Pausa
Pausas fazem uma clareira na vida da gente. São uma forma de respirar, angariar nesses momentos, força para continuar.
A pessoa sábia entende que as pausas e os passos para traz eventualmente são indispensáveis para a recomposição de forças e preservação de sua integridade.
Til
No til não há pressa.
Também não há urgência.
É um sinal menor,
mas que carrega pão,
mãe,
irmão.
Sem ele, o mundo seria mais seco.
Seria são demais.
Seria não.
Til é curva que não encurva.
É nariz da língua,
sorriso discreto no rosto da letra.
Ninguém repara —
até que falta.
E quando falta,
tudo desafina.
Poderíamos viver sem ele?
Claro.
Como se vive sem o silêncio.
Mas é no til que a fala respira.
E a palavra se lembra de ser palavra.
Tornando Leve
Às vezes na vida
Perdemos o rumo
Tentamos até progredir
Porém a vida pesa.
Pensamos em desistir,
Pois não enxergamos mais saída
E tudo que fazemos
Parece ser insignificante.
Atravessamos noites frias
E madrugadas silenciosas em claro.
Mantemos as janelas fechadas
para os dias não nascerem.
Um anjo surge do nada
e entra em nossas vidas
lembrando-nos quem somos
e o quanto fazemos a diferença!
Chegamos a duvidar
e questionamos as afirmações
E como uma criança
Ensaiamos os primeiros passos.
O Anjo pega em nossas mãos
E olha profundamente em nossos olhos
E reinicia os nossos corações
Injetando ânimo, força e querer.
Voltamos a acreditar na vida
E abrimos todas as janelas
Nos alimentamos de verdade
E bebemos água fresca e cristalina.
Novos projetos surgem
Novas canções e poesias também.
O horizonte se expande
E voltamos a acreditar em nós!
Edson Luiz ELO
26 de Julho de 2021
É noite plena, misteriosa, envolvida em sombras,
a lua sem dono, vaga lentamente, distante,
imponente, nos leva a ter alguns sonhos,
Já é a hora do descanso do corpo
e da mente que precisa um certo abandono
entre lençóis, envolvendo-se docemente
Lá na amplidão tudo é silêncio profundo,
há um vazio e promessas de infinito,
ao dormir nada somos, apenas pausa da vida
numa canção que nem percebemos, tocamos...
em notas de amor afinado ou de saudade, um grito...
Quando envolvida em tédio,
segue a noite no estio,
e sobre as flores adormecidas
não há gotas de orvalho
em carícias,
apenas horas mortas
sufocadas pelo calor,
mas a canção da vida nunca para
e nem poderia pausar,
quando o que se vai no coração
é amor,
é doce sonho,
é um não querer
acordar
Neusa Marilda
No postremo vagão do trem,
tem alguém, no hemisfério da dúvida
de cabeça baixa, à vida
imaginando o dia,
uma folha branca na mão,
escrevendo...
na pausa,
o trem passou..
Tem dias em que tudo me cansa. Então, eu deixo de existir e, em silêncio, me enterro dentro de mim.
