Partidas
Só queria não precisar de ninguém. É complicado, porque partidas são inevitáveis, e poucos são aqueles que estão dispostos a abrir mão de tudo por alguém.
Eu não me dou bem com nada, sabe? E quando eu digo nada, é nada mesmo. Não sei lidar com partidas, mentiras, comigo mesma. É complicado demais. Primeiro que todo mundo entra na minha vida e vai embora, eu já devia estar acostumada mas não dá. Não dá porque... Porque sim! Ora, ninguém nunca está preparado pra perder alguém! Mentiras também são um dos meus demônios, porque eu minto demais pra mim e todo o resto das pessoas, também. É difícil. Me entenda: você cria um mundo inteiro, sua vida, em cima de uma base instável mas que, para você, parece firme, tão firme quanto o Everest e, quando você menos espera, tudo aquilo que você levou dias, meses, anos pra construir é levado ao chão em segundos... Isso acontece sempre comigo. Eu aprendi a conviver com isso. Mas o pior é ter que lidar comigo mesma. Livros de autoajuda, psicólogos, psiquiatras não ajudam em nada. Só me fazem ter mais dúvidas. Você acha que as duas guerras mundiais foram grandes e devastadoras porque não conhece a que vive em mim. A primeira e a segunda guerra tiveram fim, e a minha? Ela tá aí desde sempre. E não teve fim. Todo dia é um conflito diferente. Você pode ser a pessoa mais solitária do mundo mas pelo menos tem a você mesmo. E quanto a mim? Além de não ter ninguém, eu não tenho a mim mesma, eu sou meu pior inimigo. Todo mundo me machuca, o.k. Mas eu faço um estrago bem maior porque, afinal, eu sei de todos meus medos, de cada ponto fraco meu e eu sei atingi-los de uma vez só. É por isso que eu me isolo, sabe? Sozinha eu me entendo, me arrumo, me conserto. Apesar dos apesares. Quer dizer, até quando todo mundo vai embora, eu continuo lá, me fazendo companhia. Eu não me dou muito bem comigo mas fazer o quê? Eu só tenho a mim, mesmo não me tendo.
Ricardo Cabús
SIMBIOSE
(Estações Partidas)
Não, deixa-me aqui
Talvez pense em ti
Mas agora me deixa
Pois caso eu me queixe
Do seixo, da gueixa
Ou do caroço da ameixa
Será porque foste com certeza
Algum dia simbionte
Não pouco, mas um monte
Da minha vida, com tristeza
Ricardo Cabús
O RELÓGIO E O TEMPO
(Estações Partidas)
Não adianta olhar o relógio
Nem adiantá-lo tampouco
Pois pouco importa a sua vontade
De mudar o tempo
O tempo não adianta
O tempo não atrasa
O tempo é o tempo
Senhor total da situação
O tempo reina calado
Ricardo Cabús
ESPERAR
(Estações Partidas)
Quando espero
O que mais me angustia
É a passividade do ato
De fato
Ser passivo me incomoda
Poda
O tempo é meu inimigo
O silêncio é meu inimigo
O pensar é meu inimigo
Amigo é quem chega na hora
Vou-me embora !
Ricardo Cabús
QUATRO ESTAÇÕES
(Estações Partidas)
Cinquenta Invernos
Uns Verão
Cem Outonos
Nem a Prima Vera
Ricardo Cabús
QUASE SÓ
(Estações Partidas)
Estou quase só
Quase, porque você não sai da minha mente
Só, porque estou sem você
Ela já sofreu tanto com as partidas, que para evitar a dor da despedida não permite que mais ninguém se aproxime.
O dia passa na tela da vida, chegadas e partidas
a noite chega dissimulada transforma tudo em escuridão novo cenário se nessa noite a saudade bater na sua porta, deixe-a entrar. Mais tema cuidado a Saudade custuma fazer sofrer quem não aprendeu a sonhar. O sono chega e trás com ele uma trégua com passagem só de ida ele é amigo dos que tem sorte, mas os que o perdem e não o encontram, se aproximam da morte.
Eu já era pra está acostumado a partidas, as pessoas me deixarem.
