Pedaços de Mim
Pedaços de Mim.
Após tantas batalhas e planos, o que resta? Pedaços. Pedaços de sonhos desfeitos, de amores perdidos, de risos compartilhados. E nesses fragmentos, eu me construí.
Sou a soma de todas as versões que já fui. Cada escolha, cada tropeço, moldou minha essência. Como um mosaico, esses pedaços se encaixam para formar a parte mais completa que já senti de mim mesmo.
Há um pouco de inocência da criança que sonhava com o impossível. Há a força do jovem que enfrentou desafios e se reinventou. Há a melancolia do adulto que aprendeu que nem tudo sai como planejado.
E no meio desse quebra-cabeça de memórias e experiências, encontro a verdadeira essência. Não sou apenas o que conquistei, mas também o que perdi. Não sou apenas o sucesso, mas também o fracasso. Não sou apenas a alegria, mas também a tristeza.
Às vezes, o nada que restou é o tudo que sou. E nessa complexidade de pedaços, encontro a beleza da imperfeição. Porque, afinal, somos todos feitos de fragmentos. E é nessa colcha de retalhos que encontramos nossa humanidade.
Então, que eu continue a me construir, a me desconstruir e a me reinventar. Que eu continue a ser a soma de todos os meus eus, porque é nessa multiplicidade que reside a verdadeira completude.
E assim, sigo, pedaço por pedaço, em busca de mais eus.
No meu caminho, busquei mundos e ao poucos fui deixando pedaços de mim. Agora que encontrei o meu mundo, estou a juntar todos os pedaços para ficar de novo inteira.
Aos poucos vou me reconstituindo, tentando colar os pedaços de mim que a vida esfarelou, mas sei, com uma dor que queima por dentro, que nunca serei inteiro. Sempre restarão fendas abertas, buracos que sangram lembranças e ausências que me rasgam por dentro.
Pessoas levam pedaços de mim e deixam comigo pedaços delas... Ah, meu Deus! Eu quero meus pedaços de volta!
Olho para trás e só o que eu consigo ver são pedaços de mim mesmo sendo arrastados pela força do tempo.
Um caminho meio torto, contando os pedaços de mim que consegui pegar do chão. Pedaços de esperança, pedaços de sorrisos perdidos, pedaços de lembranças que se foram. Minha alegria pra onde foi? Onde está? O que fazer? Pra onde ir? Já posso contar com alguém e será que conseguirei?
Com todos os cacos que restaram próximos a mim, alguns resolvi reutilizar e encontrei um importante: a lembrança. Doce lembrança que me leva a nostalgia, que me tortura dia a dia...
Mais uma vez percebi você reparando em mim.
Só peço não me analise, não faça pedaços de mim.
Já estou em frangalhos, já expus cada ponto fraco meu.
Não tire mais nada de mim.
Sou apenas mais um coração batendo no mundo.
E de batida em batida sigo cicatrizando feridas.
Sou, como diz Quintana, "todo cheio de marcas"
que a vida marcou... "não me corte em fatias"
aceite-me como sou.
O mundo tirou pedaços de mim, mas a maneira que encontrei pra ser feliz é muito pessoal, presto atenção nos pássaros que cantam pela manhã, tomo café feliz, ouço uma música, sonho um pouco e logo ponho os pés no chão, vou trabalhar, sempre pensando no que tenho, e não pensando no que perdi...
Pedaços de Mim
Minhas curvas convocatórias de inveja e desejos insaciáveis
Meu rosto que com um sorriso respondia a quem bem me abordava
Minha saia cumprida de pouco pano que minha auto-estima aumentava
Minha cinta fina que ao ritmo da marrabenta dançava
E meu lindo corpo que ao som da guitarra tocava
Malditos!
Malditos os dedos que nas minhas curvas a mão passaram
Malditos os seres que no meu rosto a felecidade afugentaram
Malditas mãos que minha saia de pouco pano arrancaram
Malditos braços que minha cinta fina agrediram
Malditos corpos que na minha guitarra sons sem arte tocaram
Malditos!
Quando quebro, viro vários pedaços de mim e me espalho ainda mais (só) pelo que é chão. Quando quebro, viro mais de mim. Se inteira já sou tanto, imagina sendo tantas com mais opção.
Pedaços de mim
Perdidos no tempo
Flores de girassol
Pedaços de mim
Outrora no vento
Hoje no vendaval
"Por amor...
Deixei pedaços de mim perdidos pelo caminho.
Abandonei vários sonhos sem a intenção de sonhar novamente.
Por amor...
Esqueci de mim pra viver a vida de outro alguém.
Me entreguei sem rédeas a uma paixão desenfreada.
Por amor...
Me neguei em seguir adiante,
Não enxerguei a possibilidade de um novo horizonte.
Por amor...
Perdi a noção da razão,
Não me permiti viver outras descobertas.
Eu dei o meu melhor, mas não consegui ser retribuída.
Por amor...
Matei tudo dentro de mim,
frustando meu coração.
Carrego no peito a dor do arrependimento
de não me deixar viver diferente.
Por amor...
Me anulei pra que outro alguém
crescesse dentro de meu peito.
Hoje, tanto tempo depois trago a indecisão
da pergunta que nunca se cala.
Será que esse amor valeu a pena?
(Roseane Rodrigues)
Vaso de barro
Quebrei-me nas mãos do oleiro.
Dos pedaços de mim desfeitos,
do insignificante barro.
foi feito um novo vaso
Pedaços de mim.
Quando me calo, deixe-me calada. Insistir que eu fale algo que pretendo manter em silêncio é como colocar dinamite em um incêndio.
Marli D.H.F.
Pedaços de mim. Pedaços de mim espalhados pelo chão podre e sujo do centro da cidade.
São pedaços tão pequenos que não consigo mais juntar.
Cada pedaço num ponto. Cada ponto me lembra você.
Me lembra da vida que deixei de viver....me lembra que você sempre fez parte de mim.
Como juntar tão pequenos pedacinhos?
Como? Se a cada novo momento um novo alguém pisa nos caquinhos, e os transforma em farelos.
Então eu pego um caco....o mais pontiagudo...e cravo-o bem fundo na minha carne, suada de tanto andar sem rumo. Cansada de tanto chorar.
Não dá mais. Eu não consigo mais respirar.
