Pai Nao Entende nada
O fenômeno não esgota o fundamento: aquilo que aparece constitui apenas uma dimensão da realidade cognoscível.
A ausência de um documento não prova que ele nunca existiu; às vezes, prova apenas que ninguém demonstrou tê-lo procurado adequadamente.
O amor constrange porque não precisa de força para transformar. Ele toca a consciência, quebra o orgulho e envergonha quem não sabe ser paciente, gentil e amável. Não humilha, mas confronta a arrogância e revela a dureza de quem ainda não aprendeu a amar. Pois não há lição maior para um coração endurecido do que receber amor, mesmo quando oferece o contrário.
Andrew Kust
Se o seu coração carrega perguntas, não se apresse em condenar a própria demora. Você não precisa resolver todos os sentimentos hoje. Precisa apenas lembrar que a dor merece cuidado, a verdade merece respeito e você merece viver sem que uma ferida se torne a morada definitiva da sua alma.
QUE A FOME NÃO ENCONTRE O CAMINHO DE VOLTA
Vi a fome sentada à mesa,
usando o prato de uma criança.
Comia as horas,
roía os domingos,
deixava os ossos do tempo
debaixo da cama.
A mãe mexia uma panela
onde a água sonhava ser feijão.
O menino desenhava um pão,
e o papel fazia um barulho
que ninguém tinha coragem de ouvir.
No meu Brasil,
houve quem dormisse cedo
para encurtar a distância
até uma refeição.
Mas a noite crescia,
esticava suas pernas sobre a casa,
e a manhã demorava
uma eternidade para chegar.
Depois, em tantas mesas,
o alimento voltou.
O arroz soltou pequenos sóis,
o feijão abriu suas janelas,
e uma criança largou o lápis
para segurar uma colher.
A mãe chamou pelo nome de cada filho.
A fome ouviu.
Recolheu sua cadeira
e saiu arrastando os pés.
Agora falam de uma caixa
que chegará à nossa porta.
Vem embrulhada em promessas,
com uma fita feita de amanhã.
Eu olho para ela
e penso nas mesas do meu povo.
Quem sabe o que dorme lá dentro?
E se houver uma mão
capaz de apagar o fogo?
E se aquele velho visitante
estiver dobrado entre os papéis,
esperando que alguém
lhe devolva a cadeira?
Meu medo atravessa a distância,
bate nas portas do Brasil,
encosta o ouvido nas cozinhas.
Quero ouvir pratos,
conversas,
uma criança perguntando
se ainda pode repetir.
Não quero ouvir outra vez
uma colher raspando o vazio.
Que abram essa caixa à luz do dia,
diante de quem conhece
o peso de uma panela sem comida.
Que cada promessa diga
o que fará com aquela mesa.
Meu povo já ensinou o pão
a encontrar o caminho de casa.
Que nenhuma mão
lhe troque o endereço.
Interpretaçâo:
Esse poema expressa a preocupação com quem já passou fome e o medo de que essas pessoas voltem a sofrer. Ele reúne a lembrança da privação, a alegria de ter comida novamente e a incerteza diante de uma mudança de governo.
O surrealismo transforma esses sentimentos em cenas impossíveis, mas que conseguimos sentir:
* “A fome sentada à mesa, usando o prato de uma criança”: a fome ocupa o lugar do alimento. A imagem da criança torna essa ausência especialmente dolorosa.
* “Comia as horas, roía os domingos”: a fome consome também o tempo, o descanso e a alegria. Até um domingo pode se tornar apenas mais um dia de espera.
* “A água sonhava ser feijão”: representa uma mãe tentando alimentar os filhos com recursos insuficientes. O desejo de oferecer comida está ali, mas falta o alimento.
* O menino desenhando um pão: a criança tem no papel aquilo que deveria ter no prato. O “barulho” desse papel é uma denúncia que incomoda quem a escuta.
* Dormir cedo e a noite se alongar: dormir aparece como uma tentativa de escapar da fome. Para quem espera uma refeição, o tempo parece não passar.
Quando “o arroz soltou pequenos sóis” e “o feijão abriu suas janelas”, a comida devolve calor, esperança e possibilidades à casa. A criança deixa de desenhar o pão e passa a comer: aquilo que era apenas desejo se torna realidade. A fome recolhendo sua cadeira representa o fim daquela privação.
A caixa embrulhada em promessas simboliza um futuro governo cujo conteúdo ainda não conhecemos. A embalagem pode ser bonita, mas o poema pergunta pelas consequências concretas: haverá alimento? As famílias estarão protegidas? A fome poderá voltar? Essas perguntas expressam um receio, sem afirmar que esse resultado acontecerá.
