Olhos

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Ver, ver, ver, ver, ver, até que os olhos se cansem de tanto olhar, e então, transformar o que se vê;

Ouvir, ouvir, ouvir, ouvir, ouvir, até que o som se torne insuportável, e então, mudar o que se escuta;

Pensar, pensar, pensar, pensar, pensar, até que o pensamento se repita e se torne vazio, e então, renovar o que se pensa;

Ser, ser, ser, ser, ser, até que o peso de ser o que não é se torne insuportável, e então, reinventar o próprio ser;

Fazer, fazer, fazer, fazer, fazer, até que a repetição do fazer se torne estagnante, e então, mudar o fazer para algo mais significativo;

Viver, viver, viver, viver, viver, até que a rotina da vida se torne sufocante, e então, buscar uma nova forma de viver.

Nada, nada, nada, nada, nada, até que o vazio se transforme em peso, e então, deixar ir o nada, para acolher o tudo.

A mudança começa quando a repetição cansa, e o cansaço se torna o ponto de transformação. Tudo que se repete, quando enjoa, pede por uma renovação. O que antes parecia constante e certo, agora exige novos olhos, novos ouvidos, novos pensamentos. E, no fim, é a mudança que nos leva ao verdadeiro viver.

AZUL
Seu cabelo caia sobre os olhos
Como se sua juventude,
Fosse a franja sobre testa,
A cortina caia na minha frente
Como se o show
Fosse de um mamulengo
Ou um ser teatral qualquer,
Como marionetes sádicas e sarcásticas...
Seu olhar se perdia na janela
Como se convidasse as estrelas...
Eu sou mais que um olhar no passado
Quando eu passo a olhar para o mar
Mas o que é o azul além do azul
Alem da vela encardida da jangada...
A imensidão que tenho em mim tem mil navios,
O meu pacífico tem mais que calmarias
Tem continentes a desbravar...
E o nativo que eu tenho em mim
É uma espécie de indio , de escravo e de ave
Que se catequiza, escraviza, e faz voar...

ABSTRAÇÕES
Os meus olhos sustentam a lua
A rosa controla o beija flor
E os insetos fazem seu trabalho
As colunas que sustentam
a terra teu seus imãs
A terra fecunda germina a hortelã,
E a rebeldia dos anjos
Cria a harmonia entre o bem e o mal...
Daí surge a paixão
Que tinge de rubro mercúrio,
E o amor que tinge de opala a lua
A saudade que preenche os oceanos
e o que somos além de Abstrações???

⁠Não quero ver teus olhos tristes
sob o céu tão estrelado,
o lado que eu gosto do teu lado,
é o lado de dentro quando
eu entro calmo como se o teu coração
fosse minha morada,
beijo teu útero como se fosse meu último desejo,
mas meu último desejo é sempre o penúltimo,
e eu quero sempre esse beijo...
sou triste porque esse é o álibi pra tua presença,
amar-te não é crime,
mas amas este meu lado marte,
esse meu lado triste, vazio, imenso
que comporta a tua presença
com todos os teus pecados

Habitar a abundância da terra com os olhos fixos na eternidade.

As Quatro Estações de Nós
⁠Seus olhos eram como a primavera,
seu brilho faziameu coração se abrir,
assim como as flores desabrocham ao toque da luz
e as árvores renascem
após longos outonos,

Sua pele era fria como o gelo,
era como neve branca que prevalece ao inverno.

Nós tínhamos uma química
quente como o verão.

Mas, no fim,
fomos outono.
Caímos como folhas secas,
e o que era “nós”
virou chão.
Morreu.

Pois agora,
duas almas são condenadas
a vagar por esse mundo vasto,
até encontrar
a primavera no olhar de outro alguém,
e renascer novamente.

Desde que me conheço, os olhos me chamam antes de tudo. Eu os desenho, os observo — e por vezes juro que os escuto, porque falam mais que a boca e carregam histórias que um cérebro inteiro talvez não caiba.
Fascinam-me como galáxias: cada olhar é um mundo distinto, às vezes repleto, às vezes vazio.
Acho que a maior dádiva é poder observar. Observar me dá vontade de viver: detectar minúcias, e desvendar outros olhares, torcendo para que alguém queira desvendar os meus também.

Sonho é casa que a gente visita de olhos fechados e decide construir de olhos abertos.
Um sonho só deixa de ser sonho quando se torna realidade.

Toda mulher é uma obra de arte, é só ser vista pelos olhos que entendem de obras raras.

Seus olhos dizem tudo que eu preciso ouvir

Quem abre os olhos para a verdade, fecha os ouvidos para a mentira!

Amiga!

