Os Inocentes de uma Guerra
Sorrio aos mortos e enterro os vivos
como um objecto escuro
por que rodaram mãos e jeitos de luz.
Vivo como se não estivesse aqui
roupa leve como na vida.
E vou da primeira à última batida
na respiração de um pulmão doido.
Aprendi a tranquilidade de passar sobre os dias
com o domínio de um coração baixo.
De me perturbar menos a posição astrológica
de certas palavras no coração do verso.
Corrijam-me se estiver errada
mas a razão comovida de tudo
podia começar por aqui.
Agradecer aos destroços, abrir lume,
destinar-lhe estas últimas sete palavras.
Ser convicto enfim mesmo sem saber como.
Me pego pensando porque às vezes, só bem às vezes, eu pareço tão idiota!
Me desculpa, eu preciso do seu amor e do seu calor para me sentir bem.
Eu vejo aquela criança cabisbaixa com as mãos cruzadas,a morada dela é a rua.
Onde está a moralidade do Brasil?
Olho pro céu e me imagino sentada na lua.. será que ela é de queijo como eu pensava quando era criança?
