Pena eu Nao fazer parte do seu Mundo
A vida apresenta encruzilhadas. Em dias de chuva, não se sabe qual caminho seguir. Talvez o mais seguro fosse o melhor. Acabar com toda a angústia, a dor, a inevitabilidade da vida.
Quem sabe, o amanhã incerto seja como o vento dos dias mais frios, nos levando e arrastando contra a maré. Talvez me afogue nesse mar, buscando me salvar. Talvez deva apenas me afogar.
- Marcela Lobato
O MENINO QUE NÃO ME VÊ
Nos corredores da escola, ele passa, sorriso solto, voz que abraça.
Faz piadas sem graça,
mesmo assim, eu acho graça.
Seu cheiro é vento, seu olhar é mar
e eu me afogo sem ninguém notar,
mas ele nem tenta reparar...
Ele fala das meninas, do beijo na festa,
eu rio, finjo festa.
Por dentro, uma guerra:
como posso amar quem nunca me amará?
Tento apagá-lo de cada pensamento,
mas ele volta como o vento.
𝙿𝙾𝙴𝙼𝙰: Amores Desiguais.
Estou farto, mas não cheio.
Há, por aí, alguns sujeitos:
outros maus, outros cruéis.
Estes sempre conseguem —
não importa quanto devem,
eles sempre conseguem —
exatamente o que querem.
Minha idade vai passando
e, com ela, minha paciência.
Digo: "fiquei inconformado",
pois o destino ou o carma
andam ficando desleixados.
Deveriam ser estes indivíduos,
junto aos seus crimes impunes,
considerados indignos, impuros.
Que seus julgamentos fossem
para sempre e, mais, imortais
diante dos bons corações leais;
nunca capazes de terem o perdão
daqueles que tiveram seu amor
e que foram deixados em vão.
Abaixo aos amores desiguais!
Que estes jamais sejam legais
perante os bons corações leais.
Escrito e idealizado por César Hioli.
17/04/2026.
Manchado
Ele sempre foi um farsante,
porque, quando não teve o que queria, perdeu o encanto.
Ele só queria um corpo, não sentimentos
ou essência — me embrulhou.
E, sendo meu tipo, me embriagou.
Sendo leitor, me cegou, mas não vi sua verdadeira forma.
Um lobo sem escrúpulos,
numa pele de cordeiro,
que manchou toda a minha ingenuidade.
Fingi não ver,
corri para o lobo,
mas parei a dois passos —
e ele desistiu, fugiu.
E quem ficou com fome de afeto fui eu…
mas hoje eu sei:
não era amor que ele oferecia,
então não era amor que eu perdi
"Afinal, com a convivência pelo tempo, há pessoas que perdem o valor que antes tinham e, não obstante, vão-se como a correnteza."
Carta VI — O Último Suspiro:
Últimas reflexões e legado
Já não me restam forças para continuar a escrever. Apenas um pequeno fôlego sobrou para que eu me lembre do quanto é bom viver. Já se passaram mais de quinze anos, e até aqui não recebi nenhuma visita: nenhum parente, nenhum vizinho, nenhum amigo. Como se todos se sentissem aliviados por se livrarem de mim, como se eu fosse um fardo. Não faz mal. Hoje deixarei a carne, mas não o mundo. O meu espírito continuará vivo — não num novo corpo, nem num novo hospedeiro —, mas na memória daqueles a quem estas cartas chegarem.
Nestes, o meu testemunho continuará a viver.
"Mesmo que lhes firam o corpo, não poderão matar o espírito. Mesmo que os prendam, não poderão silenciá-los da verdade".
Despeço-me deste corpo, desta vida. E, como injustamente me condenaram por não concordar com as vossas normas e por me punirem pelos meus pensamentos, farei com que os vossos próprios umbrais vos engulam de aflição pelo vosso cinismo e pela vossa hipocrisia. Que a vossa abundância e vaidade sejam reduzidas ao pó da terra.
Suspiro de alívio, embora carregue o fardo. Eis que chegou a hora de partir. Suspiro de paz, embora ainda exista ódio em mim. Que a terra se encha de justiça e que cada homem seja consciente de si mesmo. Pois nenhum homem pode condenar outro sendo ambos falhos. Nada nos dá o direito de punir o crime alheio quando não há quem puna os nossos.
Pergunto aos lordes:
— Quem dentre vós é digno de expiar o erro de outrem enquanto não reconhece os seus próprios? Se somos todos livres o que vos dá o direito de colocarem correntes nos nossos pescoços?
Todos nascemos livres, sem correntes, e ninguém espera que, após nascer, lhe coloquem cordas no pescoço.
"Cada ser humano possui uma vida e, por possuí-la, tem o direito de vivê-la."
Quem sois vós que nos quereis tirá-la?Porventura sois vós que a concedestes?
Eis o ponto da corrupção humana: todos querem ser soberanos, todos querem governar, mandar e dominar. Mas será que algum de vós já pensou em ser servo?
Se todos governassem, quem estaria subordinado? Por isso mesmo, não abuseis de quem vos dá um pouco de consideração como chefes. Pois só existe governo porque existem aqueles que vos obedecem. E, se ninguém vos obedecesse, duvido que as leis vos conseguissem proteger.
"Vós criais as normas, mas somos nós que as tornamos realidade."