Quando eu olho em teus olhos,
Eu sinto na minha alma, eu percebo,
Que tu és a metade que me falta.
Sonho em me dar todo para ti um dia!
Se colocares tuas mãos em meu peito,
As batidas de meu coração confirmarão o que te estou a dizer.
Sei que não existem chances em viver em teu coração,
Mas pelo menos entende o que tu representas para mim!
Eu adoraria ser o homem,
A te dar tudo aquilo que sempre sonhaste todos os dias e todas as noites,
Mas mesmo assim eu vou amar-te por toda minha vida.
Eu jamais vou conseguir mudar o mundo,
Para conseguir fazer de ti a minha garota.
Mas para mim é suficiente,
Saberes que és a mulher que eu amo.
É bom sonhar a minha vida, pois vivê-la assim é viver-te nos meus sonhos.
Pode ser que um dia Deus me olhe lá de cima,
E me dê outra chance de ter-te.
Se por acaso passares por algum lugar para onde já passamos,
Encosta teu ouvido num pequeno buraco de um muro,
Quem sabe ouvirás uma vós a dizer: Eu ainda te amo!
Se nada ouvires, sorri pelo menos,
Pois eu estava a sonhar!

Venham para Jesus: Ele não veio salvar o sábio aos seus próprios olhos, mas buscar o que estava perdido. Venham para o Cordeiro de Deus: ele tira os pecados do mundo; e mesmo que seus corações sejam cheios de iniquidade eles serão mudados.

Olhos de Girassol


Dizem que meus olhos se arregalam, que minha mente sempre se preocupa,
Mas poucos veem o sol que guarda, a luz que em silêncio se descobre.
Meus olhos são girassóis que buscam a luz, que seguem o dia. Não há medo, há cuidado profundo, há coração atento, há poesia.
E se eu me volto para o mundo, épara sentir, para cuidar, para ver.
Não é fraqueza, não é inquietude, é vida que floresce, ésol que queima barreiras e revela minha verdade.
Olhos arregalados, coração atento: vejo o mundo em cores que ninguém mais percebe.

Olhos de Universo


Cada corpo tem seu jeito, cada mente, seu universo secreto. Não há linha reta, não há molde, há caminhos que brilham sem alarde.
O que alguns chamam de limitação, é só a porta para outra percepção. Osom, o toque, o gesto, o olhar, todos têm formas de amar.
Não é sobre o que falta, mas sobre o que transborda, a coragem, a força, a vida que em cada ser se mostra.
Respeito não é favor, éreconhecer que cada pessoa tem direito de ser, de existir, de voar, de sonhar.

A verdadeira arte não está nos olhos de quem a vê, mas na alma de quem sabe acolhê-la.

olhos de jabuticaba

A gente nunca marcou de se encontrar.

Essa talvez seja a parte mais estranha da nossa história.

Porque toda vez que eu decido seguir em frente, a vida resolve colocar você no caminho de novo. Num bar qualquer. Na rua. Na festa que eu nem queria ir. Na fila de algum lugar. Sempre parece coincidência demais para ser coincidência e acaso demais para ser destino.

A gente se olha como quem já sabe exatamente o que vai acontecer.

Primeiro vem aquele sorriso tímido, quase educado. Depois uma conversa boba sobre a vida, sobre o trabalho, sobre o tempo que passou. Fingimos que somos duas pessoas que só têm assuntos em comum.

Mas nunca é só isso.

Existe um momento em que o resto do lugar começa a desaparecer. Eu paro de ouvir quem está falando do meu lado. Você também fica um pouco mais perto do que precisava. Ninguém comenta. Ninguém pergunta. Acontece.

E então vem o beijo.

Sempre o beijo.

Como se todos os meses que passamos longe um do outro fossem apagados em poucos segundos.

É engraçado como a gente sempre acredita que dessa vez vai ser diferente.

Você ri e diz que não faz sentido continuar nisso.

Eu concordo.

Você fala que essa foi a última vez.

Eu respondo que também acho.

A gente se despede convencido de que finalmente conseguiu.

E, por algum tempo, consegue mesmo.

Até a vida resolver brincar de novo.

Eu nunca entendi o que somos.

Não somos um casal.

Também nunca fomos apenas duas pessoas que ficaram algumas vezes.

A gente conhece versões um do outro que ninguém mais conheceu. Você sabe como eu fico quando estou ansioso. Eu sei quando seu sorriso é verdadeiro e quando ele só está tentando evitar uma conversa difícil.

Mesmo assim, nunca conseguimos morar na vida um do outro.

Só conseguimos fazer visitas.

Às vezes penso que nosso erro sempre foi acreditar que precisava existir um fim definitivo.

