Palavra Sábia
Aquele que ainda não preparou seu corpo para as cicatrizes, não está pronto para as batalhas da vida.
Livros abertos
Quando menina gostava de livros abertos
Parecia que a qualquer instante bateriam asas, alçariam voo pela janela
Suas folhas me lembravam gaivotas
Aquelas que desenhávamos em nossos pores de sol no papel
Cresci!
Descobri que não era imaginação
Livros abertos sabem voar
Quando menina eu tinha razão.
No tempo, para alguns, a pergunta é: ONDE ESTÁ O ERRO? Já para outros, ela se inverte: QUAL FOI O MILAGRE? ou QUAL FOI O ACERTO? A verdade é que só A VIDA pode responder. Ela é UM SOL que abrange seu brilho a todos. Uns se deixam levar pela luz desse sol, outros preferem sombras, e assim, os caminhos vão mudando diante desse sol ao passar dos anos. Ao final, uns dirão: VALEU MUITO A PENA. Outros refletirão: EU SOBREVIVI. Essa é a vida e não há como fugir disso. Só espero dizer amanhã que tudo valeu, e valeu muito, porque agora, é indeciso, incerto... Porém, ESPERANÇOSO.
Cabelos brancos.
Dizem que é da idade, outros falam que é a tal da genética.
Escolho pensar; que cada fio refere-se a mais um ano ao seu lado. Me tranquilizo saber que ainda restam muitos fios a embranquecer, esposa amada.
SEGREDO DAS FOLHAS EM BRANCO
Nas folhas em branco há sempre algo escondido
Parece até que guardam segredos
Uma poesia
Um conto
Uma prosa
Às vezes até uma carta de amor
Em outras uma despedia
Gosto das folhas em branco
Acho que elas imitam a vida.
Elis Barroso
Mulher: Existi as capachos e as deusas. As inteligentes e as mulas. E um homem medíocre a ver as mulheres como um ser ao contrário do homem, que precisa crescer, aprender, evoluir como pessoa, como indivíduo. E a sim também igual ao próprio homem.
Um macaco viu um peixe dentro de um rio e como não conhecia este tipo de animal ele apressou-se a tirá-lo da água com receio que o peixe se afogasse. Então viu o peixe pulando e achou que estava feliz por tê-lo salvado mas em seguida percebeu que ele morreu e pensou “pena que eu cheguei tarde demais para salvá-lo”, nos ensina uma fábula africana a procurar sabermos se podemos realmente ajudar alguém, se querem nossa ajuda e se nossa ajuda realmente fará bem o outro, pois além de tudo temos que respeitar o tempo do outro e sua organização psíquica para que não promovamos mau maior.
O meu coração tá aqui preta,
esperando cê voltar nega.
Volta logo pra juntim, pra seus beijos eu roubar.
O que foi fazer ai, longe do seu habitat?
Vem correndo pro pretim, ele sabe te amar.
Não sou detentor de uma toga, logo não sou juiz, mas tenho o direito de manifestar meus pontos de vista e defende-los veementemente. Se realmente está preocupado comigo por acreditar que estou eu equivocado, convença-me de tal e serei eternamente grato.
A CENSURA não parte do poder, a censura parte do próprio povo. Quando alguém diz o que você deve ou não POSTAR numa rede social, por exemplo, já é uma forma de censura, ou pelo menos a aceitação dela... Tem uma frase do Malkovich que é perfeita para ilustrar isso que estou dizendo: "Não me preocupo com o nazista que cruza comigo na rua. O que me preocupa é o nazista que vive dentro de mim.” Precisamos ser mais tolerantes, civilizados e respeitar mais a opinião das pessoas, sobretudo, quem é original, criativo e não se delira com o pensamento alheio. É preciso aceitar que existe um mundo diferente (fora ou dentro) da "caixinha" que não seja a sua.
O mundo pode não querer me ouvir mas eu faço questão de verbalizar o que penso pois quero estar com a consciência tranquila de que falei tudo que acredito que deveria ser dito.
Muitas pessoas desmerecem algo não por compreenderem conscientemente de que não tem valor, mas por não terem capacidade de compreender o quanto valioso o é.
Uma pessoa que possui segurança ao ser injustiçada desenvolve a compaixão ;ao enfrentar as incompreensões adquire sabedoria.