Mas como a gente se acostuma a algo ruim? É meio difícil, sempre doí, sempre vai um pedaço nosso junto.
Até não mais existir nada..
Sobre partidas
Depois que ele partiu, os sons ficaram diferentes. Ouvia o barulho do relógio, dos carros, ouvia o riso lá fora, longe. Parecia tudo de outro mundo, achava tudo estranho. Amava tudo isso, coisas cotidianas, mas sentia falta das mãos, dos olhos e do sorriso, das conversas. Sentia falta da porta se abrindo, da bagunça, daquela vida suave. Procurava, procurava e, estranhava, só conseguia encontrar o seu amor no silêncio. No silêncio aprendeu outro jeito de amar, como se comungasse com alguém muito maior, e Ele, bondoso, devolvesse as memórias de tudo que havia sido bom. Dormia abraçada com suas lembranças e, nessas horas, no meio da dor, até paz sentia. No silêncio aprendeu outro jeito de amar quem partiu e quem ficou.
Sobre Partidas
Hoje eu vim falar de fim.
Um dia todos partem, todos seguem caminhos diferentes. Ninguém pode e nem deve prender-se a algo. O que devemos manter em mente é o bem que o outro nos proporcionou e o bem que nós proporcionamos ao outro.
A vida é um eterno semear. Sempre podemos deixar com o outro alguma boa semente. E mesmo que um dia todos partam por caminhos diferentes, essa semente poderá germinar e ajudar o outro na sua nova caminhada.
Um dia todos partem, até nós iremos partir, podemos escolher caminhos diferentes do outro. O que levamos é apenas nós mesmos, as nossas histórias, os aprendizados, as nossas sementes. Sementes essas que podem ter sido deixadas pelo outro também.
Se o outro quiser caminhar ao nosso lado lado será ótimo, mas se resolver partir, também será ótimo. Pois o outro aprendeu tudo o que foi preciso ao nosso lado. Não podemos nos apegar naquilo que não é nosso.
O outro sempre vai estar ao nosso lado, mas nunca será nosso, nunca será algo de propriedade nossa. O outro é assim como nós, que escolheu alguém para compartilhar, aprender, dividir os aprendizados da vida.
Está aí uma coisa que devemos entender: Ninguém é de ninguém, nós somos de nós mesmos. Quando entendermos isso não existirá a dor de ver o outro partir, nem a dor de deixar o outro partir.
Vai ficar a felicidade do outro poder ter estado na nossa vida, de poder ter dividido o tempo ao nosso lado. Vamos estar felizes pelo outro também poder fazer outros felizes. Vamos estar felizes pelo outro também poder conhecer outros caminhos, outros mundos.
Separações, despedidas não precisam ser tristes. Na verdade nunca nós separamos por completo de ninguém, sempre deixamos um pouco de nós no outro e levamos um pouco do outro em nós. No fundo somos todos um.
Questão de tempo, partidas das horas, ventos trazendo a briza do mar, longe está a minha cidade, e perto sinto nós, da nossa liberdade!
Não quero mais nada me indicando as horas! Voltar?
Ou partir para outra história.
BN1996
18/08/2020
Entre chegadas e partidas, o amor costuma ficar sempre no meio do caminho. Porque o amor sabe que no início do caminho, ele dará a partida. Porque o amor também sabe que no fim do caminho, ele faz a chegada. Porque o amor inteligentemente sabe que o meio do caminho liga os dois extremos, e que entre chegadas e partidas, ele será o melhor condutor dessa fascinante jornada.
Eu vi coroa de flores, partidas recentes
Futuros promissores acabarem de repente
Deixando a tristeza que paira entre a gente
Uns de maior idade e outros adolescente
Todo convívio traz lições e somos nós que mudamos entre chegadas e partidas. Quanto mais tivermos em nós a consciência de que somos capazes de tirar experiências positivas mesmo em situações difíceis, de também não deixarmos que os traumas tomem conta da nossa vida, mais aproveitaremos a nossa trajetória, quer seja sozinho, quer seja ao lado de alguém.
A felicidade vem para quem está aberto para ela.
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