Pena eu Nao fazer parte do seu Mundo
Stephanie
Ela é de Capricórnio.
Não nasce.. se constrói.
Pedra sobre pedra, silêncio sobre silêncio.
Independente
porque aprendeu cedo
que promessas quebram
e quem segura o mundo
é quem não o larga das próprias mãos.
Fiel de poucos amigos —
não por frieza,
mas por profundidade.
Raiz não se espalha na superfície,
raiz escolhe onde fincar.
Ela parece inverno,
mas quem atravessa o frio
descobre abrigo.
Ama sem espetáculo.
Cuida sem anúncio.
Fica.. quando decide ficar.
E quando escolhe alguém,
não é impulso.
É destino assinado em rocha.
O que dizer de Poli?
Poliane não é mulher morna.
É intensidade pura. E intensidade cansa quem é raso.
Ela não tem tempo ruim porque aprendeu a resolver antes de reclamar.
Carrega o mundo nas costas? Sim. Mas não porque gosta... porque é forte demais pra fingir fraqueza.
É leoa quando precisa defender.
É princesa quando é respeitada.
É da rua, é da zona, é do corre... mas também é casa, é colo, é estrutura.
É mãe.
É amiga de verdade.
E não aceita migalha emocional.
E eu acertei numa coisa essencial:
Ela merece o mínimo... mas o mínimo dela não é pouco.
O mínimo dela é respeito.
É reciprocidade.
É presença de verdade.
Ela não nasceu pra caber no mundo de ninguém.
Quem quiser ficar, que aprenda a expandir o próprio mundo.
Simples assim.
Gabi
Não nasceu em estrada lisa,
mas aprendeu a pisar firme.
Carrega dias difíceis nos ombros,
e ainda assim escolhe a luz.
Gosta de crianças
porque ainda guarda a própria infância
num canto intacto do peito.
Dança como quem se solta do peso,
canta como quem costura as próprias feridas,
fala do mundo com olhos de quem já entendeu
que ele é duro...
mas não precisa ser dentro dela.
Gabi é riso que sobrevive.
É delicadeza que não se rende.
É flor que cresceu no concreto
e não pediu desculpa por florescer.
A vida não avisa.
Ela arranca.
Me tirou de um lugar às pressas, sem tempo de pensar, sem tempo de sentir.
Quando vi, já tava com o coração na mão e o corpo em outro canto..
outro teto, outra rua…
o mesmo peso.
E como se não bastasse, o destino foi irônico.
Me deixou exatamente onde eu não pisaria de novo.
Não por saudade.
Não por escolha.
Mas por necessidade.
A rua é a mesma,
o silêncio é diferente.
Eu passo sem olhar.
Não por fraqueza...
Mas porque dessa vez eu aprendi.
Tem portas que não se batem mais.
Tem nomes que não se chamam mais.
Tem histórias que não se reescrevem.. se enterram.
Eu já me dei demais.
Já fiquei demais.
Já insisti onde só eu existia.
Agora não.
Agora eu passo.
Fria por fora, inteira por dentro.
Porque ir embora, às vezes, não é sair do lugar.
É sair de quem a gente era quando aceitava tão pouco.
Apesar da preocupação,
algo em mim desacelerou.
Não é paz completa..
ainda não.
Mas já não pesa igual.
É como tirar um peso antigo
e estranhar o próprio corpo sem ele.
Eu ainda penso,
ainda sinto,
ainda cuido dos passos…
mas respiro diferente.
Mais leve.
Como quem, pela primeira vez,
não carrega o que não é seu.
Amo como quem não sabe ser pouco, como quem sente até o limite e ainda acha espaço pra mais.
Existe um amor que arde mal resolvido, um incêndio que nunca virou cinza, que insiste em voltar nos dias mais silenciosos como se ainda tivesse algo a dizer.
Existe outro que é possibilidade, leve, quase vento, um caminho que me chama sem pressa, sem peso, como se o futuro tivesse um tom mais bonito ali.
E existe aquele que não vai embora. Não porque ficou, mas porque virou parte. Raiz invisível, presença em silêncio, memória que não se apaga nem quando a vida muda de direção.
Eu amo. Sem ordem, sem regra, sem defesa.
E no meio de tudo isso, eu sigo me reconstruindo, tentando não me perder entre o que ficou, o que poderia ser, e o que ainda sou.
Porque sentir nunca foi o problema.
O desafio é continuar inteira mesmo quando o coração insiste em ser muitos.
Você é o ponto de encontro de todos os seus amores ... E ainda assim, o único lugar que não pode se abandonar.
Quatro Rotas
Não foi falta de caminho.
Foi excesso de mim em lugares que não sabiam ficar.
Eu fui mar aberto
pra quem só sabia ser raso.
Fui estrada longa
pra quem cansava na primeira curva.
Fui casa
pra quem nunca soube morar.
E ainda assim… Eu fui.
Quatro rotas.
Quatro versões de partida.
Nenhuma delas me levou de volta.
Porque dessa vez
eu não me perdi...
Eu me encontrei no exato ponto
onde decidi não voltar.
Levei comigo o que doía,
deixei pra trás o que pesava.
E segui.
Sem mapa,
sem promessa,
sem você.
O tempo passa, sim.
E não pede licença.
Ele desgasta o toque,
apaga o costume,
e transforma presença
em lembrança mal resolvida.
A intimidade, que um dia foi abrigo,
vira território estranho —
onde dois corpos se reconhecem,
mas já não se encontram.
Porque o tempo, quando não é cuidado,
não cura…
ele afasta.
Quem ama não provoca.
Não faz cena, não disputa atenção, não usa terceiros pra atingir.
Quem ainda joga…
nunca entendeu o que era amar.
E eu?
Ainda sinto.
Mas sentir não me obriga a voltar
pra um lugar que me destrói.
A arte da Paula não se limita à pele, ela atravessa.
Cada traço que ela desenha carrega intenção, história e uma precisão quase ritualística. Não é só tatuagem, é linguagem ancestral sendo reescrita em carne viva.
A tattoo maori exige mais do que técnica. Exige respeito. E Paula entende isso como poucos. Ela não copia, ela interpreta. Ela não marca, ela traduz.
O que ela fez em mim não foi apenas estética. Foi identidade. Foi força. Foi um símbolo que agora respira comigo.
Existe artista… e existe quem transforma pele em narrativa.
Paula é dessas.
E eu carrego isso comigo agora. Permanente. Como tem que ser.
Não é o lugar, nem quem passou,
o tempo mente... Nada levou.
Há algo em mim que insiste em ficar:
não acaba… aprende a morar.
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