Pai para Filho Recém-Nascido

Cerca de 19056 frases e pensamentos: Pai para Filho Recém-Nascido

Estado de Suspensão


Pareço ter nascido em coma,
entre o despertar e o esquecimento,
como quem abre os olhos
sem jamais alcançar a vigília.


Tudo anuncia um princípio,
como a aurora que promete eternidade,
mas, antes que o primeiro passo encontre o chão,
o caminho já se dissolveu.


As sementes ensaiam romper a terra,
contudo, fenecem antes da primavera.
Os horizontes acenam com abundância,
e recuam no instante em que me aproximo.


Nada se concretiza.
As formas apenas simulam permanência.
O futuro veste-se de certeza,
para despir-se em um único piscar de olhos.


Coleciono começos
como quem herda ruínas.
Cada esperança ergue um edifício,
e cada instante o reduz ao pó.


Talvez a vida seja apenas
uma arquitetura de miragens,
onde tudo parece prestes a existir,
mas escolhe permanecer possibilidade.


E sigo...
não entre vitórias ou fracassos,
mas entre o quase e o jamais,
como alguém condenado
a contemplar o nascimento das coisas
sem nunca assistir ao seu florescer.

"A verdade é que, se perguntassem a cada ser humano se ele realmente desejou ter nascido, talvez a maioria respondesse que não."

⁠Como que Jesus morreu por mim se eu nem havia nascido?

Cristo, na cruz, pagou o preço de sangue o valor dos nossos pecados; Ele não precisava esperar você nascer para fazer isso, assim como a Lei áurea assinada pela princesa Izabel serviu para os negros ainda não nascidos.

O céu não tem dress code religioso, mas quem é nascido de novo reflete a dignidade de Cristo em qualquer lugar.

Sou um renascentista


Talvez eu tenha nascido fora do tempo,
mas minha alma caminha pelas ruas de Paris.
Não as ruas apressadas do turismo,
mas aquelas onde a madrugada ainda cheira a vinho, tinta e papel.
Onde os músicos tocam como se o destino dependesse de um acorde
e os poetas bebem a lua em silêncio.
É ali que existo — entre o som e a palavra,
entre o piano e o abismo.
Sou um renascentista: músico, poeta, pianista.
Vivo entre o sagrado e o profano, entre o vinho e o verbo.
Cada nota que toco é um pedaço de mim tentando renascer,
cada verso, uma confissão que o tempo não conseguiu apagar.
Não bebo para esquecer, bebo para lembrar —
que a vida, como a arte, é feita de breves eternidades.
Quando sento ao piano, sinto Paris me ouvir.
Os fantasmas de Debussy e Ravel espiam por sobre meu ombro,
e o Sena, lá fora, parece repetir minhas notas nas águas.
O poeta em mim escreve o que o músico sente;
o músico traduz o que o poeta pressente.
É uma comunhão silenciosa entre o som e o pensamento —
a forma mais bela de loucura.
Ser renascentista é não aceitar a indiferença dos tempos modernos.
É crer que a beleza ainda pode salvar,
que o corpo é templo e o amor é arte.
É brindar com o vinho e com o caos,
com a esperança e o desespero,
porque tudo o que é humano é divino quando há música no coração.
Sou um renascentista.
Poeta, músico, homem que vive nas ruas de Paris —
onde o tempo se curva diante de um piano,
e o vinho se torna prece nas mãos de quem ainda acredita
que a vida é, acima de tudo, uma sinfonia inacabada.

