Os cinco Voltam à Ilha
''Vou viajar milhas e milhas pra te ter mais perto, nos dois a sós em uma ilha, presos no deserto, e só no toque vou decifrar, tudo que mim diz o teu olhar...''
Araruama
Minha Ilha
Meu lugar predileto
onde deixo minha alma divagar
mesmo distante estando
lá consigo sonhar
em pensamento
em lembrança
e com sentimento
a saudade sabe me arrebatar
E por lá fico
e lá habito
ainda que por um momento
sinto...
minha alma repousar.
Às vezes me sinto, como a única sobrevivente, numa ilha deserta cercada de vorazes tubarões por todos os lados; no silêncio dos incomunicáveis, o derradeiro bote foi abocanhado, quando eu pronunciei a primeira palavra:
Socorro!!!!
Meu Toque
Na ilha do que sou
garimpo sentires
tento possuí-los
procuro cultiva-los
é uma regalia não permitida
É um benefício concedido
somente ao perfeito
mas como não há
alma sem defeito
então, perdi meu direito
Porém não recuarei
abrirei a cisterna de palavras
versos com membros e órgãos
dar-lhes-ei contornos
serão um dia impressos em negro
como cicatrizes em folhas de árvores
dar-lhes-ei raízes
somarei uma sinopse
e edificarei um nome
com um toque...
Meu toque
Dormir foi como chegar nadando a uma ilha no meio do atlântico,
eu estava exausto quando pude enfim sorrir sem engolir água,
tenho lutado box todas as noites com um gorila cinza que mora
dentro do meu cranio, noites longas, sonhos curtos, insonia !
Na maré baixa ganho uma ilha,
Com mar, sal, sol e céu.
A lua com força aperta meu mundo.
Oceano sobe inundo,
E mareia alto,
nada tenho mais,
Até tudo se acalmar.
Nada além de ninguém
Eu não sou ninguém
Não passo de um ser pensante
Um ilha de esperanças
Largada, isolada e esquecida aqui
Neste mar de mesmices
Mas de algumas coisas eu sei
Estou a favor da poesia
E contra a covardia
Sou assim
Gosto de inventar amores
Riscar, rabiscar
Poetizar
Fui Feita para sonhar
E dizer não aos que negam sonhos
Por mais que aleguem: "Sonhar não vale de nada"
Continuarei a sonhar.
Todos podem tentar me fazer desistir,
De escrever e de sorrir
Mas se eu parar
Isso será
Viver sem sentir.
Uma vida sem amigos é
como viver numa ilha
deserta, sem água,
sem alimentos, sem luz,sem sobra e sem paz.
Como dói
O silêncio de palavras
Não ditas.
Cada qual
Uma ilha perdida
No oceano.
Silêncio compartilhado
Este sim
Tem sabor de
Comunhão
E transcendência.
É silêncio construtivo.
Silêncio de porto seguro.
O Bom Combate
Certa vez, um poeta disse que nenhum homem era uma ilha. Para combater o Bom Combate, precisamos de ajuda. Precisamos de amigos, e quando os amigos não estão por perto, temos que transformar a solidão em nossa principal arma. Tudo que nos cerca precisa nos ajudar a dar os passos que precisamos em direção ao nosso objetivo. Tudo tem que ser uma manifestação pessoal de nossa vontade de vencer o Bom Combate.
Sem isto, sem perceber que precisamos de todos e de tudo, seremos guerreiros arrogantes. E nossa arrogância nos derrotará no final, porque vamos estar de tal modo seguros de nós mesmos que não vamos perceber as armadilhas do campo de batalha.
Além das forças físicas que nos cercam e nos ajudam, existem basicamente duas forças espirituais ao nosso lado: um anjo e um demônio. O anjo nos protege sempre, e isto é um dom divino – não é necessário invocá-lo. A face do seu anjo está sempre visível quando você vê o mundo com os olhos belos.
Como um náufrago esperando suas mãos
Na certeza de que elas viriam
Adornei minha ilha particular
O tempo passou
A esperança também
Restou-me acenar ao barco que passava
E seguir como se o tempo não tivesse marcado
Ao olhar no espelho
Refletiu a certeza
Esperei sem saber
Que o único que esperou foi eu
Vou tirar essa barba dos anos
E ver quem sobrou daquilo que fui
E tentar seguir
Como se fosse possível
Renascer
Às vezes, a solidão nos faz ansiar por uma ilha onde a presença de outrem é apenas uma suave brisa, e a ânsia por cuidado se torna uma maré que nos consome. A busca por significado reside na esperança de uma mão contínua, um eco sussurrando "tô aqui contigo" em meio ao silêncio da existência.
Ilha de pedra
Desesperou-se em fuga e remou forte, com muito peso de bagagem em tempestade naufragou
Flutuava sobre as águas inconstantes, adormeceu, o que sonhava em paz por instantes acordou
Não sabia onde estava, era frio incessante, doía nos ossos, sua alma amedrontou
O nascer do sol levava calor, sede, fome e esperança a quem se perguntava “quem sou?”
Não cessou seu inferno solitário, era muito quente, sua intensidade rugia e se desfazia
Não se pode ficar tanto tempo exposto ao sol, garganta seca, pouco gritava, pouco dizia
Neste mar de pedra não há abrigo que resfria, que agonia
Ali adiante haviam as águas e um vasto precipício de onde saltar
O medo das pedras afiadas exaltavam o grande risco de se detonar, machucar
O quão profundo e seguro seriam aquelas águas pra se mergulhar?
Quanto tempo sobreviveria ao sol a desidratar e queimar?
O impiedoso tempo indagava e obrigava uma escolha sábia tomar
Não se sabe como partiu
No fim desta história sabe-se apenas que foi o sol ou mar