Como se um beijo pudesse encerrar tudo o que veio antes.

Como se fosse possível convencer o coração usando lógica.

“Essa foi a última vez.”

Quantas vezes a gente já disse isso?

Cinco?

Dez?

Vinte?

Eu perdi a conta.

O problema é que nunca foi sobre o beijo.

Era sobre aqueles cinco minutos antes dele.

Quando você me olhava do outro lado e eu já sabia que tinha perdido de novo.

Quando nós dois fingíamos conversar com outras pessoas enquanto esperávamos um dos dois criar coragem para atravessar a distância.

O beijo só confirmava uma decisão que já tinha sido tomada pelos nossos olhos muito antes.

Talvez um dia exista realmente uma última vez.

Talvez a gente se encontre de novo e finalmente consiga passar um pelo outro como dois desconhecidos.

Talvez um de nós esteja apaixonado por outra pessoa.

Talvez a vida, cansada de insistir, resolva nos deixar em paz.

Mas, se esse dia chegar, eu desconfio que nenhum de nós vai perceber.

Porque todas as outras últimas vezes também pareciam verdadeiras.

E, no fim, bastava um reencontro.

Um “quanto tempo”.

Um abraço que demorava um segundo além do normal.

E lá estávamos nós outra vez, prometendo que agora era sério.

Enquanto, no fundo, os dois já sabiam que a única promessa que nunca conseguimos cumprir foi justamente essa.

azul

Nunca entendi por que algumas pessoas têm cor.

Não a cor dos olhos ou da roupa. Aquelas a gente esquece.

Falo da cor que fica quando elas vão embora.

Você sempre foi azul.

Não um azul triste.

Era o azul do céu cinco minutos antes de escurecer, quando o dia ainda respira fundo antes de entregar a noite. O azul do mar quando o vento resolve descansar por alguns instantes. Um azul que nunca precisou chamar atenção para ser bonito.

Talvez seja por isso que eu sempre encontrava paz perto de você.

O curioso é que essa paz nunca foi silêncio.

Porque você também era um furacão.

Só que ninguém nunca fala sobre o centro dele.

Todo mundo lembra da força que arranca telhados, das árvores caídas, do caos. Mas existe um lugar no meio de toda aquela violência onde não venta. Onde tudo para por alguns minutos.

Era exatamente ali que eu me sentia.

Enquanto o resto do mundo parecia correr contra o relógio, você fazia o tempo perder a pressa.

As conversas aconteciam sem roteiro.

O café esfriava porque nenhum dos dois lembrava de beber.

As horas passavam como se alguém tivesse esquecido de fazê-las andar.

Era um furacão porque tudo mudava quando você chegava.

E era azul porque, estranhamente, nada parecia ameaçador.

Você bagunçava a ordem das coisas sem transformar aquilo em desastre.

Depois que você apareceu, comecei a reparar numa coisa estranha.

O mundo inteiro ficou um pouco azul.

O céu parecia maior.

As madrugadas deixaram de ser tão frias.

Até as músicas ganharam um espaço que antes não existia.

Era como se você tivesse mudado a temperatura das coisas sem tocar em nenhuma delas.

Eu nunca tive coragem de te contar isso.

Porque parecia exagero.

Como explicar para alguém que ela alterou a cor da sua memória?

Que existe um tom específico do fim da tarde que continua tendo o seu nome.

Que toda vez que vejo o oceano, penso naquele jeito tranquilo com que você olhava para o horizonte, como se soubesse de alguma coisa que eu ainda levaria anos para entender.

Talvez amar alguém seja exatamente isso.

Descobrir que as cores nunca pertenceram ao mundo.

Sempre pertenceram às pessoas.

Antes de você, azul era só uma palavra.

Depois de você, virou um lugar.

Um lugar para onde minha cabeça sempre volta quando precisa descansar.

E talvez essa seja a maior contradição que alguém possa carregar.

Você foi o único furacão em que eu desejei permanecer.

Porque, pela primeira vez, ser levado por alguma coisa não significava me perder.

Significava, finalmente, encontrar um lugar onde eu não precisava resistir.

Agora passo a vida inteira entrando em lugares bonitos que continuam não sendo você.

O céu ainda é azul.

O mar continua azul.

Mas nenhum deles consegue repetir a sensação de quando era você quem dava cor às coisas.

Descobri tarde demais que algumas pessoas não passam pela nossa vida.

Elas mudam a forma como enxergamos o mundo.

E, depois disso, nenhuma cor volta a ser apenas uma cor.

marcha nupcial

Dizem que o desejo nasce nos olhos.

Mentira.

Os olhos apenas denunciam aquilo que já ocupou todos os outros cômodos.