Emanuel Bruno Andrade (nascido a 19 de maio de 1976, em Nazaré) é um artista plástico autodidata, poeta e jardineiro profissional residente em Lisboa (Beato). A sua prática artística, iniciada em 1997, explora a intersecção entre a pintura física tradicional e as artes digitais, movendo-se pelos campos do abstrato, do gestual e do imaginário.
​Percurso Artístico e Exibições
​Exibições Individuais: Conta com 6 exposições individuais de destaque, incluindo projetos como Linhas da Vida, Ontem, Monumental, Átrio, Na Guelra da Veia e Cerne (apresentada no Hotel SMY Lisboa).
​Exibições Coletivas: Possui 10 participações coletivas, com forte presença em hotéis de prestígio e luxo de Lisboa em parceria com a Arca Gallery (como o Hotel Hilton, One Palácio da Anunciada, Corinthia e DoubleTree by Hilton), além de ter integrado mostras de relevo no Centro Cultural de Belém (CCB), no Museu da Marinha e no El Corte Inglés.
​Projeção Internacional: Participações em grupos online internacionais e seleção para o ARTBOX.PROJECT Zürich 8.0 na SWISSARTEXPO, na Suíça.
​Linguagem Criativa e Inovação
​Fusão Tecnológica: Cria obras originais explorando acrílicos, óleos, impasto e técnicas de espátula sobre tela, madeira e metal, complementadas por ferramentas digitais e inteligência artificial. Realiza a materialização física da arte digital através de impressão UV de alta precisão e texturas de relevo em painéis de alumínio Dibond e acrílico.
​Moda e Design: Desenvolve o conceito de arte vestível e design de moda sob a marca EBA, integrando padrões de obras originais com têxteis de wax africano.
​Escrita e Obra Literária
​Poesia e Antologias: Escreve poesia em prosa e verso, contando com colaborações em várias antologias de poesia contemporânea portuguesa publicadas pela Chiado Books e Atlantic Books, incluindo as obras coletivas Lisboa Cidade Mágica e Porto – Uma Cidade Com Alma (Tomo II).
​Narrativa: Autor da história infantil Acreditar no transformar (centrada na figura do Capitão dos Sonhos) e da epopeia contemporânea inspirada em Os Lusíadas.
​Media e Intervenção Social
​Televisão e Rádio: Participou em programas de grande projeção nacional, incluindo entrevistas na SIC com Júlia Pinheiro, no programa Bem Vindos e À Tarde no Kubico na RTP África. Realizou abordagens radiofónicas na Rádio Belém em defesa de pessoas vulneráveis e partilha de testemunhos de vida.
​Oficinas e Comunidade: Facilita oficinas de expressão artística e desenho (como carvão e pastel de óleo) voltadas para o desenvolvimento pessoal e comunitário. O seu acervo artístico conta também com representação de obras no Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa (Júlio de Matos).

O melhor do Brasil é o seu povo,
esse povo múltiplo, nascido da mistura de etnias, culturas e histórias
que tece, dia após dia, a grandeza do país.
O pior do Brasil é o persistente complexo de vira-lata,
ainda encarnado em parte desse mesmo povo,
submisso às velhas soberbas imperialistas e às heranças coloniais
que insistem em moldar mentalidades e destinos.


O melhor do Brasil é o seu povo:
um mosaico vivo de sangues, cores, vozes e batalhas,
uma multidão que insiste em ressurgir,
mesmo quando o país tenta afogá-la no próprio descaso.
O pior do Brasil é o vírus antigo do vira-latismo, essa servidão tatuada na alma,
herdada de grilhões que nunca foram quebrados,
apenas polidos, disfarçados e impostos como destino.


O melhor do Brasil é seu povo plural,
tecido de afetos, tambores e memórias,
um jardim humano que floresce
nas línguas, nos ritmos e nas mãos que constroem cada amanhecer.
O pior do Brasil é o velho eco colonial
que ainda assombra corações e gestos,
um sopro servil que tenta calar a própria grandeza
e dobrar-se diante de poderes que não lhe pertencem.


O melhor do Brasil é o seu povo,
gente que me lembra casa, abraço, cheiro de comida na panela,
gente que ri alto, que sofre fundo, que segue apesar de tudo.
O pior do Brasil é essa tristeza educada,
esse medo de ser grande,
esse reflexo de se curvar ao que vem de fora
como se faltasse orgulho na própria pele.


O melhor do Brasil reside no povo,
na vastidão existencial de sua diversidade,
onde identidades múltiplas se encontram
para criar um sentido coletivo de ser-no-mundo.
O pior do Brasil é o complexo de vira-lata,
uma sombra psíquica herdada da história,
que transforma a autodúvida em hábito
e a subserviência em uma forma trágica de pensar o próprio destino.


