Pena eu Nao fazer parte do seu Mundo
Silêncio
Quero o silêncio
onde se cria o impossível
quero o silêncio
onde se esconde o medo.
Quero o silêncio,
onde tudo é calma
onde tudo é alma,
e sem Deus e sem culpa.
Quero o silêncio
onde o vinho é doce
e o sangue esfria
e o trabalho é livre
sem suor nem lágrimas.
Quero silêncio
pois estou cansado
de ouvir mentiras
de um oráculo errado.
Quero o silêncio
do desassossego
do amor perdido
do perdão negado.
O tolo do Nietzsche diz que as máximas,
que ele usou exaustivamente,
são uma forma decadente de ensinar.
Segundo ele, toda máxima deve ser invertida,
para se achar o sentido, se é que
há algum sentido nos provérbios.
Concordo com ele:
"O Medo é o pai da moralidade."
Esta deve ser lida assim:
"O Medo não é o pai de moralidade,
a moral é uma invenção do medo."
Evan do Carmo
Todo os castelos construídos nos sonhos são frágeis.
Sempre desmoronam com um toque de realidade,
como castelos de areia em frente ao mar,
não raro construídos por crianças distraídas.
Sobre as futilidades dos homens.
Arthur Schopenhauer conta,
que sempre que sentava num bar,
ele pegava um moeda de 20 francos
e colocava sobre mesa.
E dizia pra si:" Se a conversa destes homens
que sentam ao meu lado não girar em torno de cavalos,
mulheres e política, então eu darei esta moeda para o garçom.
Fez isso por 20 anos, e nunca ficou sem sua moeda.
O livro é um produto
definitivamente impoluto
subjetivamente curto,
ideias soltas
de um ser inculto.
O livro é um produto
discretamente impoluto,
subjetivamente curto,
ideias soltas
de um ser inculto.
Semente jogadas
em terra infértil
que se não germina
a culpa é do solo
e não do semeador
como iscas atiradas ao mar
quem recolhe a linha
nunca sabe o que figou
em seu anzol
neste mar de gente
quem escreve
é como um pescador
A língua é espada longa
a língua é quente de mais
a língua afunda navios
e arrebenta com o cais
A língua é fogo perene
que não se paga jamais
á língua cura feridas
e reanima os mortais.
A íngua quando é discreta
encontra pérolas e corais
desperta a alma do homem
se torna abrigo seguro
constrói ponte e não faz muro
entre humano e animais.
Evan do Carmo
Tudo que o poeta come
é poesia
seja pão, macarrão
qual grão, melancia 🍉
Tudo que o poeta faz
é poesia
Seja arpão pra pescar
violão pra tocar
ou cordão que se fia.
Tudo que o poeta pensa
é poesia.
Quem diria
que um dia
eu vivesse
esta magia.
Tudo que o poeta fala
é poesia
Qualquer hora
Seja noite
Seja dia.
Tudo que o poeta quer é fantasia
Faz do sonho seu quinhão
Seu bordão de euforia.
A casa do poeta é a poesia
onde mora a liberdade
longe das amarras
da senzala
ele canta e nunca cala
sua ode à alegria
Tudo que o poeta come
é poesia
seja pão, macarrão
qualquer grão, melancia 🍉
Tudo que o poeta faz
é poesia
Seja arpão pra pescar
violão pra tocar
ou cordão que se fia...
Tudo que o poeta faz
é poesia
Tudo que o poeta quer é fantasia
Faz do sonho seu quinhão
Seu bordão de euforia.
A casa em que o poeta mora é a poesia.
Conquistou liberdade
Sem pedir alforria
DISCUSSÃO
O que mais se vê agora
é uma eterna discussão
pra saber quem é melhor
neste caos sem proporção.
Um diz em tenho lábia,
outro diz sou enrolão
já fiz isso ou aquilo
para o bem desta nação.
O povo que pouco sabe
do direito cidadão
acaba comprando fácil
o jogo de sedução.
Mas ainda temos sorte
de entender a confusão
o jornal livre da globo
para instruir o povo
"Brasil em Constituição"
"O medo acelera o fracasso. "
O medo nos impede de lutar
fracassado é quem tenta
e não consegue
ou quem desiste de tentar?
Os tribais, em qualquer tempo têm necessidade premente de ouvir tambores e ditirrambos. Os refinados pelo tempo, pela música da experiência, preferem sinfonias de pardais e sonatas de Mozart e Beethoven.
Se Olhas Assim Desse Jeito
Em Me Sinto Um Dom Juan
Quase Perfeito...
O Teu Olhar De Onça Faminta
Impede Que Eu Minta.
Que Eu Negue O Que Sinto
Que Sou Um Leão Que Ruge Faminto
Morrendo de fome
Si o Teu Olhar De Mar Revolto
Me Consome.
OLHAR DE RESSACA
Você nem disfarça
que gosta de mim
deixa-me sem graça
quando olha-me assim.
Nem me pede desculpas
quando esbarra comigo
não sei mais ao certo
se sou seu amigo.
Não posso pensar
já não tenho noção
de até onde é que vai
essa doce ilusão.
Seu olhar de ressaca
é um copo espumante
me atrai ao um abismo,
com suspiro de amante.
O teu olhar de onça faminta
impede que eu minta
que eu negue o que sinto
que sou um leão
que ruge faminto
morrendo de fome
quando o teu olhar
de mar arrebata-me
me consome.
Minha vida é um elo frágil
Que liga princípio meio e fim
De onde venho, para onde vou?
Resposta que não encontro em mim.
LATINO AMERICANO
Sou latino-americano,
filho de paraibano...
Fui criado no Nordeste,
mas logo corri da peste...
Da peste de passa fome...
Fui embora muito cedo...
Com coragem e pouco medo
fui morar com tio baiano...
Na Bahia percebi, duramente descobri
qual seria o meu destino...
Não seria como os outros
Filho errante, natimorto...
Eu queria ser urbano.
Num impulso fui ao alto
de carona pro Planalto
pra seguir a minha sina
no Distrito Federal.
Em Brasília fui pra noite
pra cantar sob os açoites
dos donos da Capital...
Mas foi boa a experiência
descobri logo a ciência
não queria ser cantor!
E o tempo foi passando
E a plateia foi cansando
Não queria mais me ouvir...
Entre copos de cerveja
mesas de melancolia
eu colhi o suprassumo
de onde faço a poesia...
Entre tanto vaivém
Sem notar eu encontrei
A morena de olhos negros
Meu maior e eterno bem!
FORA A METAFÍSICA
Nenhuma ideia metafísica
coaduna com a razão,
se o homem é filho de Deus
por que tal contradição?
Eu queria ser humilde
Ter a mente de Platão
Para crer noutra tolice
que se chama encarnação.
Morre o homem, fica a sombra
como chama imperecível
onde continua vivo
num espaço invisível.
Só que ninguém pode lhe ver
já não fala e nada pensa
nem por obra de outra crença
poderá nos socorrer.
Que ideia metafísica
coaduna com a razão,
se o homem é filho de Deus
por que tal contradição?
Deus não morre, nunca sofre
lá do alto, da amplidão
contempla o homem errante
em busca de salvação.
Uns ainda querem o céu
brilhante de ilusão
fazem guerras pra provar
se apegam à discussão,
Persistindo indefinido
um combate sem noção
para onde vai o homem
depois que voltar ao chão.?
Nenhuma ideia metafísica
coaduna com a razão,
se o homem é filho de Deus
por que tal contradição?
Talvez Pessoa está certo
quando rejeita esta crença
já sabemos como ele
que este mito é uma ofensa.
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