Onda do Mar
São três e quinze da manhã, um silêncio se mistura ao som da fúria das ondas quebrando-se na praia, nesse momento sinto uma leve presença divina, é mais um dia...
O vento e as ondas levam o barco para longe da praia. A vida vai junto - desbravando os mistérios do mar - ela avança sem medo. Ela não sabe voltar!
Irei vender a morte ao desejo.
Vou vender beijos aos marinheiros, acorrentar as ondas aos pés da minha amada, semear anarquias no vento para que tudo se vá.
Abraçarei uma estrela à noite, ouvirei os segredos de um búzio, sobre a vida que ela leva em alto mar, onde quer que eu pernoite.
Trarei nas mãos castelos de areia, e dentro deles sonhos, cometas, sereias e roletas.
Andarei vagueando e despido no cais, puxarei conversa com os gatos vadios, enquanto vou polindo a vida de um ouriço.
Esperarei pela maré baixa, para que as ondas me tragam as correntes.
Bipolar
Somos vários como ondas contínuas infinitas em seu vai e vem, pé descalço na areia pensamento solto, surfando ao sabor do vento.
Somos únicos como água de lagoa quieta em seu leito, pé seguro sobre a caçada, pensamento contido no peito.
É a vida que segue...
Decerto, eu vejo um cenário deslumbrante, as curvas das ondas com as do teu corpo, traços provocantes, uma abundância estonteante de detalhes formosos, o mar e a tua pele iluminados e aquecidos pelo sol, por sentimentos veementes, amor em demasia, paixão ardente, arte majestosa em um dia ensolarado, naturalmente, um regalo para os olhos, um afetuoso impacto.
Profusamente prazeroso poder admirar as curvas das ondas com as ondas delicadas do teu corpo,
os raios de sol iluminando a tua pele, um encanto caloroso que aquece alma, uma bela exposição para os olhos
a expressão da tua existência em sincronia com a expressividade do mar, a suavidade provida de veemência,
uma junção sedutora, singular, artes emocionantes da natureza com a sua riqueza abundante,
que torna a vida ainda mais bela, tu és realmente uma mulher cativante a partir da tua essência.
Olhar nos olhos dela foi como olhar o mar pela primeira vez...
Você sonha, se imagina lá, cria expectativas mas é surpreendido. Quando você vai se aproximando já consegue ver e fica admirado, quando chega bem pertinho já não surgem palavras para expressar tamanha admiração. É maravilhoso, você fica parado observando cada onda se formando e quebrando vindo de encontro a areia. De repente, enquanto aquela leve brisa toca o seu rosto, só observar já não te satisfaz, você vai de encontro para sentir, e com bastante cautela você apenas molha os pés, a inexplicável sensação te faz querer se jogar por inteiro na água, mas é preciso ir devagar, até uma pequena onda pode te derrubar. Esse é o momento que você precisa decidir entre guardar na memória ou enfrentar o medo das ondas e se jogar.
Olhar nos olhos dela foi como olhar o mar pela primeira vez.
Filha do vento e tempestade
Sou intensidade
Amante do mar
Sou maré da diversidade
Alegre gargalhando
Se triste, vem o pranto
Esse desnível causa espanto
À outro olhar até encanto
Na ladeira sou descida
Ao sol aquecida
Pela maldade esquecida
Sempre protegida
Ao som das ondas me revelo
Sou Cristina.
De Olhos Abertos
Mar revolto, ondulações constantes,
Conversas distantes, inconstantes.
Emoções flutuantes nos instantes,
Que passam, que ficam,
Que rasgam e esticam,
Casam, confirmam...
Sou ar, são águas.
Ímpar, sem mágoas.
Sem par, sem ar,
Sem lágrimas.
Sigo o voo para o norte,
Torço que nades de volta do sul,
Pro sol, pro céu, azul...
há sempre um mar invisível
despejado a conta-gotas
pingando nos olhos de quem sofre
o sal que queima a retina
e as veias
violentas ondas de miséria
só quem sofre
[por amor]
pode saber
as algas presas aos meus cabelos
e o sempre-mar
na ressaca dos meus olhos
O mar e você
Como não amar, o ir e voltar
Levando dores e trazendo a calma
Plenitude e inconstância,
Traz a vontade de viver dia após dia,
E é isso que me guia
Não saber do seu amanhã, me faz viver o hoje ao teu lado intensamente,
Sem pensar na maré,
Baixa, calma e lenta
Alta, forte e estonteante, é o teu jeito de ser, assim, me faço velejante em seu amor, aprendendo e indo, remadas para frente, tristezas para trás,
É o teu efeito sobre qualquer um que se banhe em você,
Me purifica a alma, me liberta a mente, me faz sonhar, seguir a diante,
Sabendo que voltar é preciso, pois o meu amor é grande, mas se encontra apenas em teu cais.
Brisa de cangote
Flutuar feito os pés do filho
Vir do Mar quando enverga
Não é Banzeiro do Rio
São as ondas da praia
Oceano das marés
Sobe e desce na lua certa
Muitos se julgam como o mar, pois se dizem muito grandes. Eu toda via vejo-me como um rio, pois apesar de pequeno em relação aos oceanos o mesmo os nutri ao desaguar neles, e o caminho inverso não é possível. Alem disso não tornam atrás como as ondas do mar que vão e vem. Pois quando as águas de um rio cruzam a ponte é pra não mais voltar.
Há dias em que o mar amanhece escandalosamente agitado. Impetuoso e imponente, como um macho em pleno período de acasalamento exibe sua masculinidade com ondas assustadoramente gigantescas, num movimento de vai e vem quase indecente.
Ao entrar em contato com a areia morna e úmida espraia-se delicadamente afável, libidinoso e atrevido como um animal embriagado pelo cheiro excitante da fêmea.
Sem pressa cheira-a em toda sua extensão, lambe, beija, abraça com a sutileza de um amante amaroso e, deita-se sobre ela numa concupiscência dos deuses.
ELA E O MAR
Ela e o mar
Tem uma relação de entrega.
Toda vez que vai ao mar
Ele a entrega algo.
No mar já não haviam mais ondas,
ficaram melhores nos cabelos dela.
