Olhos
Mas o Senhor observa com olhos de amor,
E diz: “Eu vejo cada julgador.
Mas também vejo os que Me buscam com dor,
E a esses, Eu dou Meu favor.”
Alfétena III - Escamas
Em tristes olhos, baços do sofrer,
que o tempo enroupa de névoa...
Chorais memórias, tênues, dolentes,
tal poente silente rendido ao anoitecer.
Betina a primeira filha.
O primeiro brilho dos olhos de seus pais, aquela que serviria de exemplo para os outros.
Cumpriu as primeiras etapas dos estudos.
Era desejo dos pais que a formação de Betina fosse em medicina, mas não era da vontade de Betina estudar para ser médica, pois não queria desagradar seus pais.
Dos livros empilhados na velha estante além dos de estudos, eram romance, suspense e psicanálise.
O divertimento sempre ficava para depois, era hora de dividir as tarefas domésticas com sua mãe e depois tomar a lição dos irmãos mais novos. Betina então foi aprovada em medicina, mas não deu seguimento, Betina queria, era entender a mente humana e, prestou vestibular novamente, sendo aprovada para psicologia. Formou-se, casou-se e filhos teve, assim também, os direcionando para cumprir as etapas da vida.
Betina filha, esposa e mãe.
Batalhas lhe vieram, nem todas ganhas...(seu companheiro se fôra rápido).
Entre lamentos, dores físicas e da alma, brotaram vidas.
De lá, da espaçosa sala do seu apartamento que, ora está vazia e ora preenchida, saem alegrias que são compartilhadas com as crianças, almofadas pelo chão, o sofá se transforma num pula-pula, do sorriir a cada pulo, da repetição do "já" e, é claro, das mais lindas declarações de amor: Betina avó!
Ela me seduziu com seu jeito menina de ser, num corpo de mulher.
Seus olhos grandes e negros, contornados por cílios longos, simplesmente hipnotizam o homem menino que, facilmente se apaixona.
Seus lábios carnudos cobertos pelo Baton, enchem meus olhos de vermelho.
Sinto que meus lábios desejam os dela.
A forma de como se veste, provoca encanto indescritível. Não sei descrever tais coisas.
Não sei o que fazer; cada gesto que ela produz, faz meu coração gelar.
Ela é sensualidade em todas formas possíveis, enfim, ela é, sedução. Sempre me surpreende com seu jeito menina mulher nos lenços que usa pra prender os cabelos escuros. O jeito de andar e parar. As roupas mescladas em vários tons, as vezes justas, as vezes esvoaçantes.
Por quer ela faz isso comigo?
Será que ela me quer ou quer brincar de bem me quer?
Nos afazeres cotidianos, seja onde for, e como for, não perde o brilho de ser menina mulher.
No banho e após ele, provoca multidões de sensações ao circular pelo quarto.
Quando envolta em toalhas, rouba meu ar. Quando se veste ou despe, me paralisa dos pés a alma.
Tudo se rompe quando ela diz:
Vem pra cá, menino!
Como não ir?
Como resistir?
Acho que os deuses do Olimpo sucumbiriam ao seu charme. Nenhum de nós a possuiria sem sua vontade.
Sim, ela nos consumiria após mostrar o caminho e, o jeito de fazer amor.
Ela é assim:
Menina por fora, por dentro, ardente mulher.
Pobre homem que sou,
não resisto ao seu chamado.
Nostalgia de amantes
Seus olhos negros e pequenos invadem os meus de tal forma que parecem querer ler os mistérios de uma lacuna de desencontros. Suas mãos firmes suavemente deslizam pelo meu corpo no vai e vem das ondas de um mar de desejos. Seus beijos sedentos por relembrar os tempos de outrora me arrebata, e entrego ao seu bel-prazer a menina mulher que sou. Fecho os olhos... me transporto a uma dimensão das sensações onde tudo é florido e belo. Estremeço na iminência do clímax. Ao som da nossa respiração ofegante e dos corações acelerados, o seu corpo repousa à minha direita com um sorriso brando e na mesma sintonia.
