Pai Nao Entende nada
Respeitar uma pessoa não exige ajoelhar-se diante de suas ideias; a dignidade humana não torna infalível o pensamento humano.
Uma crença merece ser examinada não apesar de sua importância, mas precisamente porque ocupa um lugar tão profundo na vida humana.
A ignorância científica não constitui evidência sobrenatural; é apenas o lugar a partir do qual a investigação ainda precisa avançar.
A ciência não promete conhecer tudo; promete, quando fiel ao seu método, não transformar o que desconhece em conhecimento fictício.
Uma lacuna no conhecimento não é um trono vazio reservado a Deus, mas uma pergunta à espera de razões.
A ciência é poderosa não porque seus praticantes sejam infalíveis, mas porque seu método permite que a falibilidade seja corrigida.
A evidência não adquire força adicional porque a conclusão que sustenta é desejada, temida ou considerada sagrada.
O extraordinário pode existir além de nossas expectativas, mas não além da necessidade de justificar suas alegações.
A realidade não tem obrigação de confirmar nossas teorias; nossas teorias têm a obrigação de responder à realidade.
Uma teoria que não corre o risco de ser desmentida talvez tenha conseguido proteger-se da realidade em vez de explicá-la.
O território daquilo que ignoramos pode ser imenso; sua vastidão não autoriza que o preenchamos com respostas escolhidas por conveniência.
A ausência de explicação para um fenômeno não constitui a presença comprovada de uma explicação alternativa.
A razão não dissolve todos os mistérios, mas impede que chamemos de mistério aquilo que já foi explicado ou de explicação aquilo que apenas nos consola.
Uma alegação extraordinária não deve ser rejeitada apenas por sua estranheza, mas sua estranheza tampouco lhe concede qualquer privilégio.
A explicação científica não extingue necessariamente o espanto; retira dele a ignorância e acrescenta novas profundidades.
A hipótese mais reconfortante pode ser a menos provável; o coração não é um instrumento de medição da realidade.
A natureza não precisa de nossa compreensão para obedecer às suas regularidades, nem de nossa admiração para existir.
A ciência não precisa explicar tudo para distinguir uma explicação fundamentada de uma afirmação sem evidências suficientes.
A verdadeira sabedoria não está em antecipar o fim, mas em honrar o tempo presente. Gastar a mente com a certeza da finitude é inverter a ordem das estações; é escolher o inverno na primavera da vida. Portanto: “Pensar na morte não é perda de tempo — é perda de vida."
Autor: Ney Paula Batista
