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Olhos

Cerca de 36633 frases e pensamentos: Olhos

A Ibirá-puita-guassú
em floração de outubro,
a aliteração do futuro
nos teus olhos vislumbro
enraizada no coração.


O milagre de ser poesia
retirando o eu todo o dia,
passando a ser mais nós
como quem conversa,
canta, reza e protesta.


Ao encontro com a verdade
devida até onde a leveza
e liberdade se enraizam,
vou para que as asas cresçam,
e os sonhos aconteçam.

Não consigo mais olhar
com os mesmos olhos ingênuos
o céu da nossa América Austral,
Não dá para não imaginar
o Deus da Guerra e da consequência
dançando sobre algum
de nós sem tremer inteira,
Seja sob o Sol ou sob a Lua
está difícil de tirar o olhar
do céu sem embalar
o pior no coração e na cabeça,
Não dá nunca mais
para continuar sendo a mesma:
É sobre vulnerabilidade o poema.

⁠Nesta véspera de Ano Novo

Nesta véspera de Ano Novo
quero os teus olhos brilhando
mais do que nunca um brilho novo:
Quero que brilhem só o amor,
porque vida sempre será
o maior de todos os tesouros,
e você pode vencer os desdouros.

O Canto de Reis envolvente
me leva a encontrar os teus
maravilhosos olhos felizes,
Debaixo do Angico-branco
no levando pelo ritmo hipnótico,
Proclamei-te como o meu
sublime amado erótico,
Assim eternizei na mais
alta tradição poética da terra,
Para que fique bem claro
que o amor não permite guerra,
e renova os votos de paz
por ter encontrado o que terna.

Assim que as Paratudo florescerem,
desejo que me mostre os seus olhos,
que eu te ensinarei olhar para o céu
em tempos de desamparo continental,
e não é somente um recado sentimental.


Confio em tudo aquilo que percebo,
prevejo e sinto que está no peito teu,
e todos os dias fascinantemente
têm se transferido convicto pro meu.


Não importa o giro do nosso mundo,
devocionalmente pertenço ao que é
mais profundo e você pertence ao meu.


A tua vulnerabilidade e a tua resistência
me pertencem - plenas nesta trincheira.

Ostento no coração igual
a florada Manduirana
reverente sob o céu austral
que o olhos encanta.


Nascendo sob a guarda
da Mata Atlântica, do Cerrado,
e até mesmo da Caatinga,
porque tudo aqui é poesia.


Habitante do pensamento
é o suficiente para tornar-me
o teu favorito sentimento.


O tempo que para uns dilui
usualmente o charme,
traz aliança e estabelecimento.

Diante dos teus olhos que
são onde convergem o céu
e monumentos do tempo,
Mesmo que ventos contrários
soprem nas nossas faces,
Convicta ando insistindo
para que o nosso mundo
íntimo não tenha destino
igual ao da Linha Durand.


Pisoteei caleidoscópios,
rasguei todos calendários
e quebrei muitos relógios,
Por recusar viver a vida
toda a mercê do acordo
entre o cavaleiro e o emir,
Está para nascer quem irá
ditar os meus valores a seguir.


Por saber que a história
não começou a partir daí,
As minhas próprias regras
fui eu quem escrevi,
E uma delas é que impérios
sempre as próprias covas
por si mesmos cavarão.


Confio na predição forjada
por lágrimas, sangue e fogo,
e na sublime ambição
que converge na sua direção
levando o teu amor no coração
com a certeza da tua retribuição.

Teus olhos magníficos
iluminam infinitos,
com luares crescentes
nos dois contidos.


Fazendo-me Vitória-régia
nívea na Mata de Igapó,
Esperando na tua pele
e para a dança me leve.


Sob a tua seda das noites
tornar-me a rósea sutil
da satisfação e pendores,
para sermos senhores.


Não sentiremos nenhuma
receio, fome, sede ou frio,
Apenas seremos convictos
que o amor não traz desafio.

Os Bonecos do Berbigão do Boca
durante o sonho com os olhos abertos
quando estava a dançar contigo,
Pareciam que já estavam sabendo
que o amor era o nosso destino,
Então, até o Sol raiar fica comigo,
porque à partir de hoje não podemos
mais sair do nosso doce caminho.

Nos meus olhos fazem
um cortejo gentil a Sirius,
a Betelgeuse, a Rigel
a Canopus e as Pleiades,
não nasci para flertar
com terrenas inverdades.


O sublime sentimento
de ver a Lua Crescente
em noite de céu aberto,
visitando a sofrida Gaza,
transcende a fotografia.


Traz para mim a nostalgia
imersiva da casa destruída,
e as saudades da família
que nunca mais será vista,
e jamais será esquecida.


O coração por licença
humanista toma a liberdade
de se tornar a tenda
do palestino iluminada
em pleno Ramadão,
para evocar a pacificação,
e o futuro de reconstrução.