Esta é a minha última carta. Gostaria tanto de escrever-vos mais, mas o sangue no meu corpo esgotou-se, e também o meu espírito. Já não restou papel; apenas um pedaço esquecido pelos antigos prisioneiros desta masmorra. Rogo-vos que guardem estas cartas com a vossa própria vida e que não as deixem apodrecer assim como eu. Não as deem de comer aos ratos, pois elas foram escritas com a carne deles. Não as entreguem aos soberbos, pois tenderão a queimá-las quando perceberem que elas ameaçam o seu poder.
"Não há arma mais delicada do que as palavras quando são capazes de transformar a consciência de um povo."
E eles não querem isso.
Não as vendam por moedas, pois nasceram da desgraça e foram escritas na miséria. Eis o meu último testemunho, o meu último pensamento para vós, e o meu último desejo:
"Uma morte livre vale mais que mil anos de vida escrava."
"Uma sociedade que censura uma opinião diferente daquela que defende é venenosa."
Não sejais hipócritas convosco mesmos.
Não sejais indiferentes à verdade.
Não sejais mornos: decidi-vos se sois frios ou quentes.
Não vos curveis para viver uma vida miserável diante daquele que vos oprime, censura e persegue.
Novamente, se alguém vos perguntar de quem é esta carta, respondei-lhes:
é de um Condenado.
Espero que aqueles que a encontrarem me conheçam um dia, do outro lado do mundo.
Adeus!
Pensar é livre, ferir com o pensamento é escolha; e a maioria escolhe ferir: não por verdade, mas por fraqueza.
O pensamento não ilumina; ele expõe. E o que expõe no homem é podre.
Refletem sobre a vida, mas não a compreendem; discutem a sociedade, mas são a sua doença.
Interpretam fenómenos, mas continuam cegos.
A mente humana não busca verdade; busca domínio. Cada ideia é uma lâmina.
Cada opinião… uma tentativa de impor-se sobre o outro; não pensam para construir, pensam para destruir.
E chamam isso de liberdade.
No fim, não há diálogo; há confronto.
Não há razão; há ego. Pensar nunca foi o problema. O problema… sempre foi o homem.
Os dias tristes e coisas tristes que passei não moram em meu coração, apenas passaram e deixaram arranhões. Mas o legado de saber que deixaram, só eu sei onde está e só eu sei o que faço com eles.
A vida não é um rascunho que podemos passar a limpo mais tarde; o brilho está justamente em abraçar o caos, aprender com os erros e entender que cada tropeço é, na verdade, o ensaio para o seu próximo grande salto
Lembre-se: O tempo não espera pela sua perfeição, ele celebra a sua coragem de continuar tentando.
Quem uma vez saboreou uma gota de Deus, não encontra descanso enquanto não se abisme no oceano dessa grande realidade.
Huberto Rohden
Existe uma dor que não grita… ela fica em silêncio, morando no peito todos os dias.
É a dor de saber que quem você mais ama está em um lugar onde o medo é rotina e a incerteza é constante.
Ter um filho na guerra não é só sentir saudade…
é aprender a conviver com o invisível, com o que ninguém vê, mas que machuca o tempo inteiro.
Mas, junto com essa dor, existe algo que me sustenta: o orgulho.
Orgulho pela coragem dele.
Pela força que eu sei que carrega.
Pelo homem que se tornou, mesmo em meio ao caos.
Eu sinto medo… todos os dias.
Mas também sinto um amor que nenhuma guerra é capaz de destruir.
E é esse amor que me mantém de pé.
Dra. Erica Alvim Lyra
Você é a pessoa certa!
Sabe quando a saudade aperta
e o peito vira prova, não dúvida?
É prova social do coração: todo mundo procura,
mas só nós dois encontramos.
Você é a pessoa certa.
Não dessas que passam.
Dessas que ficam.
E eu torço, escolho e protejo para que permaneça fiel,
porque escassez mora no fato de que alguém como você
não se acha duas vezes na vida.
Eu antecipo um futuro grandioso.
Consigo ver a cena: nós dois rindo de bobeira,
vencendo juntos, colhendo o que hoje é semente.
Isso é visualização. É compromisso com o amanhã.
Não é sorte. É decisão.
Então reciprocidade: eu te entrego meu cuidado,
minha lealdade, meu tempo inteiro.
E autoridade eu dou ao que sinto,
porque esse amor sabe onde quer chegar.
Saiba que é isso que desejo à nossa história, meu amor:
pertencimento sem medo, consistência sem jogo,
urgência de viver tudo agora,
porque o grandioso já começou
no instante em que eu te escolhi.
Nada possível é impossível, mas não viva de possibilidades e sim de realidades, aceita cada verdade, sabendo impor cada valor, retribuindo qualquer paz e aniquilando o incapaz.
Nessa dimensão onde tudo é cobiçado, aprenda quem são os verdadeiros aliados e quais são os mascarados, falsificados de laia pra valer, só pra cima te usar e te encolher.
Alucinados por poder ter o que nunca conseguiram, atralasados de evolução.
O tempo individual é breve, apesar de parecer longo...
O destino é uma roleta russa. Quando não mata, fortalece.
Em uma década você não imaginaria da metade da segunda que viria em mais duas décadas pra agonia chegando talvez a ultrapassar uma metade de décadas de sua mínima maestria sem ter mais tantas alegrias com talvez mais três décadas para experimentar o final que somou em longas
décadas que te acabou em acabado.
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