Pena eu Nao fazer parte do seu Mundo
Asas
Morre plantado quem veio gente,
mas se esqueceu de dar um passo à frente
(talvez devesse ter nascido árvore).
Atravesse suas divisas e se confronte
diariamente
e lembre-se que só é humano realmente
quem é capaz de sonhar
e só é feliz verdadeiramente
quem está pronto para mudar.
E é preciso seguir adiante, sempre.
Para tocar o céu com a mão
basta ter asas no coração!
O Andarilho
Enquanto um carro passa apressado
e lhe banha o corpo com uma rajada de vento,
ele atravessa uma ponte sobre um pequeno riacho
e para por um instante,
olhando a paisagem.
Ele segue seu caminho!
Passa por pequenas propriedades rurais
e avista um trator arando a terra no alto de uma serra:
_ Do que será aquela plantação?
Ele caminha...
Outro carro passa como uma flecha buscando um alvo
com o som no volume mais alto,
enquanto ele silencia para ouvir o solo de um canarinho
laranja como o entardecer:
_ Bom dia, Senhor Laranja!
Ele caminha...
Uma brisa lhe refresca e lhe dá fôlego,
mesmo com o sol ardendo e fazendo o asfalto suar.
Está muito quente,
mas mesmo assim ele caminha.
Ele sente a dor de seus pés dentro da velha bota rasgada,
mas mesmo assim ele caminha.
Ele caminha...
Ele caminha...
Crianças jogam futebol num pequeno campo de terra
com traves de bambu amarradas com corda,
ele para e observa.
E depois de alguns minutos, ele segue sua jornada,
ouvindo, ao longe, o grito de gol e a farra dos meninos.
Ele continua caminhando...
Na curva da estrada ele passa por uma casa branca
de janelas azuis abertas
e um velho cão vira-lata começa a latir,
correndo em sua direção.
Ele aperta o passo:
_ Sai! Vai deitar, Campeão!
O cão é distraído por duas motos que passam devagar
e ele já foi.
O cão o procura com olhos inquietos.
Outro carro passa
e duas crianças se viram no banco de trás:
_ Pai, para onde vai aquele maluco? De onde ele vem?
Ele caminha...
Ele passa por um pequeno vale
e para em frente uma cruz de madeira na beira da estrada.
Faz o sinal da cruz e uma prece:
_ Descanse em paz, meu filho. Logo estarei com você, mas não agora. Ainda não.
Ele segue seu caminho carregando algumas lágrimas no rosto sujo.
Ele caminha...
Livremente, ele caminha.
De lugar nenhum ele veio
e para lugar nenhum ele vai.
Ele somente caminha.
Livremente, ele caminha.
Coisas Urgentes
Hoje, novamente, terei que resolver coisas urgentes.
Aliás, ao que parece, é só o que tenho feito ultimamente:
resolvido coisas urgentes.
E, na pressa, tudo mais ficou indiferente.
Ontem, hoje e amanhã...
dias tomados de desespero,
mal abro os olhos de manhã
e já espero meu enterro.
Na minha agenda, com tanta coisa importante,
esqueci de anotar sobre felicidade e amizade.
E, na vida, nada é mais urgente!
Sobra tempo pra nada e tudo é saudade.
Ficam na boca e no coração um amargor:
eu nem me lembro o que é amor.
Porém, o que eu posso fazer?
Tenho coisas urgentes pra resolver.
Arrogância
Achava-se maior, mais bonito e inteligente,
mas era só inconveniente.
Relinchava como um asno
e a todos deixava pasmo.
Dava coices a toda distância,
com estupidez em abundância.
Em seu nome definiu-se a arrogância:
um triste reflexo da ignorância.
A Morte
Estive em um funeral ontem e ouvi repetidas vezes sobre a tristeza da morte, mas como podemos ver a morte com tamanho sofrimento? Tudo tem que ter um fim e esse é o combustível que mantém a engrenagem do mundo ativa. É isso que nos faz acordar e batalhar a vida. Ganhamos um grande presente e nada nos foi exigido. Cada um está livre para fazer o que achar melhor e se transformar no que quiser ser. Somos livres. A morte é somente um “até logo” e logo vamos nos reencontrar na próxima festa. A morte é o momento em que as cortinas se fecham e o público fica ali paralisado, pensando sobre a incrível experiência que foi presenciada. É a angústia que se sente antes de se constatar o milagre. Não se deveria sentir dor ao se brindar uma grande existência, uma vida de glória e a glória da vida. Só há dor e decepção nas histórias insignificantes, daqueles que nada fizeram; que não se apaixonaram; que não correram perigo; que não se doaram; que não erraram e tentaram novamente; que não se machucaram e arriscaram outra vez; que acalentaram uma mágoa como um filho bastardo em vez de abraçar o perdão. Ora, o que você espera de uma criança quando lhe dá um brinquedo? Apenas que ela se divirta e seja feliz. É isso, simplesmente!
