Paixão
Meu Quarto
És um quarto cansado
Exiges de mim constante meia luz
Acato.
Bem sei que não é capricho
Tens vergonha
Teu antigo papel de parede está
por demais desbotado.
Cúmplice, disfarço.
Sobre a cômoda porta retratos e
a espessa camada de um pó de lembranças.
Apenas olho
Não me atrevo a tocar nos rostos bonitos
Exiges que eu não me aproxime
Me tomas por desastrada
Uma mísera esbarrada de mão,
tudo espalhado na tua penumbra.
Cúmplice, te preservo.
Tenho pena de ti mais que de mim mesma.
Minha culpa
Acostumei-te às minhas paixões
As cortinas do dossel sempre abertas
Você a espionar infinitamente as noites de amor.
Cúmplice,
Forjavas o aconchego
Segurou cheiros que devolvia vaidoso com beijos de perfume.
Tocava os corpos sobre a cama
Roubava-lhes o calor que alimentou as cores vivas das suas pálidas paredes
Esbanjou às custas das paixões que em ti vivi.
Há muito não as trago mais.
Cúmplices, padecemos juntos.
Abraçar uma pessoa, se sentindo nos braços de outra... Beijar uma pessoa imaginando ser o lábios de outra... Entregar seu coração a pessoa... que você queria que fosse outra!!😞
Confidente
Da minha janela
Olho para além do céu estrelado
Contemplo a lua cheia
Linda e radiante
Estás tão distante
Ao mesmo tempo
A sinto tão perto
E não posso tocar-lhe
Lua, lua, lua
Não contes
Meus segredos
Que a ti são revelados
Sei que me compreendes
Minha eterna confidente
Que acalenta minhas
Noites inacabadas
Quem me dera
Quem me dera voar como a águia... esquecer que ao longo da vida perdi algumas penas e outras que foram arrancadas
Quem me dera contemplar a aurora do amanhecer a beira de um penhasco onde nasce a flor rainha do abismo
Quem me dera sobrevoar o oceano acima das nuvens escuras onde o céu permanece azul e o sol radiante
Quem me dera despender das velhas penas, bicos e garras curvadas e voar sem destino pré definido
Quem me dera cruzar o céu ao som da brisa suave, bailar e cantar a mais bela canção
Quem me dera alçar voo ao seu lado sem olhar para trás... pois o universo é pequeno e a vida curta demais
Quem me dera, quem me dera
Se permitir abrir suas asas
Se permitir ver a vida além do horizonte
Se permitir um novo caminho
Se permitir uma nova história
Se permitir voar ao meu lado
Quem me dera, quem me dera
Será?
É madrugada
A lua sussura-me algo
Porém o vento dispersa as palavras no ar
Não permite que eu as ouça
Será que a lua também conversa contigo?
Diz-lhe o quanto te amo...
Diz-lhe que nas madrugadas corro para a sacada imaginado que está vindo ao meu encontro...
É madrugada
A lua sussurra-me algo
O vento já não se importa
Meu coração chora ... chora a sua ausência
Me diz
Reamente existe ou será fruto da minha imaginação?
Nos meus sonhos és tão real
Do nada invade minha mente, meu coração, minha alma
Por onde andarás ... sinto que existe em algum lugar
Quem sabe vagando em algum relacionamento vazio e exausto de me procurar
Tenho te procurado a cada segundo, dias, meses e anos
Meus dias e noites são longos e vazios
Despertar é doloroso e adormecer traz um breve descanso da procura implacável por você
És tão real quanto o vôo de uma águia
e abstrato como a brisa do mar
Nos meus sonhos, sinto que está chegando...
Reamente existe ou será fruto da minha imaginação?
Me diz
Sentimentos adormecidos
Antes da estrela do dia acordar
Abri asas em voo solitário
Rasguei penhascos e oceanos
Em busca do tudo em busca do nada
Alimentei-me de outrora esquecida entre nuvens escuras
Bebi o cálice amargo do abismo entre nós
Seu nome ecoou através de gritos sentidos
Acordando lembranças de outros tempos vividos
Solitária como águia fiz do deserto morada
Icebergs aqueceram minha alma gelada
Sonhos guardados deslizaram entre os dedos
Caíram sem chance de serem alcançados
No peito coração partido batia o pranto da dor
Nos lábios o canto cinzento sufocou o canto da fonte
O véu que abraçava o silêncio dissolveu com a voz do trovão
Acordando raios que iluminaram sentimentos adormecidos
UNIVERSO NO OLHAR
Garota facinante,
Deixa eu ser tudo
Que seus olhos desejam,
Principalmente eterno amante !
Seja só minha opção
Que serei só seu,
Deixa eu lhe dar o céu
E você o seu coração !
Cada vez que penso
E vejo você,
Em meus olhos enxergo um universo !
EU SOU POETA!
Hoje, sem menos
Decidi cair aqui
Escrevendo esse poema
Para registrar o momento!
Cá estou eu,
Falando com você,
Olhando a lua
Ouvindo um ídolo meu!
Onde no trecho exclama
“eu sou um poeta,
E não aprendi a amar!”
Logo eu revido e vou cantar,
Eu sou um poeta
E vim para lhe conquistar!
Tu és meu divisor de águas
A resposta de minhas orações
A separação do antes e depois
A união de todas as conclusões
ESPERANDO CATEDRAIS.
Se nada há para dizer, seja silêncio. Deixa que as palavras sejam guardadas como velhos objetos que já não decoram adequadamente o ambiente e se tornaram fora de lugar.
Se há a falta, seja o vazio preenchido do que importa. Não se incomode com a ausência se tudo é presença e não há espaços para a solidão. A saudade é também um modo de encontro na alma.
Se há tristeza, submeta-a como fazem os vencedores em uma guerra aos vencidos. Deixa-a prantear-se sozinha até o esgotamento de si e olha para o dia seguinte como a certeza do sorriso que chegará.
Se há saudade, come-a para que não lhe devore. Crava os seus dentes como se cravam na carne de quem se ama, com a mesma paixão e vontade. A saudade nunca será amiga, mas será companheira de jornada até o abraço e o beijo.
Se, por fim, há amor. Seja ele silêncio, tristeza, falta e saudade. Porque sabe ser espera, sonho e certeza. Amor que se constrói como se erguiam as grandes catedrais: a antevisão da obra pronta animava o processo devotado de construção pelos anos e anos sem fim...
