Pena eu Nao fazer parte do seu Mundo

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​O silêncio mais pesado não é a falta de palavras, mas sim o de um coração que se cansou de pedir ajuda e decidiu endurecer.

​Olhar para o espelho e não reconhecer quem nos tornámos é o preço mais cruel que pagamos pelas feridas que o mundo nos causou.

A saúde mental começa no exato momento em que você decide que não vai mais trair a sua essência para saciar a sede de uma sociedade que te substitui em minutos, mas ignora o peso dos seus lutos. O corpo é um templo que não deve ser tratado como depósito de lixo emocional, honrar o próprio cansaço e os limites da carne é o primeiro passo para quem deseja, enfim, habitar a própria paz sem sentir culpa por precisar de silêncio.


- Tiago Scheimann

Existe uma solidão que não nasce da ausência de gente. Ela cresce no intervalo entre o que sinto e aquilo que consigo transformar em palavras. É como viver preso a um idioma que ninguém ao redor entende. E, nesse desencontro, vou me traduzindo em silêncio para não desaparecer.

Há um cansaço que não mora no corpo, mas na alma. É o peso de existir sem interrupção, de sentir demais em um mundo que exige dureza, e ainda assim continuar respirando como quem tenta bastar.

As recordações não me atingem de maneira abrupta, elas possuem a crueldade das coisas lentas. Infiltram-se em silêncio, ocupam espaços esquecidos da consciência e começam a consumir a alma de forma gradual, quase imperceptível. São como brasas ocultas sob cinzas aparentemente frias: durante muito tempo parecem adormecidas, até que, de repente, voltam a arder com uma intensidade devastadora. E talvez seja justamente essa lentidão que torne tudo mais doloroso, porque não há explosão capaz de encerrar o sofrimento, apenas um incêndio contínuo e silencioso que corrói por dentro sem jamais se extinguir completamente.


- Tiago Scheimann

Resistir, muitas vezes, não tem nada de heroico. É apenas permanecer no dia mais difícil. É levantar sem acreditar. É seguir mesmo sem sentido. É existir apesar de tudo aquilo que tenta apagar o que ainda resta.

Aprendi que algumas feridas não cicatrizam por completo. Elas apenas aprendem a coexistir com a minha presença. São hóspedes antigos de uma casa cansada. E eu sigo arrumando os escombros para que ainda seja possível chamar isso de vida.

Não é falta de força. É excesso de peso carregado em silêncio. São histórias que ninguém viu, guerras que ninguém nomeou, e ainda assim me cobram como se nada tivesse acontecido.

Não sou inteiro. Sou feito de remendos, restos, reconstruções e adaptações. Mas talvez seja justamente essa imperfeição que me sustente. Quem já se quebrou aprende a voltar de outro modo. E seguir, às vezes, é isso: refazer-se com o que sobrou.

Existe uma exaustão que não se explica. Ela não vem de um esforço recente, mas de uma vida inteira tentando ser suficiente. É o peso de existir em um lugar que nunca soube acolher quem eu sou. E ainda assim, eu permaneço.

Às vezes, o que me sustenta não é esperança. É o hábito de continuar. É o corpo seguindo mesmo quando a alma hesita. É a persistência automática de quem caiu tantas vezes que aprendeu a levantar antes mesmo de acreditar.

Não temo mais a dor como antes. O que me assusta é o vazio que ela deixa. Esse lugar sem cor, sem eco, sem direção. Um espaço onde até a saudade parece distante. Como se eu tivesse me desligado de mim mesmo por um instante.

Ser forte nunca foi uma escolha. Foi a única alternativa que restou. Quando desmoronar não era permitido, fui obrigado a continuar. E seguir, sem forças, tornou-se a minha forma de existir.

O tempo não cura tudo. Ele apenas nos ensina a conviver com o que sobrou. Aprendemos a reorganizar os cacos, a dar novos nomes às antigas dores, e a continuar, ainda que incompletos.

Há uma coragem silenciosa em continuar.
Principalmente quando ninguém está olhando. Quando não há reconhecimento, nem testemunhas, nem aplausos. Nessas horas, a luta se torna íntima, e ainda assim imensa.

Reconstruí-me tantas vezes que já não reconheço minha forma original. Talvez isso não importe mais. O que ficou ainda respira, ainda insiste, ainda luta. E talvez isso seja o bastante para continuar.

A consciência é um tribunal silencioso. Ela não grita, mas pesa. Não aplaude vaidades, e não negocia com a mentira.

A verdade não precisa de adornos para permanecer viva. Ela nasce simples, reta e limpa, como uma luz atravessando uma janela escura depois de uma longa tempestade. E talvez seja exatamente por isso que incomode tanto aqueles que fizeram das sombras um abrigo confortável para suas próprias mentiras.


- Tiago Scheimann

A educação não transforma apenas a inteligência. Ela molda sensibilidades, organiza o caráter e ensina a alma a caminhar com dignidade diante da vida. Porque aprender não é apenas acumular conhecimento, mas tornar-se alguém capaz de carregar luz suficiente para não se perder na própria escuridão.




- Tiago Scheimann