Pe Fabio de Melo Amar
Agradeça que o seu colaborador não é perfeito. Pois se fosse, você certamente não teria condições de pagar o que ele valeria. Aceite suas fraquezas, reclame menos e trabalhe para desenvolvê-lo.
O casal/amigo todo dia vai pro ponto de ônibus, eles e o cachorro, o homem leva a mulher, por pouco ele não vai junto. É muita conversa, muito assunto, não bastou a noite que passaram juntos, o dia anterior. É um entrosamento explícito, sem reservas, espontâneo como a chuva caindo. Não precisam de fotos forçadas, risos políticos para registrar o ocorrido, mais nada, pra provar em datas comemorativas, ficar exibindo, prestar contas, justificar, provar que... Nem percebem o que está existindo, não se percebem, só tem olhos um por outro, não pararam pra pensar ainda, pensar é parar de sentir. São uma extensão do outro, uma simbiose, um vínculo, explícito, são um escândalo ainda namorando.
Seu Clodoaldo era um velho sábio, morava só, e toda vez que passava em frente a casa dele via-o lendo um livro. Uma vez, aconteceu um episodio interessante enquanto esperava a minha vez de cortar os cabelos, num barbeiro amigo dele e vizinho, ele enquanto conversava comigo recitou, inteirinho, o famoso soneto de Augusto dos Anjos, Versos Íntimos, sabia de cor, deveria saber de mais, homem culto, fazia gosto ouvi-lo. Uma vez soube de um acontecido, de uma vez uma jovem que se dirigiu a ele por diminutivos, chamando-o carinhosamente de vovó, coisa e tal, "o veio" arretou-se e repentinamente, pegando nas partes, fez-lhe um gesto obsceno e lhe disse um desaforo. A moça indignada, assustada com a inesperada reação e danou-se a chamá-lo de velho safado, só não chamá-lo de arroz doce, coisa e tal, já pensou? E ela que tinha sido tão amável... Enquanto ele dizia: - Isso!!! Chama mais! Me trate assim feito os outros. Desde esse dia, tenho determinados cuidados ao me dirigir a alguém de uma certa idade, nada de diminutivos, de peninha. Nossos idosos são tão produtivo e lúcido feito idosos ilustres presidente Temer, o Papa, Caetano Veloso, Faustão... Merecem toda nossa consideração e respeito, nada de infantilizá-los.
Lembro uma vez, a alguns anos, mas precisamente quando era jovenzinho, já começava a escrever uma coisinhas, no SESC daqui, aonde nos reuníamos todas as quartas a tarde, fazia parte de um grupo de poesias, presidido pelo colega e professor de português José Antônio, tínhamos combinado de realizar de um recital de poesia, com auto falante e tudo, para a plateia, digo, grupo de associados, da tradicional instituição. Prudentemente, ou logicamente, aconselhei o Zé Antonio a testar a Caixa Acústica Amplificada, mais conhecida , popularmente, como Amplisom: “Alonso, Alonso... aquela coisa chata, mas, necessária durante a semana. Mas e a "boa vontade" e a autoconfiança excessiva, deixava, rs. Ele disse - Ta boa, ninguém usa, tá encostada lá, muito bem guardada: - Justamente, mais uma razão, ainda insisti. Não me deu ouvidos. Na quarta-feira a noite, destinada pras reuniões, reservada nesse dia para o grande recital no pátio do SESC lotado, não pra ouvir-nos necessariamente, já fazem isso todo dia, jogaar dominó, conversa fora, etc... Fomos chegando. pendurando o Amplisom num prego, tudo muito bom. Nos posicionamos num lugar estratégico, bem visível, ninguém notando, na realidade, prestando atenção, igual cantor de barzinho, faz parte, o presidente fez as devidas anunciações, nome do grupo. coisa e tal, e começamos. Tudo ia bem, o primeiro começou a recitar, o caixa reproduziu sua voz em alto e bom som, o professor olhou pra mim e disse: - Ai!!! Daqui a pouco, o segundo, terceiro, quarto, sucessivamente... De repente... cadê o som? FICOU MUDO! Que aconteceu? Que será? Tava tão bom. Bate daqui, bate dali, coisa e tal... O caixa apanhando que nem mulher de malandro. E nada... Se não tavam prestando atenção, absorvidos em seu dominós, fofocas, comentários de novelas, bebedeira, agora então que dizer, ainda bem por outro lado, que não tavam notando. Fizemos o óbvio, o mais digno pra atenuar o mico, partimos em retirada silenciosa e discreta, como dizia o leão da montanha: “Saída pela direita”, clássico desenho animado da Hanna Barbera de outrora. á na rua de volta pra casa ainda ouvi do professor, meio contrariado, me censurar: - Que boquinha, hein!.
