Pai Nao Entende nada
Talvez não possamos conhecer o sentido último da existência, mas podemos investigar os sentidos que construímos e responder pelas vidas que deles resultam.
O espanto diante da existência não obriga ninguém a escolher uma explicação antes que as razões tenham sido examinadas.
A autonomia intelectual exige coragem para perder certezas e rigor para não preencher imediatamente o vazio com novas ilusões.
Hoje sinto a vida escorrer entre meus dedos.
Não com desespero, nem com a urgência de quem tenta detê-la.
Há uma melancolia mansa em mim.
Daquelas que não ferem, apenas convidam ao silêncio.
Descanso os braços, afrouxo as mãos, e observo.
Os dias passam, as pessoas mudam, os sonhos amadurecem, e o tempo segue seu curso.
Há beleza nisso.
Uma beleza suave, quase imperceptível, que só se revela quando deixamos de resistir.
E nessa melancolia serena, compreendo que viver não é segurar a vida, mas sentir sua passagem enquanto ela toca nossas mãos.
Uma ideia não se torna proprietária de quem a defendeu durante anos; até as convicções mais antigas devem permanecer abertas à revisão.
A independência intelectual não consiste em discordar de todos, mas em não entregar a ninguém o governo definitivo do próprio juízo.
Mudar de opinião diante de razões melhores não é trair a inteligência passada, mas permitir que ela continue a amadurecer.
A humildade epistemológica não exige atribuir o mesmo valor a todas as hipóteses; exige reconhecer por que algumas merecem maior confiança do que outras.
A coisa mais linda que há,
é o teu jeito de olhar,
é essa tua boca louca...
que não paro de desejar.
Ah... como é curioso viver sem conhecer o amanhã. Não porque ele sempre nos reserva algo ruim, mas porque nos impede de reconhecer os últimos momentos enquanto ainda são presentes.
Para meu garoto,
eu não sei onde estaremos quando você voltar a ler estas palavras. Mas, se por acaso o tempo tiver mudado tudo, espero que ele não tenha conseguido mudar o que senti enquanto escrevia isto.
Para meu garoto.
No começo, por tudo que você significava.
No fim, por tudo que ainda significa.
Para o tempo.
que um dia levará de mim tudo aquilo que estas páginas tentaram guardar.
Meu amor,
Se me perguntassem o que há de mais belo no mundo, talvez eu não soubesse responder de imediato. Mas bastaria que me deixassem pensar em ti por um instante, e então eu saberia.
Pois que valor têm as estrelas, se não há teus olhos para lembrá-las? Que encanto possui a noite, se não posso dividi-la contigo? E que seria o tempo, senão uma longa espera, se em meio a ele não houvesse a felicidade de te encontrar?
Amo-te não somente pelos momentos em que ris, nem apenas pela ternura que trazes aos meus dias, mas por tudo aquilo que és quando ninguém te pede que sejas outra coisa. Amo teu jeito, tuas palavras, teus pequenos detalhes e até aquelas partes de ti que talvez ainda não saibas amar.
E se o destino me oferecesse mil caminhos, eu ainda desejaria encontrar aquele que me leva até ti. Não prometo que os dias serão sempre gentis, nem que jamais conheceremos tristeza. Prometo apenas que, enquanto me for permitido estar ao teu lado, haverá em mim um coração disposto a escolher-te toda vez.
Prometo também que a nossa história poderá conhecer desafios, dúvidas e dias difíceis, mas nunca enfrentaremos um problema sem procurar juntos uma solução. Enquanto houver amor, confiança e vontade de permanecer juntos, sempre encontraremos um caminho para seguir lado a lado.
Porque, dentre tantas pessoas que o mundo poderia ter colocado em meu caminho, foi a ti que ele me trouxe. E, meu amor, que bela coincidência foi essa. Eu te amo. Hoje, amanhã, e em todos os pequenos instantes que o tempo ainda nos guardar.
