Olhos
— Juro! Deixe ver os olhos, Capitu.
Tinha-me lembrado a definição que José Dias dera deles, "olhos de cigana oblíqua e dissimulada." Eu não sabia o que era obliqua, mas dissimulada sabia, e queria ver se podiam chamar assim. Capitu deixou-se fitar e examinar. Só me perguntava o que era, se nunca os vira; eu nada achei extraordinário; a cor e a doçura eram minhas conhecidas.
A amizade deveria ser algo completamente sem interesses, como nossos olhos. Eles piscam juntos, eles se movem juntos, eles choram juntos, eles vêem coisas juntos e eles dormem juntos, embora eles nunca vejam um ao outro estão sempre juntos...
Não fazer caso da beleza, olhar fixamente nos olhos até que sejam abaixados, surpreender travando contato subitamente porém como se não se atribuísse muita importância a tal fato, ser sério, falar em tom de voz firme, ser curto e grosso, falar pouco, surpreender com longas falas acertadas, ignorar a presença supreendendo com contato súbito, discordar, contradizer as opiniões, liderar beneficamente, aconselhar severamente, "horrorizar" de forma calculada, "encurralar", "encostar contra a parede" as espertinhas esquivas, criar situações definitivas, ser distante, fechado e misterioso, falar pouco e corretamente, ser protetor, tocar fisicamente de forma rápida e ligeira como se não houvesse intenção, surpreender falando bastante tempo coisas acertadas e logo retornar ao silêncio, não falar besteiras, não ser prolixo e, principalmente, ser justo, sincero e correto.
O único remédio para se salvar dos arrependimentos no casamento é abrir os olhos antes de contraí-lo e fechá-los depois.
