Permanecer em Silencio
PROCISSÃO
Quando eu não tiver nada ainda terei as palavras
Terei o silencio e a virtude de saber não possuir
E as minhas palavras dar-se-ão as mãos
Numa ciranda a cantar poemas a edificar a solidão
E a minha solidão povoa,
Pavão, pavoa, encantos, penas e cantos
Leitos, lagoas, embarcação, canoas
Uma procissão, uma novena,
Meu verso vai de Tóquio a Cartagena
Porque minhalma não é pequena,
Minha estrofe é forte e minha verdade serena
E o meu silencio não dói; não dói quando passa a tarde
Quando passa o rio, quando passa o vento,
O meu silencio só dói quando passa o sentimento
Eu sei que há um lugar onde você pode ouvir ruídos de folhas suave
e o silêncio do mar
eu sei que há um lugar onde a bondade será costumeira e mútua
Encontrar a fé verdadeira que encha nossos corações e que conforte- nos
E enquanto nossos corações estiver unidos ,nosso mundo sempre estará sorrindo.
E quando a madrugada está fria? Quando o mundo está em silêncio? Enquanto as pessoas descansam e você se perde na sua mente, existe calma?
O mundo inventado é tão difícil...
Talvez as madrugadas sejam a única parte real de viver. Eu estou viva? Por isso perco o sono?
O que te acalma?
0:00 (meia noite).
Não consigo dormir, acho que perdi a noção do que é real e do que eu inventei.
O que me acalma?...
Não vou dormir, não quero morrer!
Maryhn, se acalma.
Aqueles que se amam não podem adentrar no obscuro e triste Império do Silêncio. Aqueles que se amam o coração flui com a luz, advindo ternura, carinho e não se esquecem, em qualquer tempo e constelação.
Por sentimento, muitas vezes, nos recusamos a ouvir o silêncio do outro. Silêncio ensurdecedor, mas que fazemos dos ouvidos de mercador, até que o tempo implacável traduza e escreva na pedra a palavra.......
SE os olhos já não dizem o que a boca revela... o tempo há de mostrar o sentido do silêncio que se instaura!!!
POEMA BOCEJADO
Essa névoa que a tudo faz grisalho
e revolve num véu a luz do sol,
põe silêncio e preguiça nos meus olhos;
rege os passos num ritmo contido...
Na manhã deste julho quase agosto,
molho a minha poesia no cenário
como se molha o pão no capuccino;
bem mais por hábito que por sabor...
Por falar de sabor, bebo lembranças,
nostalgias, imagens requentadas,
tomo chá com torradas de saudades...
Neste quadro em que a vida quase para
na moldura do momento infinito,
poetar é meu rito; meu despacho...
...
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Meu silêncio de pedra
faz que não mas te ordena;
te revolve;
te preda.
Minha cara de bobo
tem os olhos da águia;
da coruja;
do lobo.
PRAGA DE NATAL
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Um forte açoite
corta o silêncio mortal
e sangra os nervos da fé...
À meia noite
o espírito de Natal
vai te puxar pelo pé...
VOZ VISUAL
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Para quem sabe a hora
de dizer sem falar,
silêncio é voz ocular...
PRETO NO BRANCO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Sei ouvir o silêncio de quem faz que diz,
mas entoa palavras de puro festim,
cria imagens, decora, dá brilho e verniz
ou enrola discursos no melhor cetim...
Também ouço quem cala feito flor-de-lis
que se planta num vaso, longe do jardim;
meu olhar investiga, vai lá na raiz
e desnuda o mistério do começo ao fim...
Sendo assim nem se anime a me julgar um tolo;
já conheço essa massa, não como seu bolo,
minha fome de amor sabe o rumo do gueto...
Faça menos rodeios; não seja sutil;
anasale seu não, seja clara no til,
se meu branco está pronto a receber seu preto...
BRINQUEDO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Ela zomba em silêncio; respeitosamente;
faz de mim um menino esperançoso e vago;
minha mente sucumbe ao coração entregue,
desarmado e sem forças para ter noção...
Sou alheio à verdade, pra viver melhor;
se não tenho presença posso ter saudade,
pois me faço de bobo como já sou feito
por seu jeito inconstante de me conduzir...
Poupo suas promessas num banco de sonho
e me ponho bem fundo na fila dos dias,
iludido e feliz por gostar da mentira...
Eis o grande segredo que abrigo e me apraz;
ela faz esse jogo de brincar comigo,
mas não sabe que brinco de ser seu brinquedo....
FEZ-ME SEU
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Soube vir no silêncio que nem deu sinal;
que se fez por completo e desarmou meus medos;
desvendou meus segredos desde a não chegada,
fez a cama em meu peito que virou seu quarto...
Pouco a pouco se achou na minha perdição,
nas crateras do chão de minha lua oculta,
fui cedendo aos seus raios, virei noite clara,
sua rua, seu mundo, sua moradia...
Só depois ela veio, propriamente vindo;
já me achou preparado para não fugir;
desmedindo limites; desfazendo a cerca...
Fez-me seu como a vista pertence à visão,
a nação a si mesma num planeta justo;
como tudo é do todo e todos são de alguém...