A mulher medíocre na vida de um grande homem, soaria como uma pesada âncora a cair no mar. Que amarrada aos seus pés o arrasta para as profundezas do mar profundo.
O pato e a galinha
Imponente e bem seguro, Lorde-pato aprumou-se à beira da lagoa. Passeou o olhar pela superfície plácida que se estendia a sua frente e à margem verdejante, antes de arriscar alguns passos vacilantes. O sol, decerto lhe fez mal. Perambulou até encontrar descanso nas raízes de um tronco e ali adormeceu.
Algumas horas depois, acordou com um leve toque em suas asas.
– Não está me escutando, galinha Arabel?
– Quem? – questionou o pato, ainda sonolento – Uma galinha?
Mas a voz insistiu:
– A senhora anda muito dorminhoca ultimamente... – disse a toupeira risonha para um pato agora acordado e muito perplexo. – Esqueceu-se de que me pediu notícias de sua irmã no sítio vizinho?
O Pato não se conteve: – Dona Toupeira, acaso está me confundindo com uma galinha? Não vê que sou Lorde-pato?
A toupeira emitiu um ruído de surpresa – Ora, mil perdões, Sr. Pato. Ao tocar sua plumagem tão macia, pensei que se tratasse de Arabel. Não enxergo quase nada e, por isso, sempre marcamos nossos encontros próximos ao Ipê.
– Pois bem! Era só o que me faltava! Uma toupeira a tratar-me feito galinha...
– E ambos não possuem um parentesco próximo? Qual o motivo da ofensa?
– Ora, pois! O fato de ser um mamífero não o eleva a condição de uma ovelha!
– Nem o pretendo ser – ponderou a toupeira constrangida.
O pato se levantou e bateu as asas num protesto.
– Caso não saiba, sou doutor na arte de ensinar a postura ideal às aves da Fazenda. Tenho títulos e prêmios que venho adquirindo a cada torneio. Já fui campeão três vezes na modalidade mergulho e meus voos atraem visitantes de todos os cantos, pois foram registrados como aparições inesquecíveis. E, num engano infeliz, vem o senhor atribuir-me a qualidade medíocre de uma galinha.
Nesse momento, já presenciando o diálogo há algum tempo, protestou Arabel:
– Ei, calma aí! Posso saber como se dá o direito de me chamar de medíocre? Sou mãe de mais de duzentos filhos... pintos que fui obrigada a ver partir sem escolha. Eu e minhas companheiras contribuímos para o sustento da fazenda com nossos ovos e ciscamos todo o terreiro ao redor da casa, recolhendo insetos, impurezas e até serpentes. Não se esqueça de que fazemos parceria na cata de parasitas do gado. Além disso, os galos anunciam cada amanhecer, cronometrando o tempo de descanso e lida dos trabalhadores. Está certo, patos são patos e galinhas são galinhas. Somos aves diferentes, papéis diferentes, mas ainda assim aves e nossas conquistas ou títulos não nos segregam em categoria de melhor ou pior. Não exiba seus prêmios como se fossem capazes de diminuir a minha história de vida. e se quer um conselho desta galinha que voz fala, não perca tempo em provar que é superior, a verdadeira sabedoria não está no fato de se tornar um mestre, lorde ou seja lá o que for, mas em reconhecer as diversidades e entender que além do que somos ou podemos ser, existe um mundo ao nosso redor. O que é grande se revela por si só.
Após trocar algumas palavras com a toupeira e marcar novo encontro, a galinha partiu ofendida. E lorde-pato esteve a refletir sobre a colocação de Arabel durante toda a noite. Afinal, sempre se preocupou tanto em aperfeiçoar-se para ensinar os outros patos, que se esqueceu de aprender.
Na manhã seguinte, o pato tomou uma decisão. Sua influência de mestre não seria em vão. Até a próxima temporada, estaria aberto o centro de reflexões filosóficas para as jovens aves. Seria um espaço ideal para a convivência dos filhotes que, independentemente da origem, iniciariam seu desenvolvimento interior, na arte de saber respeitar e valorizar as diferenças, desde a mais tenra idade.
A logística da minha lógica difere da sua, logo, a sua logística para mim não está se fazendo lógica.
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