O desejo nasce naquele lugar onde nenhuma palavra consegue chegar. Um espaço pequeno, escuro, antigo. Como uma peça esquecida de uma máquina que continua funcionando, mas produz um barulho insuportável porque sabe exatamente o que está faltando.

Passei a vida acreditando que esse vazio era só mais uma característica minha. Como a cor dos olhos, a forma das mãos ou o hábito de olhar para o chão enquanto penso.

Até você.

E foi cruel perceber que o vazio nunca foi vazio.

Era espaço.

Espaço esperando exatamente o formato que você tinha.

Desde então, tudo o que existe em mim quer deixar de ser apenas meu.

Quero ser a caneca que esfria o café antes que ele queime sua boca. Quero ser a lâmpada acesa quando você chegar tarde e jurar que não precisava de ninguém te esperando. Quero ser a chave esquecida no bolso da sua calça, porque isso significaria que existe um lugar para onde você sempre volta. (ac referência)

Quero ser o casaco pendurado atrás da porta nas noites em que o inverno resolve exagerar. Quero ser o banco do passageiro nas viagens longas, onde o silêncio nunca pesa porque sua presença faz todo o trabalho que as palavras não conseguem fazer.

Quero ser as pequenas coisas.

Porque as grandes sempre acabam.

As pequenas sobrevivem.

Quero ser o livro que você nunca termina porque gosta demais da sensação de ainda haver páginas pela frente. Quero ser o vinil riscado que insiste em tocar a mesma parte, e justamente por isso se torna insubstituível. Quero ser o relógio da parede que você já nem escuta, mas cuja ausência faria a casa inteira parecer errada.

Se for preciso, faço do meu peito uma gaveta para guardar seus medos.

Faço das minhas costas um telhado para os dias em que o mundo resolver desabar.

Faço da minha voz um lugar onde você possa descansar quando a sua cansar de existir.

Posso ser qualquer coisa.

Qualquer coisa que diminua o peso que você carrega sem contar para ninguém.

Só não me peça para ser alguém que aprende a viver sem desejar.

Porque eu tentei.

Passei anos colecionando versões de mim que fingiam não precisar de ninguém. Construí uma casa inteira usando independência como tijolo e orgulho como cimento.

Era bonita.

Mas ecoava.

Toda casa vazia parece maior do que realmente é.

Então você apareceu e fez a pior das gentilezas.

Mostrou que o que eu chamava de liberdade talvez fosse apenas uma solidão bem decorada.

Agora tudo parece incompleto.

As manhãs têm uma cadeira sobrando.

As músicas terminam cedo demais.

As ruas parecem longas demais.

Até o céu, de vez em quando, dá a impressão de estar faltando uma cor.

Não porque você levou alguma coisa embora.

Mas porque revelou a peça que eu nunca soube nomear.

E agora não consigo mais fingir que ela nunca existiu.

É ridículo.

Porque o mundo continua funcionando.

Os semáforos abrem.

Os mercados lotam.

As pessoas riem de piadas que esquecem cinco minutos depois.

Tudo segue.

Só eu continuo parado diante dessa ausência que tem exatamente o seu formato.

E, se algum dia me perguntarem qual foi a maior prova de amor que já ofereci, não direi que escreveria poemas, cruzaria oceanos ou enfrentaria o fim do mundo.

Direi algo muito mais simples.

Gostaria de ser tudo aquilo que toca seus dias sem que você precise perceber.

O hábito.

O conforto.

O objeto que você procura automaticamente no escuro.

A música que começa antes mesmo de você decidir ouvi-la.

Porque amar alguém talvez seja isso.

É desejar desaparecer como indivíduo para existir como presença.

Ser tão parte da vida de alguém que a própria ausência pareça um erro da realidade.

E, se um dia eu tiver a sorte de ouvir você dizer “sim” diante de um altar, espero que, enquanto todos esperam uma marcha solene, toque aquela velha canção sobre querer ser tudo para alguém.

Não porque ela fale de amor melhor do que qualquer outra.

Mas porque ela diz, com uma sinceridade quase desesperada, aquilo que passei a vida inteira tentando explicar sem conseguir:

eu nunca quis possuir você.

Eu só queria existir de um jeito que o seu mundo nunca mais precisasse aprender a viver sem.

Somente eu entendo, como um código criado por mim mesmo, impossibilitado de proferir a senha, condenado ao próprio acaso.

Com os olhos vermelhos de tanto chorar
La fora há muita gente para te julgar
Tenha coragem e em frente o medo , deles que so sabe perguntar mas nunca se importar .
Com os olhos vermelhos eu me dispenso dessa gente que não sabe nem amar muito menos te ajudar .