Nas sensações do tempo, vemos os... Celso roberto nadilo

Nas sensações do tempo, vemos os experimentos do meio-dia.
​Dentro de duas horas, o sono perdura numa retórica dominical. Na televisão, a programação fútil exibe a simplicidade e a ostentação: ricos se divertindo com pobres na ilusão da dopamina sintética, prêmios, desafios e futilidade humana em exibição barata. Sem margem para escolhas, passa o filme de trinta anos atrás, o jogo comprado e a propaganda eleitoral obrigatória. Na tela, a reportagem sobre a violência alterna com animais fofos — e, num piscar de olhos, já é hora da madrugada.
​O churrasco de domingo, o almoço em reunião, o come-e-bebe: no fim, a marmita leve para a janta. Depois da bebedeira e do jogo, a euforia se dissipa e dá lugar à dor de cabeça. A farmácia 24 horas está aberta. Mais algumas cervejas. Volta para casa, vai para a cama.
​O dia recomeça. Ônibus cheio, trânsito parado. "Está atrasado, vamos descontar." O contracheque cai na conta e, neste mês, não sobrou nada. Vamos fazer hora extra até a madrugada. A noite acabou: trabalho o dia todo, a noite toda.
​Mas tem festa na sexta-feira.