Pai Nao Entende nada
"Para os insatisfeitos nada será o suficiente para suprir suas necessidades e conter suas insatisfações"
Nossa existência material é tão insignificante diante da magnitude do universo. Somos o nada que por devaneios momentâneos, quase sempre, ou continuamente, acreditamos ser alguma coisa. RS.
Ninguém sabe de nada, tudo que conhecemos é uma convenção e o jogo de influências políticas, culturais, religiosas, academicas, etc.
Construção subjetiva da nossa compreensão em relação às oportunidades que tivemos de absorver do mundo antes do tempo da morte.
O nada
Se acha que lhe devo algum dinheiro,
envia a cobrança que eu pago.
Se me disser que lhe devo a sua vida
peço que coloque o seu preço.
Se me falar que a sua vida não tem preço e sim valor,
Sinto muitíssimo,
não haverá resgate.
Nada
Adoro fazer nada. Quando nada faço sou indesejável. Nesse instante é o que faço, nada. O nada parece torna-se impuro. Como pode alguém não fazer nada? Eu posso. Acanho-me e ruborizo quando sou elogiada de malandra, folgada, não tenho apreço por elogios. Essa timidez ainda me mata.
Apesar de tudo, eu nunca desisti, talvez tenha me ferido um pouco, acontece, a gente se decepciona, mas, veja bem, se parar pra perceber, mesmo ferida, eu estava lá, eu tinha que estar lá, não sei o porquê, talvez, por causa de tudo.
Inexperiência
A única coisa que posso transmitir
ao mundo é minha inexperiência.
Ela chega primeiro que as palavras,
como pássaro que canta antes de chocar,
ou fruto que cai sem saber o que é.
A inexperiência não carrega saberes,
nem respostas.
Tem o mesmo olhar curioso
de tartaruga desovada,
que ainda não sabe que o que vê é um litoral.
E eu me perco nela,
nessa pureza que não se apura,
nessa simplicidade,
mais sábia que qualquer pensamento.
Meu encantamento por descobertas
só acontece pelo privilégio
de não saber tudo.
A única coisa que posso transmitir
ao mundo é minha inexperiência.
E talvez seja
tudo o que ele precise.
Eu olhei a tristeza nos olhos e acolhi a sua presença.
Quem sabe ela só precisasse de um ouvido generoso.
Eu olhei a tristeza nos olhos e a abracei demoradamente.
Quem sabe ela me abraçasse também.
Sentir um pouco de tristeza é fundamental para provarmos nossa humana capacidade de reinvenção.
Seria ela um sopro de felicidade em fase de germinação?
Eu olhei a tristeza nos olhos e encarei-a com esperança.
Dei-lhe um ombro macio e pedaços novos de velhos sentimentos.
Despedimo-nos. De mim, nada levou.
Eu olhei a tristeza nos olhos e a deixei ir.
Até a tristeza precisa de um adeus para partir...
Eu olhei a tristeza nos olhos e sorri.