O ar gelado selicioso passava lentamente pelo meu rosto,
enquanto eu buscava um cheiro característico daquele lugar,
o atrito dos pneus e tec tec das marchas pareciam latejantes naquela cidade,
salpicados mais tarde pelo hálito dos turistas e cheiro de marijuana se expandindo pelo ar,
ao lado as casas flutuantes e milhares de duas rodas aos cadeados,
entre pontes tortas de tijolos queimados ao fundo, em meio as velhas construções,
a cidade ardia em pessoas em um clima silencioso e descontraído ao meu ver,
quando a noite cai la pelas dez, as meninas se dirigem até as vitrines e posam como manequins,
para que os homens possas se satisfazer e satisfaze-las ao mesmo tempo,
nisso a cidade explode entre turistas curiosos, álcool, drogas êxtase e demências humanas,
para arrancar um pedaço de cada momento com suas câmeras, mas, ao fundo existe algo,
muito mais que suas câmeras possam alcançar, e quando o sol nasce,
o silencio prevalece entre o vai e vem das bicicletas e tudo volta a perfeição, e um milésimo de segundo.
Amsterdam, JUN/2019.
Eram 17:18 a cidade era Belga, aos invés de cheiro de chocolate o odor de mijo rondava as esquinas do desembarque do trem, e os bondinhos frenéticos rasgavam as ruas por todos os lados, logo na entrada da rua principal quintadas regadas de frutas, e árabes sorrindo e cozinhando além de cervejas espumosas escorrendo pelos copos, e o vai e vem das pessoas ditavam o ritmo da cidade, no caminho um contraste europeu com o subúrbio de qualquer cidade da america perdida, em cada contato os sotaques pesados dos alemães. Aos poucos a cidade revela sua beleza, em um boneco astro pop que urinava para os turistas, e saborosos chocolates, cervejas e batatas gigantes, e na parte mais alta da cidade as igrejas góticas e cinzas quase tocavam os céus, impedidas por seus próprios pecados, continuavam na terra em preces.
Eu havia morrido, a vida não tinha sentido
enquanto Morto eu sentia quê poderia renascer, não acordar simplesmente, pois eu
Não sonhava como quem dorme tranqüilo
Mas fui despertado por um sonho
Vim fazer divisão de mim mesmo
Eu nascido agora não quero perdê hora
Nunca vai dar Ruim!
Se elas quê, da pra elas
Se beber Whisky pode beber água?
Estou fechando a conta e indo para o Morro!
Nunca foi diferente!
Preciso dançar, preciso ver gente!
Tô casado mas não tô morto!
Aí Vitinho!
Senão tem mulher para comer, nós paga para meter!
Amigo não se paga
Ferimento leve!
Quero voltar e esquecer tudo.
O fim tem uma cor, mais escura e dolorosa que o negro, capaz de te destruir em mil pedaços só por olhares de relance. Os meus olhos ficaram presos ao fim e não existe muito mais que dê para destruir. Pelo menos sei que o que o fim não pode destruir está com a pessoa que me fez olhar para o ele. É confortante saber isso pois ironicamente a pessoa que me levou tudo e me destruiu com um estalar de dedos, é a pessoa que eu quero abraçar e nunca mais largar. Hipoteticamente falando eu preciso dele, pois só ele me pode devolver o que é meu.
Nossos pontos cegos são os elos que nos unem. Quanto maior nossa consciência a este respeito, mais fortes se tornam estes elos.
Um minuto de cada dia desperdiçado equivale a vários dias desperdiçados na vida. Aproveite cada minuto do seu dia!