✍©️@MiriamDaCosta

ZÉ VOLANTE E MERCEDINHA (BOLEIA DA 1313)


Depois de haver nascido na boleia da 1313 e ter meus primeiros dias dentro dela vívido, fiquei uns tempos distante, pois meu pai, Zé Volante, uma viagem longa havia conseguido.
Quando ele retornou, eu já estava um pouco crescido. Lembro-me bem do ronco do motor e da buzina, que era aquele estampido. Meu pai chegou, saí correndo aos gritos, abracei meu velho e fiquei admirando sorridente a Mercedinha, meu caminhão magnífico.
Saltos de felicidade de longe eram vistos, atraindo as atenções de familiares e amigos. Logo todos entenderam que Zé Volante chegou, e a 1313 tá consigo. Minha mãe chegou e juntou seu abraço comigo. Pegamos o velho pelos braços e levamos para casa, seu segundo abrigo.
As histórias de viagem ainda hoje trago comigo, pois me lembro até das caronas que ele dava aos amigos. Passando por Ilhéus, quem pegou carona foi Jorge Amado, porque estava apressado para o lançamento do livro “Gabriela, Cravo e Canela”.
Um dia, logo no amanhecer, para mim foi inesquecível. Meu pai me chamou para viajar dentro da boleia daquele caminhão incrível. Eram tantos detalhes: luzes, painéis, botões, chaves, alavancas, volante e a visão do motorista, nada passou despercebido.
Fiquei abestalhado de tanta alegria, querendo tudo conhecer, e muita euforia envolvia o meu ser. Eram tantas perguntas que mal completava uma, e a outra já queria saber. Fui viajando num imaginário de tantas viagens.
As paisagens, cidades e amigos compõem a felicidade que um dia iria conhecer. Essa minha primeira viagem me deu a certeza de que um bom motorista eu queria ser. E, em breve, junto com a 1313 tudo isso eu irei viver.

Morte é nascimento, porque se eu tivesse morrido, eu não teria nascido.

Se sua consciência tivesse nascido em outro corpo, você poderia estar sendo levado ao abate.

Eu gostaria de nunca ter nascido. Já que estou aqui vou sobrevivendo, mas nunca vivendo!

Talvez a religião tenha nascido onde o conhecimento terminou e o medo começou.

Adorar-te e saciar a sede
no cálice melífero de beijos,
nascido para o encaixe
mais do que perfeito,
para o amor de perdição
embalado na flutuação.


Se disser sim, é óbvio
que jamais direi não...

De Cabo Verde e São Tomé


nascido para comer,


Inhame divino Inhame,


a herança ancestral


só tenho a agradecer,


Se você ainda não provou,


comigo irá comer,


com o meu tempero bem


brasileiro e o bem querer.

Quem tem o privilégio de ter nascido e de viver num país completo embora desafiador, tem o dever de maneirar os comentários para não empurrar os irmãos que não nasceram com o mesmo privilégio para os braços do colonizador.

Aurora matutina
em alto mar,
Teu ser nascido
para amar.




...


Aurora vespertina
em alto mar,
Toda a existência
para te entregar.


...


Mar de amor.
Beijo tranquilo.
Destino Oceânico.


...


mansa costa
que o mar alisa:
doce poesia...

Qualquer povo do mundo gostaria de ter nascido do Brasil e ter uma Constituição como a nossa.

"Se eu tivesse nascido em um aquário e todos que eu conheço tivessem nascido em uma gaiola, quem saberia o que significa liberdade?"

O QUE RESTA DE NÓS DOIS


Crescemos lado a lado, em passos devagares,
Um laço profundo nascido no olhar,
Dois corações jovens descobrindo os lugares,
Aprendendo, em segredo, o que é gostar.
Entre risos guardados e conversas no vento,
A vida fez de nós a primeira paixão,
Um toque de afeto que parava o tempo,
Uma doce lembrança gravada no chão.
Hoje o tempo passou, os caminhos mudaram,
Cada um seguiu rumo a um novo horizonte,
Mas as cores bonitas da infância ficaram,
Como a água serena que flui de uma fonte.
Fica a gratidão pelo que foi vivido,
O carinho sincero que o tempo não apaga,
O primeiro abraço, o olhar compartilhado,
E a paz de guardar uma história tão pura e sagrada.

Perfeito é...
Termos nascido num dia qualquer e sermos este ser tão especial.