Insônia
O negror é frio e pesado
como um cobertor molhado.
O silêncio está mais calado,
como um retrato apagado.
E eu aqui acordado...
Não passa carro,
não canta um pássaro.
Os minutos adormeceram
e as horas se esqueceram
que estou aqui acordado.
Uma solidão tenebrosa.
Uma paz nervosa.
Alguém falou nada,
nem uma alma acordada:
ninguém me ouve?!
O que houve?
Quero embarcar na viagem,
mas não há mais passagem.
Há paredes, teto e ansiedade,
mais o terror da saudade,
um travesseiro apenas,
eu e meus poemas.
A Poesia
A poesia caminha pelas ruas
em noites silenciosas:
insone!
Bebe da lua e circula as luzes,
brincando com as mariposas
que não têm nome.
Se senta na calçada e observa
- como um bêbado –
a embriaguês do mundo.
Como a dor e o amor,
a poesia está em tudo.
Basta sentir e olhar para o lado,
basta estar apaixonado.
O Poeta
Caminho pelas ruas
em noites silenciosas:
insone!
Bebo da lua e circulo as luzes
para brincar com as mariposas
que não têm nome.
Me sento na calçada e observo
- um bêbado –
a embriaguês do mundo.
Com toda a dor e amor,
vejo poesia em tudo.
Abro o peito e me reviro,
batizo cada estrela sem cair do telhado:
estou sempre apaixonado.
Aleppo
Havia uma cidade
E uma população
Padarias, doces e cores
Flores e odores
Famílias vendo televisão
Havia felicidade
Havia uma cidade
Havia um país
Casas, crianças e cães
Mas o ódio fincou raiz
Choram todas as mães
Pelo que restou da humanidade
Já não há cidade
Nem casas nem nada
Fez-se a destruição e o caos
Levando vidas pela metade
Já não há amor nem nada
Só ganância sem piedade
É preciso
É preciso aparar os galhos para fortalecer a raiz
É preciso simplicidade para ser feliz
Só não cabe ficar calado
E, por medo, morrer parado
A Despedida
seus olhos cortavam como uma espada
da sua boca nascia uma tormenta
me aquietei
como um velho na escuridão
era um barulho incompreensível
um zumbido de elefante
uma voz aturdida
talvez demente
a despedida
dor latente
ainda ouço cada gota
que pingou de sua boca
a descarga do vizinho
era noite
madrugada
em sua vida
sou mais nada
Ele é..
E o que ele é? Ele é um sorriso torto, que completa perfeitamente o meu. Ele é um olhar encabulado, que eu conheço ao pé da letra. Ele é um carinho desajeitado, um beijo doce e um cheiro forte que penetra em mim. Ele é o meu abraço mais apertado, meu choro mais gritante e a minha felicidade mais bonita. Ele é a água que deságua em mim, o meu chamego que me faz dormir e a voz que me faz dançar. Ele é um sermão seguido de um afago, o príncipe descrito no meu diário. Ele é o meu amigo mais íntimo, meu admirador mais secreto e o amor mais vivo em mim. Ele é as musicas melosas, as baladas sem sentido, os sábados chuvosos. Ele é o motivo, motivo de tudo que permanece e funciona em mim. Ele é o sentimento mais puro, e a minha vontade mais sincera. Ele é o meu eu, e só meu. E o que eu vejo nele? Eu vejo nele o significado do que é o amor.
E quando a felicidade de um amor bate à porta, a vida rejuvenesce. As cores formam-se arco-íris, a natureza fica mais bela, a música engloba mais sentido. Os momentos ficam mais breves e a saudade cada vez mais abrangente.
Fim de semestre
A menos de duas semanas do termino das aulas, os dia parecem ter ficado pequenos para o número de trabalhos a serem feitos. Todos os dias, lá vou eu para frente do computador escrever, escrever, escrever. O fim de semestre é mesmo complicado! Ânimos exaltados, professores e alunos em polvorosa, expectativas altas (ou baixas), uma verdadeira loucura, para dizer o mínimo. De repente, um semestre inteiro resume-se a duas semanas. As duas mais difíceis e intensas de todo ele.
Não quero ser exagerada, mas poderia dizer que a sensação de um aluno nessa época do ano, é diretamente proporcional a vida de um zumbi. Não dormimos direito, não nos alimentamos muito bem e nem pensamos em passear. Nessas horas, os trabalhos e exames são mais importantes que a nossa própria vida. Claro, as férias estão aí e o que nós mais queremos é nos livrar logo e, enfim, descansar.
O fim de semestre é desgastante. Para mim, o exame principal ao qual nos submetemos durante todo o ano letivo. Nenhuma prova é tão perigosa quanto ele, nem um trabalho tão extenso quanto essas duas últimas semanas.
Não posso dizer que gosto dessa rotina frenética, tampouco que me divirto. Pelo menos não é monótono. É como dizem: depois da tempestade sempre vem a bonança.