Aos olhos dos outros, pareço indiferente, como se o mundo não me tocasse. Mas é o contrário: ele me atravessa inteiro, e eu apenas aprendi a não demonstrar, porque quase ninguém sabe o que fazer
diante de uma alma que sangra devagar.
Sozinho, num quarto que ecoa ausência, meus olhos flutuam, meu pensamento sangra em palavras. Quando o mundo fecha suas portas, faço das frases meu abrigo, das letras minha trincheira. Escrevo pra que o silêncio não me engula inteiro.
Partida paterna (período de luto)
Parte I
Fecharam-se os olhos
do corpo,
da alma,
da vida.
Fecharam-se para sempre ao plano físico e material.
Continuam abertos em outros mundos,
Nos lugares onde tudo fica registrado.
Lugares além do visível a nossos carnais olhos.
Muito além...
Parte II
Histórias, muitas delas e variadas.
Há o lugar das histórias do dia a dia
Das infantis e de todos os períodos
e com todas as pessoas!
Lugar de histórias de choros e sorrisos.
Lugar dos medos, do estender as mãos...
E do voltarem sozinhas e vazias...
Das mãos perdidas de afetos e sentimentos condignos.
Da falta de colo e de abraços.
Da falta dos aplausos e do chorar juntos.
Lugar do aflorar da raiva disfarçada,
dissimulada,
não posta para fora...
Da raiva não vivida para, enfim, ser enterrada!
Lugar do seguir adiante buscando meu caminho,
Posto que iluminações sempre chegaram a mim,
Como clarões de ajudas internas e externas,
Por estar num alerta constante e transcendente:
__Comigo;
__Com amigos de uma rede de apoio desta vida;
__Com amigos invisíveis que, pressentia, estavam presentes...
por ouvir através de ouvidos fluídos
e, confiante, os seguia.
Histórias de força de vontade e de determinação paterna.
Enfrentamento de medos e limitações.
De ter racionalidade, honestidade e Justiça:
-- O maior legado ensinado por meu pai!
Histórias de todos os matizes,
De alegrias, choros e sentimentos vários.
Fatos carregados comigo,
que me formaram!
Parte III
O bilhetinho de despedida,
posto ao lado do corpo morto de meu pai,
queimou-se na fornalha que consumiu seu físico e transcendeu sua alma.
As palavras escritas foram apagadas da memória
ao serem consumidas pelos fogos fátuos e dos rios eletrificados...
Apesar das palavras virarem cinzas junto às suas cinzas,
foram-se juntar ao pai espiritual e da minha história,
Como que coladas em sua pele para acompanhá-lo por um bom período
Ou para todo o sempre.
A história que agora se inicia:
__A minha...
__A sua,
ora separadas,
Decidirá novos caminhos!
Quem sabe,
um dia,
se cruzarão de novo...
Para terem um desfecho renovado,
aquele do afeto claro,
inocente,
fraternal,
mas consciente de humanidades!
Quem sabe o que o destino nos reserva!
Sigamos!
abril/ 2024
Alguém pequeno, tão grande
(inspiração adolescente)
Você criança, de olhos grandes, calmos e serenos, reluzindo como a lua...
Sua voz infantil era sua, só sua...
Quando iria tomar forma?
Quando iria crescer?
Andava tão engraçado...
Eu só podia rir de você!
Meu riso não foi zombador,
Foi somente de dor, em pensar tantas coisas... de você!
Meu riso? Foi riso!
Quem pode dizer do que foi?
Sua altura era sua, só sua...
De repente...
Fez-se gigante, apesar de ser tão pequeno!
Você, rosto fino, mãos longas, pés grandes...
Era engraçado, meio desengonçado!
Mas eu gostava de você!
(1967)
Às vezes meus olhos choram, não porque o corpo dói, mas sim porque a alma clama por algo que em mim adormeceu.
Jesus trás uma maneira nova de ver a vida, nossos olhos se abrem e com sigo uma grande paz nos invade.
Se o horizonte não existe porque o conseguimos ver? Porque a visibilidade começa no sentir, os olhos são apenas as cores das paisagens.
Os meus olhos voariam todos os céus, navegariam todos os mares, e caminhariam todos os caminhos só para beijarem os teus.
