Coleção pessoal de Varpechowski

1 - 20 do total de 47 pensamentos na coleção de Varpechowski

Se hoje a morte me batesse a porta as 07:00h da manhã,
Há convidaria para entrar, puxaria duas cadeiras,
Pegaria minha velha xicara de café vermelha esfumaçando,
Me sentaria, com minha bermuda rasgada no bolso,
Cruzaria as pernas, acenderia um cigarro, em tragos lentos,
E deixaria entrar aquele aroma de café até o fundo da minha alma,
Tragaria meu cigarro e olharia ao alto observando a fumaça,
Perdendo-se em meio ao ar, e com um leve sorriso no canto da boca,
Sentiria os segundos latentes nas pontas dos meus dedos, os últimos,
Pensaria em todos, pensaria em tudo, enquanto a morte me fitava,
Até o ultimo grão de areia da minha ampulheta silenciosa e bela.

Fábio Varpechowski
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Irmã,
Tudo certo pra viagem?
Vou te dizer algo que nunca disse a ninguém, mas que tenho como sentimento:
Quando viajar esteja com teu espírito livre, com o pensamento na estratosfera de coisas boas.
Teu estado de espirito quando você viajar irá lhe trazer as pessoas certas, os lugares certos, as experiências que lhe couberem.
Viajar é uma dádiva de Deus, que infelizmente poucos conhecem.
é um frio na barriga, é se aproximar do desconhecido, é vislumbrar-se com o novo, com encantador.

Fábio Varpechowski
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ah, todos podem me possuir,
mas será superficialmente,
momentaneamente,
o álcool a música,
esses tem licença.
sobre outros, ah, esses,
nesses me lanço como num rio,
deslizo, sou carregado,
mas não me afogo,
me afago.

Fábio Varpechowski
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Aqui fuma-se,
reinventa-se,
fode-se,
explica-se,
alegra-se,
pergunta-se,
toma-se no cú,
ilude-se,
musica-se,
continua-se,
e-......

Fábio Varpechowski

“O Ser humano desse tempo é um sujeito peculiar,
tudo ele transforma em mercadoria,
até a si mesmo,
Tenta vender-se no trabalho,
em redes sociais,
e nas relações de forma geral
e a moeda de troca são aprovações,
que o sujeito peculiar nem sabe para que servem”.

Fábio Varpechowski
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Tags: trabalho; imagem;

“A arte como a música em especial,
Faz a alma transcender a um imaginário perfeito,
A um estado único de equilíbrio,
Nos faz pensar que encontramos a felicidade por um momento,
Sinto por durar apenas alguns minutos, gostaria que fosse uma vida”.

Fábio Varpechowski
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Gostar-me-ia de ser um louco,
Mas não um louco falso, de libertinagem.
Gostar-me-ia de ser um louco daqueles,
Que usam mais os olhos que a boca,
Gostar-me-ia de ser louco daqueles que morrem cedo,
Pouco fodendo-se para opinião alheia,
Pouco fodendo-se para o próprio funeral,
Pouco fodendo-se para a hora da refeição,
Pouco fodendo-se para o relógio que tic taca,
Pouco fodendo-se para o fim do mês,
Pouco fodendo-se para com o belo,
Pouco fodendo-se......
Pouco fodendo-se........
Louco daqueles que vestem-se como reis em roupas de brechó,
Louco daqueles que o sangue lateja em suas veias,
Louco daqueles de conversa longa e abstrata,
Louco daqueles que lugar nenhum é o melhor lugar,
Louco daqueles que tomam um trago de vagabundo com gosto de Chardonay.
Louco daqueles...
Louco daqueles que entendem que tudo é passageiro.

Fábio Varpchowski
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Em meu medo, há uma cabeça, em minha cabeça há um desatino, preciso me manter em movimento movimento simples medroso engedroso um movimento de si mesmo cheio de tática de álcool de arrependimento e de coisa que vão correr com um rio desgovernando simplesmente passando esperando dar a algum lugar, tremulo e perdido, um fluxo de consciência guardado no fundo um medo, feliz, triste atingido substantivo.

Fábio Varpechowski
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"As poças de água são desmanteladas,
entre o barulho do vai e vem,
as sacolas embaralham-se com a felicidade alheia,
O vai e vem dos sem destino obstinados e perdidos,
Na multidão a vida é levada levemente, levemente.
Com uma nuvem que muda de figura."

Fábio Varpechowski
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O silêncio, é um falador nato,
Sussurra sem parar nos ouvidos,perde-se, encontra-se.
Raciocina-se, rotina-se,
E para.

Fábio Varpechowski
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Primeiro é a morte,
Depois os tapas na costas,
Depois os valores, a honestidade,
A criação do filhos.
Coitado do sujeito, nem se quer se quer se sujeitou,
Apenas morreu.

Fábio Varpechowski
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"O algo mais mortal que já conheci,
É o branco de uma folha".

