Passo
O Enigma do Primeiro Passo
William Contraponto
O caminho desperta no primeiro passo,
abrindo o mundo sem se anunciar.
Do gesto nasce um tênue traço,
que à própria essência decide chamar.
Nenhuma voz secreta indica direção;
o ritmo surge ao se escutar.
Entre o peso do tempo e a indecisão,
a senda encontra modo de avançar.
Sem verbo fixo ou guia certeiro,
a trilha aprende a se configurar.
Há sempre vida no início ligeiro,
sutil convite para continuar.
Quando o silêncio cresce por inteiro,
um fundo sentido tenta despontar.
No intervalo se refaz o roteiro,
mínima música a respirar.
E se algo fica, é simples traço,
breve sinal a persistir.
Um sinal breve deixado no espaço,
prova de um instante a se cumprir.
A vida é uma passarela, há fases distintas, mas a cada passo dado, a gente descobre o que fizemos certo ou não.
O território proibido
É um labirinto de espelhos,
onde cada reflexo engana,
onde cada passo parece liberdade,
mas é apenas prisão disfarçada.
No amor, o território proibido
não se revela em mapas,
mas nas escolhas silenciosas,
nas palavras não ditas,
nos gestos que se perdem no vento.
A solidez pode ser miragem,
a certeza pode ser véu,
e o coração, cego pela vaidade,
se deixa guiar por promessas
que nunca se cumprem.
E então, o pântano se abre:
um chão macio que engole,
um silêncio que grita,
um arrependimento que floresce
como erva daninha no jardim da alma.
Quem não soube valorizar o real,
quem trocou o ouro pelo brilho falso,
descobre tarde demais
que o verdadeiro não retorna,
que o amor, quando ferido,
não se refaz com ilusões.
O território proibido é lição:
um aviso gravado na pele,
um eco que lembra,
que o presente é sempre mais precioso
do que qualquer fuga.
"O ranger do tablado, na madeira, cada passo.
A valsa, a dança, de rostos colados.
O pulsar do peito, o coração acelerado.
Eu amo tanto aquela mulher, que pensá-la, lembrá-la, faz-me enfermo, febril, débil, acamado.
Chega a doer o peito, maldição minha ter te olhado.
Eu a amo, só amo, não existe explicação, verso, religião, Deus, para um homem apaixonado.
Ah, amada minha, como que te amo, amo, amo tanto, que quando lhe sonho, me amaldiçoo por ter acordado.
Se morrer for eternamente sonhá-la, então, Pai, ceife minha vida, e não me acorde nem para o Juízo Final, meu pecado foi ter amado.
Fazei-me julgado.
Declarar-me-ia culpado.
Hoje a madrugada inundou o meu quarto.
A solidão, fria, veio deitar-se ao meu lado.
Acordei trêmulo, assustado.
A chuva lá fora parecia inundar a escuridão e o vento frio deixa-me arrepiado.
Ao longe, ouvi um trovão, senti a lágrima escorrer pelo meu rosto cansado.
O som ao longe lembrou-me de nós, de rostos colados.
O ranger do tablado, na madeira, cada passo...
Começo o ano correndo, confiando que Deus já foi à frente. Cada passo é fé. Cada quilômetro, entrega.
Insta: @elidajeronimo
Anacrônico
Carregar ideias anacrônicas
é como vestir roupas que já não cabem,
forçar o passo em sapatos gastos,
tentar reviver um tempo que já partiu.
Nada mais pesado que carregar pensamentos anacrônicos em tempos de mudança.
Pensar com ideias anacrônicas é viver preso ao passado.
A vida não espera relógios parados,
ela pede olhos que vejam o agora,
corações que se abram ao presente,
coragens que caminhem adiante.
O passado é raiz, não prisão.
O futuro é semente, não ilusão.
E o presente — esse instante vivo —
é o único solo fértil
onde floresce a transformação.
Refletir sobre o que já foi vivido é um passo fundamental para integrar as experiências e seguir adiante com mais consciência. O passado não pode ser modificado, mas pode ser compreendido, ressignificado e transformado em aprendizado, sem a necessidade de permanecer preso à culpa ou à ruminação.
Quando essa elaboração acontece, abre-se espaço para escolhas mais maduras no presente. Em um relacionamento, por exemplo, este processo se expressa na disposição para um diálogo profundo e honesto, que permita reconhecer limites, sentimentos e responsabilidades, conduzindo, de forma consciente, à decisão de reconstruir a relação ou de seguir o próprio caminho.
