Pena eu Nao fazer parte do seu Mundo

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O Lugar Secreto é o nosso refúgio, o ponto de encontro onde o caos do mundo se silencia e a nossa alma encontra a plenitude da presença de Deus. É ali, na quietude e na intimidade, sem formalidades, que Ele nos ouve chorar e nos revela a nossa verdadeira identidade e o propósito pelo qual fomos chamados à existência. Quando sentimos que a nossa força se esvai e o cansaço do caminho ameaça nos derrubar, somos lembrados que Ele é a luz no fim do túnel, o único que escolheu ficar ao nosso lado, nos sustentando com Seu amor que é infinito e paciente.

Somos feitos de escolhas. Se você escolhe ser vítima, o mundo lhe dará um palco. Mude o roteiro: a sua liberdade reside na sua reação.

O mundo lhe oferece mapas falsos e destinos impostos, mas a bússola de carne reside no peito, ignore a cartografia externa e siga o ímã silencioso do seu centro, o único ponto onde a paz tem endereço.

A maior resistência em um mundo feito de guerra fria e navalhas é o músculo tenro da ternura, ela é a revolução mais difícil, a bandeira branca erguida com
a força de um soco.

Cada lágrima carrega uma história que o mundo nunca ouvirá. Mas ainda assim ela cai, insistindo em provar que a dor merece saída. É o corpo aliviando o peso que a alma não suporta sozinha. E isso também é coragem.

A dor afina a escuta: o mundo passa a soar em outra frequência, mais áspera, mais verdadeira.

O mundo passa com pressa e leva pedaços da gente como folhas ao vento. Resta um bilhete amassado no bolso: “sobrevivi por pouco”.
Não é glória, é quase legenda de uma fotografia torta, mas serve para lembrar que ainda posso olhar e contar.

Falar de amor virou ato de contrabando entre a dureza do mundo. Levo-o escondido no peito como quem leva pérolas em bolsos rasgados. Quando entrego, minhas mãos tremem, não por medo de perder, mas por saber que a dádiva pode curar lugares onde o sol não entrou.

Ele ficou, quando o mundo desabou em telas mortas e a música aprendeu a sangrar. Com a roupa rasgada pela história, olha anjos quebrados que esqueceram o céu, e corvos que sabem o nome do fim. Há almas passando por ele como neblina que não pede licença, e uma cachoeira distante tentando lembrar que ainda existe queda, e ainda existe som.

Sentir-se desperto em um mundo de sonâmbulos é a punição de quem ousou olhar para o sol da verdade sem a proteção das mentiras sociais.

O mundo exige uma produtividade que minha dor desconhece, pois ela opera em um fuso horário onde o segundo é uma eternidade de esforço apenas para respirar. Sou um desertor dessa guerra pela felicidade compulsória, preferindo a paz de ser apenas um resto de esperança.

Carregar a própria alma é o trabalho mais pesado do mundo, especialmente quando ela insiste em se encher de pedras coletadas em caminhos que já deveriam ter sido esquecidos. Cada passo é uma negociação com a gravidade, um pedido de clemência ao chão que parece me puxar para baixo.

Há uma melodia nas coisas que se quebram, um som de fim de mundo que ecoa por dentro muito tempo depois do estrago físico. Eu coleciono esses estilhaços e tento montar um mosaico onde a beleza não venha da perfeição, mas da forma como a luz atravessa as rachaduras.

O mundo é um moinho que tritura nossos sonhos até que eles virem farinha para o pão de cada dia, uma massa insossa que comemos apenas para sobreviver. Eu tento temperar essa massa com um pouco de poesia amarga, para que o sabor da existência não seja totalmente esquecível.

Vejo o mundo através de uma lente que só revela sombras e tons de cinza, onde a alegria parece luz de outro universo, inalcançável e distante.

24 Prelúdios, Op. 28, de Frédéric Chopin.


Naquela noite em Valldemossa, o mundo parecia ter sido reduzido ao som da água.


O mosteiro respirava um silêncio antigo, quebrado apenas pelo insistente cair das gotas — como se o céu, cansado de sustentar seus próprios pesos, decidisse chorar sobre a pedra fria. Dentro de um quarto úmido, Frédéric Chopin não dormia. O corpo frágil repousava, mas a alma permanecia desperta, inquieta, à beira de algo que não se pode nomear.


Dizem que a chuva o atravessou.


Não por fora — mas por dentro.


Cada gota que tocava o telhado encontrava eco em seu peito, como um pulso repetido, uma lembrança que se recusa a morrer. E então, entre a febre e o silêncio, ele viu — ou sentiu — a si mesmo afundando lentamente em um lago escuro, onde o tempo não corre, apenas escorre.


Gota.


Gota.


Gota.


Não era mais o mundo que chorava.


Era ele.


Quando George Sand voltou, encontrou um homem que já não estava inteiro. Havia nele algo que tinha ficado naquela água imaginada, submerso entre sombras e sons. Mas sobre o piano, quase como um reflexo involuntário da dor, nascia uma sequência de notas que insistiam em cair — sempre a mesma, sempre igual, como se a música tivesse aprendido a imitar a chuva… ou a memória.


Ele negaria depois.


Diria que não era chuva.


Que não havia gotas.


Que a música não descreve, apenas existe.


Mas há verdades que não pertencem ao compositor — pertencem ao abismo de onde a música vem.


E naquele prelúdio, escondido entre luz e tempestade, ainda é possível ouvir:


não a chuva do céu,


mas a que cai dentro de alguém.




- Tiago Scheimann

A felicidade é um ato de resistência política e espiritual contra um mundo que lucra com a nossa angústia e que se alimenta da nossa sensação de incompletude constante. Sorrir diante do abismo é a forma mais refinada de protesto, pois prova que o espírito humano possui uma fonte de luz que nenhuma treva externa é capaz de sufocar totalmente. Que a nossa alegria seja profunda e fundamentada na lucidez, nunca na ignorância, sendo o farol que guia outros náufragos para a praia da dignidade.


- Tiago Scheimann

Deixe que o mundo te desmonte, se for preciso, contanto que você guarde as peças principais para se reconstruir de uma forma que faça mais sentido para quem você é agora, e não para quem a sociedade espera que você projete na vitrine das aparências vazias.

O mundo exige pressa. Minha alma, porém, ainda caminha devagar. Ela precisa olhar para trás, entender o que ficou pelo caminho, porque seguir sem elaborar a dor é apenas outra forma de se perder.

A razão é uma lâmpada silenciosa acesa no fundo do peito. Quando o mundo se cobre de sombras, quando as vozes se confundem e a escuridão tenta convencer a alma a desistir, é ela quem permanece de pé, iluminando o caminho com firmeza serena. A razão não grita, não implora aceitação e nem se curva ao barulho da multidão. Ela apenas continua brilhando, pequena e imensa ao mesmo tempo, guiando aqueles que ainda têm coragem de pensar com a própria consciência.


- Tiago Scheimann