DIA A DIA
Queria ter uma orquestra de sapos, cigarras e grilos.
Queria um céu de vagalumes, borboletas, canarinhos.
Queria criar tigres, sereias e golfinhos.
Queria tanto, queria encanto.
Mas venha cá, não se assuste, seja amigo.
Vou contar-lhe um segredo, não espalhe, guarde consigo:
– Eu tenho isso e tenho mais, menos paz.
Converso com anjos e sinto demônios, dia a dia.
Vejo mundos, ouço cânticos, por mania.
Eu tenho um buraco embaixo da cama
que dá na rua, dá na lua, em Berlim.
E não adianta correr, esconder-me, está em mim.
Eu digo sim, abro o peito, abro a porta,
pra uma vida curta, pra uma vista torta.
NOITE DE ESTRELAS
Joguei fora o paraquedas e pulei,
voei como um míssil por entre as nuvens
espalhando no céu canções de paz
e lembranças de dias passados.
Tudo o que se tem é o agora
e cada momento será como uma ressurreição.
Darei à luz um campo de girassóis
e semearei palmeiras na lua,
para que não falte beleza e esperança.
Minha casa será uma noite de estrelas,
onde as crianças crescerão descalças
e cavalgarão unicórnios.
Com um grito lançado ao vento
rebatizarei o homem de errante,
pois suas perguntas só terão respostas
na ausência do medo de tentar
e na consciência de que só se pode ser sincero.
A única fome será de amor.
A única sede será de vida.
Não existirão horas e minutos, nem relógios,
o tempo se medirá em sorrisos e abraços
e em banhos de cachoeira,
sendo proibido não ter tempo.
Cada coração será uma janela aberta,
de onde se verá uma complacência fraterna
do homem para com tudo
que o cerca, que é vivo e sente,
que acaba e deixa saudade.
Nesse mundo de mãos dadas
num arco-íris esconderei minha derrota,
para que esse desejo egoísta de ficar
se mostre belo nos dias de garoa.
POEMA DAS PALAVRAS AUSENTES
Hoje, embebedado de sentidos, resolvi escrever sobre você.
Quis narrar como sua beleza agressiva furta toda a atenção
e como seu olhar está sempre a pedir um afago
e breguices de amor, que adoro dizer ao seu ouvido.
Decidi descrever como seu desajeito é todo complexo,
querendo ser companhia para o meu descompasso.
Quis divulgar como suas curvas delicadas revelam desejos meus
e se exibem de maneira solar à meia-luz.
Cambaleei entre palavras relembrando
como seu sorriso me traz um futuro bom
e como tenho em mim uma tempestade de você.
Recordei cada instante, todo o tempo,
calando meus versos, por breve momento.
Percebi que para você nenhum verso é decente
e que palavras não seriam suficientes.
Para falar de você
minha poesia deveria ter o cheiro da primavera
e a tenuidade de uma manhã de inverno;
teria de ser bela como um pôr-do-sol sobre o mar
e quente como um abraço de saudade.
Pediria a transparência da água de uma nascente
e a pureza de lugares desconhecidos.
Para falar de você
minha poesia deveria ter o gosto ingênuo das nuvens.
Não bastaria uma canção,
seria necessário compor uma sinfonia.
Eu teria de divulgar segredos
– sagrados segredos –
que te fizeram assim: tanto!
Para falar de você
eu teria de desvendar o encanto
que nos cerca e que nos uniu:
teria de justificar o incompreensível.
Por isso, para você eu escrevo sem palavras
e te dedico um silêncio profundo,
porque só o silêncio pode falar
quando as palavras não podem descrever.
E O QUE MAIS PODERIA SER?
O que mais poderia durar para sempre
senão o minuto que acabara de passar,
deixando teu fantasma cravado nos meus olhos
como a cicatriz de uma faca que aleija uma rosa?
O que mais poderia ser eterno
senão aquele beijo inesquecível,
que durou o tempo de uma vida libertada
ou uma caminhada pelo quintal das estrelas?
Onde mais poderia estar o paraíso
senão guardado nos teus sorrisos e nos teus gemidos,
que ecoam como o bater das asas de uma borboleta
nas minhas noites de luas repentinas?
Onde mais poderia encontrar o perdão
senão escondido no nosso pecado de amar,
que navega sem velas e ao acaso do vento,
guiado pela própria inconsistência da maré?
Em qual sermão poderia vislumbrar a redenção
senão nos segredos que me sussurra a luz do dia,
bendizendo teu singular passar pela praça
e a sorte que tem quem pode te tocar o coração?
- Relacionados
- Textos de amizade para honrar quem está sempre do seu lado
- Frases de quem sou eu para status que definem a sua versão
- Poemas que falam quem eu sou
- Poemas românticos para declarar todo o seu amor
- Mensagens de amizade para valorizar e celebrar quem sempre está ao seu lado
- Poemas Quem Sou Eu
- Frases de alegria para inspirar e tornar o seu dia mais feliz