Chama e Centelha — Áries
És o primeiro passo, o grito que inaugura,
O clarão que rompe a madrugada.
Tens no olhar a coragem dos que não hesitam,
E no peito, o motor que nunca apaga.
Teu entusiasmo é contagiante,
Transforma rotina em aventura.
Sabes abrir portas com a força do ímpeto,
E viver como se o tempo fosse agora.
Mas… oh, Áries, o fogo que aquece também queima.
Teu impulso constrói, mas pode derrubar.
A pressa te leva ao topo —
E às vezes ao chão, no mesmo fôlego.
Teu orgulho é armadura e peso,
Tua franqueza, flecha sem mira.
A paciência? Essa, tu conheces de nome,
Mas raramente convidas pra ficar.
És faísca, és labareda, és amanhecer,
Tão rápido quanto o vento que muda.
Virtude e defeito correm juntos em ti,
No fogo indomado que é ser Áries.
Pedra e Cume — Capricórnio
És montanha que não teme o inverno,
Passo firme sobre pedras incertas.
Tens nos olhos o horizonte distante,
E nos ombros, a paciência do tempo.
Teu trabalho é ponte que não cede,
Tua ambição, fogo sob o gelo.
Sabes construir com mãos seguras,
E transformar sonho em obra concreta.
Mas… oh, Capricórnio, o peso da meta
Às vezes te rouba o sol da jornada.
Tua seriedade ergue muralhas,
E teu silêncio, desertos à volta.
A prudência que te protege
Também pode te prender no mesmo chão.
E teu apego à ordem
Por vezes engessa o voo.
És rocha que sustenta e protege,
Mas também penhasco que assusta.
Virtude e defeito se esculpem em ti,
Na ascensão sem fim de ser Capricórnio.
Pedra e Cume — Capricórnio
És trilha que não teme a subida,
Olhar fixo no topo, passo firme na rocha.
Tens a paciência como guia,
E a disciplina como fiel companheira.
Constróis sonhos com tijolos de realidade,
Sabes que o tempo é aliado, não inimigo.
És leal ao que prometes,
E raro quem consegue derrubar tua determinação.
Mas… oh, Capricórnio, o peso do dever
Às vezes te prende mais que te protege.
Tua seriedade ergue muros altos,
E teu silêncio deixa desertos no caminho.
A prudência que te salva
Também pode te roubar o voo.
E na ânsia de manter o controle,
Esqueces que a vida também é improviso.
És rocha que sustenta,
E penhasco que impõe respeito.
Virtude e defeito se moldam em ti,
Na escalada eterna de ser Capricórnio.
A dança mortal se inicia silenciosa, como um sussurro que fere.
Cada passo arranca pedaços de vida, cada giro desprende carnes do existir.
Lágrimas se congelam no ar, afiadas como lâminas que dilaceram a alma.
A vergonha, oculta nas sombras, apodrece devagar tudo o que ainda pulsa.
E o tempo tardio e veloz apaga o espaço, deixando apenas ecos perdidos entre palavrões que se perguntam:
“Por quê? Por quê?”
No horizonte, uma criança observa atenta a cena.
A estátua no alto do monte, outrora símbolo de glória, agora representa o fim dos tempos.
Ela cai não com estrondo, mas com um suspiro e arrasta consigo a elite.
No colapso, um novo tempo se abre.
Novos líderes nascem do caos, e até o extermínio se torna semente.
Porque ali, naquele mesmo monte, surge um vestígio…
Pequeno, quase imperceptível
Mas suficiente para lembrar que até a mais cruel das danças era, no fundo, apenas o recomeço.
Sobre a vida não podemos saber tudo,
mas viver é aprender a perguntar.
É no passo incerto do caminho
que começamos, enfim, a enxergar.
Talvez as respostas não gritem,
talvez apenas saibam esperar.
Moram caladas nas perguntas
que temos coragem de enfrentar.
A vida não se explica por completo,
ela se sente, se tenta, se refaz.
E quem aprende a viver perguntando
já encontrou mais do que respostas: paz.
Jamais dê um passo para trás quando estiver na presença
do Senhor, para que o seu caminho seja galardoado
de bênçãos.
Um passo de cada vez
Mesmo tropeçando em mim
Você me olhou com calma
Como quem vê até o fim - Frase da música Apenas um por cento do dj gato amarelo