Fábio Varpechowski
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É preciso apenas fluir, mas não em um fluxo qualquer.

Fábio Varpechowski
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A noite era de rock roll, o ritmo de feriado, e a cantada uma invenção de ultima hora, mais sempre sincera.
De tempos em tempos vários amigos e companheiros se vão, e o motivo é quase sempre o mesmo, o famoso e popular “relacionamento amoroso”, aquele que transforma simples pessoas em poetas, que embriagam o céu de harmonia e tomam a voz dos Deuses para falar de amor e blá, blá, blá.
Tenho que admitir, que sinto quando perco amigos dessa forma, inclusive tem um camisa 10, centroavante dos bons, que tá quase pendurando as chuteiras, ai já viu, eu como jogo no meio-campo subir pro ataque vai ser foda, mas já ando ensaiando umas jogadas.
Lá estava, eu, embalado pela música e outras coisas, me iludindo com a beleza criada pelas maquiagens da noite, e achando que não iria sozinho pra casa falando besteiras pro taxista, para isso, precisava ser criativo na conversa, e contar algo que de alguma forma, tocasse profundamente as mulheres daquele lugar:
Eu parava ao lado “delas” como quem não queria nada, olhava para banda, e no ritmo da música dizia seriamente, sem desviar o olhar:
- Quando escuto uma boa música o tempo para! Já conseguiu fazer o tempo parar alguma vez?
Silêncio! Logo em seguida me lançavam um olhar desintendido.
Meu consolo foi achar que elas eram as mais bonitas da noite, ou não conseguiram fazer o tempo parar ouvindo uma música, ou não entenderam a pergunta.
O silêncio permaneceu no táxi.
“Tudo perdido,
Menos a ternura
Oh romantismo”.

Fábio Varpechowski
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Tags: contos curtos

Compramos um ticket de embarque para um trem que nunca chegará,
Onde um banco nos espera com o nome estampado ao lado da janela,
em um destino em que o melhor estará de mãos dadas com o futuro,
e a felicidade será tão abundante como água que jorra e escorre pelas mãos,
como o tempo contado por um relógio que cria a morte e inventa o renascimento,
e dessa forma subdivide o bem e o mal disfarçando os próprios amigos e inimigos da mente,
morrem agonizantes, vitimas de si mesmos, das próprias invenções,
sucumbindo em busca de mais vida, e mais tempo, de mais coisas, que mal sabem o que são,
caminhando para o vazio, na ansiedade de chegar há algum lugar que jamais existiu..

Fábio Varpechowski
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A vida pode ser triste e melancólica, um mergulho em um poço obscuro e tenebroso,
também pode ser interessante, inteligente e bela, e torna-se a melhor coisa que existe,
onde o melhor e o pior caminham juntos, lado a lado de mãos dadas,
como o sol criando a sombra, a vida criando a morte, o som quebrando o silêncio,
nos dando truques, de hora, lugares, coisas, pessoas, momentos e ideais,
em meio a sonhos e pesadelos, medos e alegria, projetando o perfeito defeituoso,
como uma tentativa de fuga da precariedade humana, cria-se a beleza de viver.

Fábio Varpechowski
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Eram dois office-boys de blusa bege de lã, caminhavam pela rua de número quinze, com suas pastas pretas recheadas de milhões, conversavam corriqueiramente sobre qualquer coisa, soltavam largas risadas sinceras das mesmices dos finais de semana, eram apaixonados discretamente por algumas atendentes, que carimbavam e digitavam freneticamente envoltas em camisas entre abertas e perfumes inapagáveis, caminhavam, adoravam o mês de Dezembro andar pela rua de pit pavê, cheia de cabeças que poderiam ser vistas da parte alta da rua, entrando e saindo com sacolas saciadas, mal sabiam o que eram e o quê queriam da vida, eram uma indefinição por decreto.
O destino continuava a lhes reservar a amizade, regada de festas e música, de viagens com chevette, que as vezes rampava a divisória de pista das BR’s, de fronteiras com bebidas fortes e ciganas que não conseguiram ler o destino, de caminhões traçados chacoalhando entre as dunas aos gritos de amizade e alegria, de longas conversas a beira do lago titicaca, até as boas bandas de Buenos Aires, e um el pogo de whisky escocês de graça, até um submundo do vagabundo selvagem em La Paz, de noites que viraram dia, e tristezas que viraram alegria, de uma amizade que nem o tempo nem a distância apaga. Ao amigo Foca.

Fábio Varpechowski
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Tags: contos contos

A manhã cinza e gélida,
o barulho do vai e vem,
as calçadas de pit pavê,
rostos sem face vagueiam,
em uma rua XV sem número.

Fábio Varpechowski
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tudo parece do mesmo jeito,
o mesmo passo,
o mesmo momento

Fábio Varpechowski
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A tinta azul dessa caneta,
risca a vinda de um cometa.

Fábio Varpechowski
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