ZÉ VOLANTE E MERCEDINHA (BOLEIA DA... Jose Vidal de Negreiros Neto...
ZÉ VOLANTE E MERCEDINHA (BOLEIA DA 1313)
Depois de haver nascido na boleia da 1313 e ter meus primeiros dias dentro dela vívido, fiquei uns tempos distante, pois meu pai, Zé Volante, uma viagem longa havia conseguido.
Quando ele retornou, eu já estava um pouco crescido. Lembro-me bem do ronco do motor e da buzina, que era aquele estampido. Meu pai chegou, saí correndo aos gritos, abracei meu velho e fiquei admirando sorridente a Mercedinha, meu caminhão magnífico.
Saltos de felicidade de longe eram vistos, atraindo as atenções de familiares e amigos. Logo todos entenderam que Zé Volante chegou, e a 1313 tá consigo. Minha mãe chegou e juntou seu abraço comigo. Pegamos o velho pelos braços e levamos para casa, seu segundo abrigo.
As histórias de viagem ainda hoje trago comigo, pois me lembro até das caronas que ele dava aos amigos. Passando por Ilhéus, quem pegou carona foi Jorge Amado, porque estava apressado para o lançamento do livro “Gabriela, Cravo e Canela”.
Um dia, logo no amanhecer, para mim foi inesquecível. Meu pai me chamou para viajar dentro da boleia daquele caminhão incrível. Eram tantos detalhes: luzes, painéis, botões, chaves, alavancas, volante e a visão do motorista, nada passou despercebido.
Fiquei abestalhado de tanta alegria, querendo tudo conhecer, e muita euforia envolvia o meu ser. Eram tantas perguntas que mal completava uma, e a outra já queria saber. Fui viajando num imaginário de tantas viagens.
As paisagens, cidades e amigos compõem a felicidade que um dia iria conhecer. Essa minha primeira viagem me deu a certeza de que um bom motorista eu queria ser. E, em breve, junto com a 1313 tudo isso eu irei viver.