O trecho “meu medo atravessa a distância” mostra você longe do Brasil, mas ligado à vida de quem ficou. Seu desejo é ouvir os sinais simples de uma casa alimentada: pratos, conversas e uma criança pedindo mais.
“Que abram essa caixa à luz do dia” é um pedido de transparência. As promessas precisam ser examinadas diante de quem conhece a fome, porque essas pessoas sabem o que está em jogo.
E o final “Meu povo já ensinou o pão a encontrar o caminho de casa. Que nenhuma mão lhe troque o endereço” pede que o alimento continue chegando às famílias. É a sua maneira poética de dizer: “Quem voltou a comer não pode ser condenado a sentir fome novamente.”
A bebida mais perigosa que existe é a realidade. Porque ela não nos distrai, mas vivemos suas consequências
Queria encontrar alguém para amar
Na verdade, encontrei.
Queria que ela me amasse.
Talvez, não seja amável.
Corro em busca de uma história,
mas permaneço preso à minha solidão.
Procuro alguém que me faça companhia,
mas há vazios que nem a presença é capaz de preencher.
Amo te desejar.
Amo sonhar contigo.
Detesto não te ter.
Detesto não ser seu.
Quando o Estado monopoliza os arquivos, não pode transferir ao cidadão o ônus de provar aquilo que somente ele tem condições de verificar.
Uma resposta administrativa sem registro verificável de busca pode encerrar um protocolo, mas não necessariamente responder à pergunta.
A impessoalidade administrativa não se mede apenas pela neutralidade de quem decide, mas também pela neutralidade dos caminhos que conduzem à decisão.
O poder de restringir direitos no presente não autoriza o Estado a apagar os vestígios necessários para que suas decisões sejam julgadas no futuro.
Destruir, perder ou não localizar um registro não extingue automaticamente o dever de explicar o que aconteceu com ele.
A nostalgia de um dia bom ou a memória de momentos felizes, é o que faz com que o passado não precise ser tão criticado, não é questão de "viver dele", mas compreender que o dia de ontem, ninguém me tira mais!
Já o presente é, na literalidade múltipla de um idioma, o que reúne os nossos fragmentos, sejam eles bons ou não, e ele pode vir em laços, e no perpétuo socorro da vida, o "é", é a conjugação do verbo "ser", o que há de ser, está sendo...
Já o futuro, se ele de fato pertence a alguém eu não ouso dizer, porque ele precisa deixar de ser uma preocupação, mas apenas um mensageiro da esperança, porque mesmo fazendo mil projeções ou infinitas e ansiosas imaginações, ele é cercado de "talvez", sem a essência do passado que já é uma marca, ou da grandeza do presente! Ele só será, será e às vezes: "Será"?
Entre exclamações, reticências ou interrogações, eu desejo o pôr do Sol, nada pra fazer e que os "bons dias" não sejam apenas cumprimentos litúrgicos, mas que eles carreguem o desejo mais genuíno de que tenhamos dias intensamente belos, mesmo na feiura da surpresa aterrorizante.
Ter muitos relacionamentos não é sinônimo de felicidade ou experiência bem-sucedida. Quanto mais relações são vividas sem propósito, responsabilidade e maturidade, maiores podem ser as frustrações, decepções e marcas emocionais. No amor, quantidade não significa qualidade. Às vezes, viver menos histórias, mas construir relações verdadeiras, pode valer muito mais do que colecionar pessoas e decepções. Andrew Kust.
Meu Reino não é deste mundo, mas é aqui que devo cumprir minhas obrigações e assumir minhas responsabilidades enquanto nele viver.
— Andrew Kust
Não adianta exigir respeito sem respeitar, pregar o que não se pratica ou defender princípios apenas quando convêm aos próprios interesses. O errado continuará sendo errado, independentemente de quem o cometa, e uma mentira, por mais repetida que seja, jamais se tornará verdade. Defender uma ideologia, uma causa ou um ideal exige coerência, integridade e justiça, sem dois pesos e duas medidas. Afinal, a justiça deve ser cega para não ter lado, e o caráter se revela na capacidade de manter os próprios princípios mesmo quando a verdade contraria nossas convicções. Quem prega uma coisa e vive de outra não defende princípios: pratica a hipocrisia.
O amor que você sente não lhe tira a dignidade. O perdão que você oferece não lhe rouba o direito de estabelecer limites. E o tempo de que você precisa não é uma dívida que deve pagar a ninguém.