(Ninguém pode deter
o futuro de uma Nação).

A Noelia Castillo


Não sei se você está
mais viva entre os seus,
Não sei se os olhos
de outros pelos meus
irão ter tempo hábil
para te salvar,
Não sei se este poema
irá te alcançar.


Só sei que o que você
sente como problema,
é o fracasso alheio
de quem cooperou
para apagar a tua estrela,
que fizeram do problema
existencial deles o seu.


O mundo ao seu redor
falhou com você,
Se eu pudesse te falar,
te pediria para ficar;
mesmo que doa,
resista e fique nem
que seja para incomodar.


E se eu tiver a grande graça
de o milagre divino te alcançar,
quero ver você sã e salva
para a sua própria vida proclamar.

Carla, às vezes, as palavras demoram a vir e escrever parece um desafio, mas quando fecho os olhos e penso em nós, tudo flui, bem melhor. Olho para trás e vejo cada batalha que enfrentamos e cada pequena vitória que conquistamos juntos.
A vida nem sempre é fácil e sabemos que a luta é constante, mas o que torna tudo possível é saber que estamos juntos bem e firmes, um no outro. Você é o meu sol, a luz que aquece os dias difíceis e frios, e você ilumina o caminho das nossas conquistas.
Não importa o tamanho do desafio, o que realmente importa é que estamos lado a lado. Nosso amor é um jardim que floresce na persistência e nossa maior vitória é saber que, aconteça o que acontecer, sempre estaremos juntos, e sempre estamos!!!




DeBrunoParaCarla

⁠Conheço as violeteiras
das duas Américas,
Diante dos meus olhos
uma desabrochou,
Você me espera
em teus braços
como quem anseia
a Primavera,
Percebo que tens
desenhado esquemas
para viver grudado
em meus beijos,
Em nós fazem
festas os desejos.

Existem olhos que não apenas nos veem, eles nos traduzem. O seu olhar é o lugar onde minhas confusões descansam, é o único espelho que não me julga, que me devolve inteiro, mesmo quando me sinto em pedaços. É uma conversa sem som, onde um segundo de silêncio diz mais do que uma biblioteca inteira sobre o que significa pertencer.


DeBrunoParaCarla

Que a beleza dos seus lindos olhos
Contagie os seus dias
e os tornem mais belos ainda !

"Ô beleza que não vi
Com meus olhos eu desejo
Com meu coração eu almejo
Como aquele que desdenha
Sua Beleza encontrar."

⁠O Tucano-de-bico-preto
parou, olhou no fundo
dos meus olhos e contou
para mim um segredo
para do amor eu não ter
nesta vida nenhum medo.

Quem atravessa a noite com os olhos abertos aprende que a aurora não é escolha, é promessa escrita nas frestas da madrugada.

A luz intensa do farol feriu meus olhos, dividindo a noite e revelando a verdade nua de dez mil almas emudecidas.

Estive entre ossos secos e almas já sem brilho, um cemitério de olhos que não mais ardia. Corvos pousavam nas minhas falhas, cravando olhares como pregos, aguardando o instante em que eu iria finalmente ceder. O vento cheirava a metal e pó, passos distantes soavam como facas nas paredes do peito. Como um carvalho retorcido pela tormenta, segurei o que restava de mim. Juntei raízes como dedos enegrecidos, afundei-os na terra estilhaçada e bebi, com avareza, o pingo de água que sobrava. A umidade tinha gosto de lembrança e sangue seco. Numa fenda da planície estéril, meu cárcere aberto ao sol, apareceu uma lâmina tão pequena que quase se escondia, uma promessa miúda, de luz, como se a aurora tivesse voltado com as unhas quebradas.
Cada fibra do meu corpo lutava contra o esquecimento, contra a areia que roçava os tendões e tentava sepultar a centelha final. A areia não era neutra: sibilava, entrava pelas gengivas, raspava a língua. Sobreviver não bastava. Havia que coagular a dor, transformá-la: o peso da solidão, o sussurro venenoso da desistência, tudo virou húmus amargo para uma vontade que recusava morrer.
O solo rachado não ofereceu descanso, ofereceu lições. Rachaduras cuspiam pó que cheirava a ossos e foi nelas que aprendi a perfurar, a furar a crosta do desespero com unhas encravadas. Busquei, com um fervor áspero, uma nascente que se escondia debaixo do olhar dos mortos, uma força profunda, mútua com a escuridão, que não se entrega ao alcance.
As sombras permaneceram comigo, não como inimigas, mas como mapas invertidos: eram faróis que apontavam para onde eu jamais devia olhar de novo. E então, o tronco que antes dobrava sob o sopro do mundo começou a endireitar, não por graça, mas por insistência, por teimosia sórdida. Mesmo naquele deserto que parecia ter consumido até a fé, a vida voltou, torta e obstinada, rasgando a casca do nada para cuspir, por um instante, seu próprio clarão, sujo, ferido, impossível de apagar.