Pecado
Ritos e contradições...
Dizem que na Semana Santa
não pode comer carne,
é pecado.
Mas nos outros dias,
fica liberado
devorar o outro
em fatias de indiferença,
temperadas com egoísmo
e servidas frias
na mesa da conveniência.
Na Sexta-feira santa,
o prato é vigiado,
mas a língua,
essa continua afiada,
cortando, ferindo, julgando
sem qualquer jejum.
O corpo se abstém,
mas a consciência…
segue em jejum
o ano inteiro.
E na crueldade das torturas
que se perpetuam,
não há silêncio,
não há luto,
não há penitência.
Que curioso ritual esse
que santifica o cardápio
e absolve a crueldade cotidiana.
Talvez o verdadeiro pecado
não esteja na carne
que se come...
mas na humanidade
que se deixa de exercer.
✍©️@MiriamDaCosta
"Nessa vida, só pode se arrepender quem já pecou, pecado nada mais é, que uma sujeira em sua vida, e o arrependimento é a água que lava"
Somente através da prudência é que um vício ou mesmo pecado pode se tornar útil ou quiçá até mesmo uma “virtude”.
Odeie todas as formas do pecado, pois suas práticas trazem a respectiva condenação eterna, afastando a sua alma da salvação.
Vença o pecado com a Palavra de Deus, antes que ele paralise sua vida e roube o seu propósito espiritual.
Todo pecador não santificado gosta de um doce pecado; mas, seu alimento não entrará no cardápio e na comunhão dos santos.
Quem não morre para o pecado já se matriculou na Escola do Sofrimento, onde o inimigo dita lições e oferece falsas promessas de cura.
O homem íntegro e justo está liberto da lei do pecado, que submete a humanidade à escravidão de suas vis paixões.
O câncer, no estágio inicial, pode ser detectado e curado:
o pecado na alma também pode, pelo poder do sangue de Cristo.
O pecado alimentado pelo pecador mata a sua vida lentamente, enquanto que a graça de Deus rejuvenesce o seu espírito dia a dia.
O pecado é doce e prazeroso, no início; mas no fim, é amargoso e destrutivo.
Por isso, o tolo o abraça; mas o sábio o rejeita.
O Pecado de Escolher a Paz
Eu nunca compreendi como um grande amor,
que ontem era abrigo, hoje vira rancor;
como quem adormece envolto em carinho
desperta odiando quem andou no seu caminho.
Por que a ternura se torna vingança?
Por que destruir aquilo que um dia foi esperança?
Ciclos se encerram, caminhos se desfazem,
amores se transformam, pessoas se afastam.
Mas por que transformar um adeus em prisão?
Por que fazer da partida uma condenação?
Só porque alguém não coube na expectativa,
merece carregar uma culpa tão viva?
Eu também já esperei de quem não correspondeu,
já amei quem não foi aquilo que prometeu.
Nem por isso fiz do ressentimento uma arma,
nem transformei despedida em guerra ou desgraça.
Então por que fazem comigo aquilo que não fiz?
Por que me chamam de monstro, se eu só quis ser feliz?
Ninguém viu minhas noites, ninguém viu minha dor,
ninguém sabe quantas vezes calei por amor.
Eu não quis destruir, eu só quis respirar;
não quis ferir, só precisava me encontrar.
E se partir de onde eu já não podia florescer
me fez parecer cruel, então que seja —
eu escolhi viver.
Não quero tua queda, não quero vingança,
não quero transformar mágoa em lembrança.
O que um dia foi amor não precisa ser guerra,
nem todo adeus precisa incendiar a terra.
Talvez um dia você consiga entender:
eu não fui embora porque deixei de querer.
Fui embora porque, para continuar ao teu lado,
eu precisava deixar de ser quem eu sou — e isso seria errado.
E se me chamarem de vilã, deixarei o tempo falar:
há verdades que só o silêncio consegue revelar.
Porque, no fim, aprendi a duras penas:
nem todo amor nasceu para permanecer,
nem todo adeus precisa fazer alguém sofrer.
E escolher a própria paz, depois de tanto padecer,
não é crueldade — é finalmente escolher viver.
Muitos não almoçam
e nem vão jantar,
por isso é pecado fazer,
terrorismo alimentar,
que não falte o pão da manhã,
em cada levantar!
Vocês, que são massa de manobra e moeda de troca, não confundam o Pastor que tira o pecado do mundo com o pastor que tira o dinheiro de todo mundo.
A fé que só enxerga o erro no rito alheio e ignora o pecado no próprio templo não é espiritualidade, é apenas preconceito com verniz de religião.
O maior pecado do religioso narcisista é acreditar que ele é o padrão de santidade pelo qual o mundo deve ser julgado.
Vocês passam a vida inteira julgando o pecado alheio e comprando ilusões caras para mascarar a própria podridão, esquecendo que o caixão não tem bolso e que o tempo vai engolir a sua beleza arrogante da mesma forma que engole a carne de quem você rejeitou.
