Pensamentos de Franz Kafka
Não deixe que o mal o faça acreditar que você poderia guardar segredos diante dele.
Não evito as pessoas para poder viver em paz, e sim para poder morrer em paz.
Um momento de reflexão: Dê-se por satisfeito, aprenda (aos quarenta anos, aprenda) a ter paz no momento (sim, no passado você conseguia). Sim, no momento, no momento terrível. Ele não é terrível, é apenas o medo do futuro que o faz assim.
Como pode um coração, um coração não muito saudável, suportar tanta insatisfação, tamanha ânsia a dilacerá-lo sem cessar?
Nota: Escrito em 13 de setembro de 1915.
...MaisA desproporção do mundo parece ser, de maneira consoladora, apenas numérica.
Quem renuncia ao mundo tem de amar a todos os seres humanos, pois também renuncia ao mundo deles. A partir daí começa a pressentir a verdadeira essência humana, que não é outra coisa senão poder ser amado, pressupondo-se que esteja à altura disso.
A verdade é indivisível, portanto não pode ter conhecimento de si mesma; quem quer que diga conhecê-la está se referindo a uma mentira.
Nossa arte consiste em sermos ofuscados pela verdade: a luz sobre o rosto horrível que vai recuando é verdadeira, de resto nada.
É ridículo como você coloca arreios em si mesmo para este mundo.
Quando Gregor Samsa despertou, certa manhã, de um sonho agitado viu que se transformara, durante o sono, numa espécie monstruosa de insecto.
Nada mais envelhece do que um circuito mental que se baseia em atitudes como:
Suspeitar de que os outros pensam mal de nós, querem nos enganar ou não nos valorizam como merecemos.
Fazer previsões negativas de fatos que ainda não ocorreram.
Ter expectativas exageradas a respeito do que o mundo e as pessoas que o habitam têm a nos oferecer.
A verdade é aquilo que todo o homem precisa para viver e que ele não pode obter nem adquirir de ninguém. Todo o homem deve extraí-la sempre nova do seu próprio íntimo, caso contrário ele arruína-se. Viver sem verdade é impossível. A verdade é talvez a própria vida.
(Conversas com Kafka)
A vida é tão imensamente vasta e profunda quanto este abismo estrelado acima de nós. Só se pode atirar um olhar a ele através desta minúscula abertura que é a nossa existência pessoal. E, por esta abertura, sentimos mais do que vemos. Por isso temos de nos certificar de que esta abertura está sempre limpa.
"Não posso levar o mundo nos ombros se mal suporto o peso do meu casaco de inverno."
(Esta frase pertence a uma carta que Kafka escreveu a Milena no fim da vida, expressando o desejo de recuperar seu passado judeu. Ele justificava assim sua incapacidade de levar a cabo um projeto que nunca concluiu.)
