Passo
Ausências..
Foram nas ausências
que nos esquecemos.
A cada calar, era um passo
De volta, estou dobrando
A esquina.
Ode ao Caboclinho da Mata
( Êre/Entidade da Umbanda)
Caboclinho da mata,
dança leve, passo ligeiro,
teu canto e brincadeiras
ecoam no meu peito
como sopro de vento e alvorada...
traz nos pés a batida da terra,
nos olhos o brilho das estrelas,
no peito a força que não se encerra,
mistério que o silêncio revela
na brincadeira com o arco e a flexa...
és raiz e és folha,
és tambor e és pena,
és canto que nunca se desfolha,
força que em vida plena
sustenta no meu caminho
a proteção...
Caboclinho da mata,
meu menino guardião,
tua dança é oração,
tua luz é ponte entre o chão
e os céus na mata de encantação
és sempre presente no meu coração...
✍©️ @MiriamDaCosta
A vida é feita pra ser tocada com os pés descalços
A cada passo, cada compasso e a cada braço
GUILHERME DE ALMEIDA
Indiferença
Hoje, voltas-me o rosto, se ao teu lado passo. E eu, baixo os meus olhos se te avisto. E assim fazemos, como se com isto, pudéssemos varrer nosso passado.
Passo esquecido de te olhar, coitado! Vais, coitada, esquecida de que existo. Como se nunca me tivesses visto, como se eu sempre não te houvesse amado
Mas, se às vezes, sem querer nos entrevemos, se quando passo, teu olhar me alcança se meus olhos te alcançam quando vais.
Ah! Só Deus sabe! Só nós dois sabemos. Volta-nos sempre a pálida lembrança. Daqueles tempos que não voltam mais! Guilherme de Almeida
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Um sábio me dizia: esta existência, não vale a angústia de viver. A ciência, se fôssemos eternos, num transporte de desespero inventaria a morte. Uma célula orgânica aparece no infinito do tempo. E vibra e cresce
e se desdobra e estala num segundo.
Anacrônico
Carregar ideias anacrônicas
é como vestir roupas que já não cabem,
forçar o passo em sapatos gastos,
tentar reviver um tempo que já partiu.
Nada mais pesado que carregar pensamentos anacrônicos em tempos de mudança.
Pensar com ideias anacrônicas é viver preso ao passado.
A vida não espera relógios parados,
ela pede olhos que vejam o agora,
corações que se abram ao presente,
coragens que caminhem adiante.
O passado é raiz, não prisão.
O futuro é semente, não ilusão.
E o presente — esse instante vivo —
é o único solo fértil
onde floresce a transformação.
O Vaso
Sou cercada de aplausos sempre que por ruas alheias passo,
Sou eco quente nas mãos de quem não me conhece, sou sorriso devolvido,
Por todo lado tem olhos que me vestem de encanto como se eu fosse primavera permanente.
Elogiam minha beleza como quem acende fósforos, rápidos, breves, ardem e esquecem-se do frio depois.
Dizem amar-me sem nunca terem atravessado o meu inferno.
Mas em casa, onde o silêncio devia ser abrigo,
Me torno num mero objeto pousado no centro da mesa, um vaso que não escolheu ser decoração.
Todo ele rachado em quedas repetidas, nas mãos de um artista em negação, e o mesmo insiste em colar-me como se remendar fosse amar.
Duzentas vezes quebrada, duzentas vezes inteira por obrigação.
Não por cuidado, não por ternura,
mas porque lhe convém manter-me junto dele.
Ele não me ama,
não pergunta se o mundo me pesa, não escuta o som fino das minhas fissuras.
Importa-lhe apenas que eu ainda sirva, que eu ainda ceda, que eu ainda esteja viva.
E eu,
Exaltada por estranhos, rainha de palmas vazias,
regresso sempre ao palco onde não existo.
Sou multidão fora, e ausência dentro.
Sou escolha para quem não me escolhe, certeza para quem me trata como hipótese.
E no fim de cada aplauso,
quando o som morre e o eco se dispersa, fico eu, inteira só na aparência, a aprender devagar que nenhum vaso nasceu para viver colado.
Escritora: Paula Maureth Adriano Soares
“Ver-se é o primeiro passo para libertar-se. E libertar-se é o início de caminhar com a alma inteira.”
“Cada escolha por ser autêntico é um passo na direção da inteireza.”
- do livro Fractais do Infinito
Para sempre ao teu lado
Dia a dia...passo a passo
Eu posso sentir tua presença
Estreitando o nosso laço
Laço feito de infinito,
Mas que sentimento bonito!
Pai, tua presença é força que impulsiona
Para a vida me direciona
Que Deus sempre o fortaleça e
De mim nunca se esqueça...
Que pela estrada da vida
E por toda a eternidade
Sua mão entrelaçada a minha
Seja a minha estrela- guia
E no barco desta vida
Para sempre me conduza...
Na noite tensa de um passo incerto,
ergue-se o medo, denso e desperto.
No peito, o pulso corre ligeiro,
entre o instinto e o mundo inteiro.
Não busca a guerra quem quer viver,
nem deseja ferir, nem quer sofrer.
Mas há momentos — duros, fatais —
em que a paz se desfaz nos vendavais.
É quando a vida, em risco iminente,
clama por força, firme e urgente.
E a mão que treme, sem desejar,
torna-se escudo para se guardar.
Não é vingança, nem ódio cego,
é o direito de não ser entregue
à sombra fria da injusta mão
que ameaça o corpo e o coração.
Legítima defesa — nome austero,
carrega o peso de um ato sincero:
proteger o sopro que insiste em ficar,
quando tudo parece desabar.
E após o eco do gesto tomado,
fica o silêncio, denso, marcado.
Pois mesmo justo, o ato em si
deixa cicatrizes dentro de quem o ouviu e o fez ali.
”À medida que o tempo avança, liberto-me das algemas da vaidade e passo a transitar com leveza entre ideias e ideais.”
Se negligencio minhas experiências, não supro minhas necessidades.
Se não passo pelo "processo de me permitir sentir ou viver algo", adoeço.
Toda emoção busca ser processada. Ela possui um destino. Ela busca ser satisfeita, sentida, vivida, presenciada, compartilhada.
Será que estamos permitindo isso?
É justamente isso que busca o nosso corpo: a autorregulação organísmica.
Ainda que o tempo nos tire o viço e silencie o passo, a voz do coração jamais envelhece para dizer: meu pai, minha mãe, nossa gratidão é o que nos mantém de pé.
