. Sem margem para escolhas, passa o filme de trinta anos atrás, o jogo comprado e a propaganda eleitoral obrigatória. Na tela, a reportagem sobre a violência alterna com animais fofos — e, num piscar de olhos, já é hora da madrugada.
O churrasco de domingo, o almoço em reunião, o come-e-bebe: no fim, a marmita leve para a janta. Depois da bebedeira e do jogo, a euforia se dissipa e dá lugar à dor de cabeça. A farmácia 24 horas está aberta. Mais algumas cervejas. Volta para casa, vai para a cama.
O dia recomeça. Ônibus cheio, trânsito parado. "Está atrasado, vamos descontar." O contracheque cai na conta e, neste mês, não sobrou nada. Vamos fazer hora extra até a madrugada. A noite acabou: trabalho o dia todo, a noite toda.
Mas tem festa na sexta-feira.
Espelho
Mergulhei no sono eterno da alma,
Vi-me refletida no espelho moldurado
Em madeira entalhada ao molde europeu,
Pendurado na parede branca e fria
Analisei o espelho, e eu
De pé em sua frente procurei
Respostas para as perguntas
Que eu mesma formulei.
Meu rosto empalideceu.
Moldado pelo efêmero modelo
Que me fizeram usar,
Arranquei-o junto com toda tristeza e pranto
No chão espatifou-se a máscara fria.
Vi meu rosto em vários pedaços
Olhei-me no espelho novamente
Estava eu lá diante dele
Só a máscara caiu...
O vento, é o despertar para vida. Seu canto toca em nosso ombro como mãos, acordando-nos do sono profundo em que nos encontramos.
In Toscana, le colline non sono semplici curve della terra, dove il sole splende su antiche rovine, ma le onde di un tempo antico che ha imparato a rallentare per non dimenticare la bellezza.
Reno Fioraso
A doçura de sua boca é a única mirra que meu sono aceita, repousar em seus braços é a única maneira de apagar a aridez da ausência.
O passado é meu pesadelo, a obsessão que me rouba o sono. O cerne é que o incômodo não reside no que foi minha experiência, mas na amarga certeza de que isso me corrói por dentro. Afinal, mesmo que o tempo nos concedesse a volta, nesse labirinto irrecuperável, eu jamais teria o poder de alterar o que se consumou.
Tenho um bolso cheio de noites que não cabem no sono. Cada uma delas traz a voz de um passado que insiste em ensinar. Guardo perguntas que não ouso responder em voz alta. O corpo se cansa mas o pensamento não dorme. Há uma leve certeza de que seremos menos estranhos à vida quando aprendermos a perdoar o silêncio.
Existe uma exaustão que o sono não cura, ela reside onde os remédios não alcançam e onde só a ponta da caneta consegue tocar.
Há um cansaço que não se cura com o sono, uma espécie de ferrugem silenciosa que começou nos meus ossos e agora dita o ritmo lento do meu sangue.
Viro os bolsos da alma e só encontro os restos de quem eu prometi ser, enquanto o silêncio da casa se torna um inquilino que não paga aluguel e ocupa todos os cômodos.
Escrevo para não ter que gritar contra as paredes, mas as palavras saem como estilhaços de um vidro que eu mesmo quebrei, cortando a garganta antes de ganharem o ar.
O tempo aqui dentro não corre, ele sangra, transformando cada lembrança num peso morto que eu insisto em carregar como se fosse um troféu ou uma condenação.
No fim, sobra apenas esse corpo que é um mapa de lugares onde ninguém mais quer morar, e a triste certeza de que a solidão é a única coisa que nunca me deixou pela metade.
O sono, para mim, é apenas um campo de batalha onde os monstros do dia trocam de roupa para continuar o cerco sob o véu da noite.
Há um tipo de cansaço que o sono não resolve, pois ele está impregnado na estrutura molecular da nossa vontade de ser alguém. É uma fadiga existencial, uma vontade de ser apenas uma pedra no fundo de um rio, deixando a correnteza levar os problemas embora.
O cansaço que verdadeiramente nos destrói não é aquele que se cura com poucas horas de sono ao fim do dia. É uma exaustão da alma, um esgotamento lento que nasce da tentativa inútil de consertar o que já nasceu quebrado. Às vezes, parar de tentar salvar o desastre é a única forma de salvar aquilo que restou de nós.
- Tiago Scheimann
