Olhos
Rosas amarelas
para enfeitar
a nossa mesa,
Suspiros como
a sobremesa,
Olhos nos olhos
escrevendo o poema.
Floresceu estonteante
a linda Rabugem,
Pude ver nos seus olhos
a sublime vista
que me concedeu a dádiva
de saber que tu és poesia.
O Sacambu em São Paulo
há de receber florescido
assim como os teus olhos
que deverão ser o destino
dos meus amorosos sonhos.
Os teus olhos quando
me avistam parecem
um par de flores de Sacambu
dançando com o vento,
Você me ama além do tempo
e com total devotamento.
- Eu pensei que nunca mais te teria!
Olhos nos olhos.
Respiração ainda ofegante.
Nenhuma palavra.
- É, infelizmente não te tenho mais mesmo, concluiu ele. Alguns amores reclamam uma cerimônia fúnebre.
Só isso.
Sem epitáfios.
Eu escrevo para apagar da memória o que os olhos viram, esquecer o que os ouvidos ouviram, e me lembrar do que não deve ser esquecido.
Qual foi o encanto?
O seu sorriso lindo, quando olhando em meus olhos conseguiu absorver cada palavra que saía da minha boca, mesmo sem entendê-las!
Se você insistir em me olhar assim, com os olhos semicerrados pelo medo, não vai perceber o quanto sou mignon.
Se insistir em não me olhar, não vai perceber o quanto sou maior.
Então, apenas abra os olhos e me enxergue, principalmente sem lentes de aumento.
Só isso.
Eu só preciso olhar em seus olhos e saber o que exatamente se passa neles quando você me faz perguntas que podem acordar meus demônios adormecidos.
Preciso saber se você sofre, se se diverte ou se é indiferente.
Só isso.
Eu sempre apreciei a nudez...
A nudez da alma, dos olhos, do coração, e algumas vezes até a nudez vulgar.
Andarei assim, sempre nua.
Que se escondam em vestes os incomodados às minhas "nudezas" ridículas!
São próprias.
São minhas.
Somos livres, eu e elas!
Essa merda de sentir...
Sentir o que os meus olhos veem e o que não veem
O que minhas mãos tocam ou não
O que meu olfato fareja com ou sem máscaras
O que meus ouvidos ouvem e até o que nunca disseram
O que a mim compete
O que a mim não deveria interessar
O que a mim compelem
O que a mim nem chega.
Essa merda de sentir...
Sentir a solidão das massas, a morte de um desconhecido entre milhares, a milhares de quilômetros de mim
Sentir a indecência de quem não se importa sequer com o possível perigo aos teus
Sentir medo pelo próprio País
Sentir medo para além de todas as fronteiras, imagináveis ou não
Que merda é essa de só sentir a impotência de sentir, sentir, sentir?
Que porra é essa de sentir tudo ao extremo assim?
Que porra é essa de ter fugido da insensibilidade para depois ser outra vez a esponja de não só o que me fazia insensível, como se um castigo fosse?
Se bem que justiça seja feita, pra quem já não andava a sentir quase nada, talvez essa tenha sido a forma como a vida encontrou para dizer-me mais uma vez que o controle nunca esteve em minhas mãos.
Mas estás a pegar pesado demais, vida!
Ah se estás!
Estás a matar rápido demais, corona vírus, inclusive a esperança!
Estás, estás...
De qualquer ângulo
como quem vê um
filme em dia de estreia,
Olhar nos seus olhos
como quem aprecia
um pé de Bacuri carregado,
Com o coração gamado
e beijos apaixonados
por todos os nossos lados.
(É sobre erotismo aberto
sem dizer uma só palavra)
Com as palmas da mãos
repletas de Muruci,
Diante dos olhos teus
a Iara dos teus dias,
A minh'alma brasileira,
se orgulha ser inteira,
Ser poeta, poema,
primeira e derradeira.
