Odio que Virou Amor
Não me roube de mim mesma,
Eu me pertenço!
Sou filha da boa franqueza...
Não me roube a paz
De construir a vida
Que eu sempre quis
Eu deixei tudo para trás.
Não me veja com outros olhos,
Eu sou como sou!
Sou poesia, sangue e sonhos...
Não me tire o tempo
De procurar o amor
Imaculado no peito
De alguém que seja
- inteiro -
E seja cheio de candor.
Não me faça como passatempo,
Eu sou dona da minha vida!
Não se faz ninguém perder tempo...
Não me venha com intenções:
Primeiras, segundas e terceiras...
Eu busco muito mais que o teu querer:
Busco o verdadeiro amor
Talvez na dimensão que você viva,
Jamais irá entender, não queira me prender!
Não é justo fazer-me de objeto,
Sou dama de fogo e ferro,
Deixe-me no meu caminho certo.
Não é legítimo e nem legal,
Arrancar a poesia lirial,
Tirar a honra do meu andor,
De andar orgulhosa
Por cultivar o jardim celeste
Que florescerá com o meu sonho de amor!
Somente entende quem tem peito,
E com ele fielmente escreve.
O destino imperfeito
É governado pela chama Celeste.
Compreenda que tudo tem jeito,
E com Ele tudo entra no trilho.
O Amor é perfeito,
É luz em nosso caminho...
Somente entende quem ama,
E por amor sofre, nunca reclama.
O impedimento não apagou a história,
É com ele que se tempera a chama.
Contando com as horas ao nosso favor,
Escrevendo poesia para esconder
- a minha dor -
De ter deixado para trás o nosso amor.
Suspensa no topo da Galáxia
Escuto o teu saboroso canto,
Embalando o meu corpo
Despertando do bom sonho,
Que estava no teu porto.
Apenas do sono despertada,
Mas não menos apaixonada.
Porque quando se ama:
A alma sonha acordada.
.
Sonetista do farol da ilha
Escrevo com poeira estelar,
Querendo a rota contar
De um particular encanto,
- Que veio para renovar! -
A maior força mora no silêncio das batalhas invisíveis, guerras travadas na sombra do coração, onde o grito se converte em segredo guardado, e o triunfo, quão um pássaro alado, que insiste e entoa suave e eterno,
planando oculto entre as folhas do tempo, feito um conto antigo sussurrado pelo vento.
Caí, levantei, cresci e sigo mais forte, como árvore que desafia a fúria dos ventos, tecendo na dor raízes mais profundas e no tronco, a memória de cada tempestade.
Quando tudo desaba, nasce a chance de recomeçar, tentar de novo, das ruínas emergem sementes adormecidas e o amanhã, como jardim inesperado, que brota,floresce no solo fértil da esperança esquecida.
A dor não define quem sou, mas revela quem escolho me tornar, quem sabe uma alma que renasce das próprias cinzas, tecendo, com mãos feridas, já rasgadas pela vida, sua nova tentativa por uma redenção.
A superação começa quando desistir deixa de existir, quando o chão se desfaz sob os pés, mas o coração, teimoso e valente, continua a dançar com a vida, mesmo em meio ao vazio e ao vento.
O tempo não apaga a dor, mas revela a força escondida em lugares que por mim, eram desconhecidos. No pulso sereno das horas, uma resistência silenciosa floresce, como raiz que cresce invisível sob a terra.
O escuro só existe para que a luz alcance seu milagre, é o contraste secreto da alma, a sombra que, como um véu antigo, realça o ouro escondido na essência da verdade.
Entre a queda e o voo, habito o intervalo das coisas esquecidas, sou pássaro de asas frágeis, que escuta o chamado do céu, mas repousa entre galhos secos, esperando que o vento, um dia, lhe ensine a direção.
Não sou o que sofri, sou o que floresceu depois, uma história reescrita com a tinta invisível da resistência, um rosto onde cada cicatriz desenha o mapa secreto da coragem de recomeçar.
A resistência é uma arte que mora no silêncio, como pinceladas secretas sobre a tela invisível da vida, onde o que não se vê se transforma na mais imensa forma de força.
As tempestades forjam navegadores, em meio ao rugido feroz das ondas, domam o mar indomável, transformam o medo em fogo ardente e a tormenta em bússola que nunca falha.
Minha história é feita de renascimentos, em cada queda, um amanhecer incendiado, em cada dor, um poema forjado no fogo da perseverança.
Pela singularidade que certos sentimentos transcendentais carregam, há um instante de suspensão do tempo quando nos encontramos na presença de quem verdadeiramente amamos.
Ah! Contempla...
A lente atenta,
- alenta o olhar
A cidade coberta,
De neve mansa,
- o tempo passa
Devagar e serena
A alma humana.
Ah! Espera...
A vida revela,
- modifica
Percorre, renova,
- suscita
Gelada ou quente,
- vibra
Intensamente...
Aos passos,
Em cada floco,
Ao despertar,
De cada manhã,
Semeia o sonho,
Cativa de verdade,
Dá o quê de eternidade
A cada momento de felicidade.
Ao ouvir a música do vento,
Percebi os teus olhos zelosos,
Deparei-me com os teus passos
- macios
O balançar das amendoeiras
- doces ritmos
Fizeram-me contemplar:
os nossos instintos.
Ao sentir a tua presença,
Senti-me protegida,
Amparada, e tua amada,
A minha alma afagada,
- terna -
E feminina,
Distante das angústias,
Rendida por tuas ternuras.
Ao cair da noitinha,
À beira mar,
Sereno luar,
Amando a tua presença,
- vigilante
Aprendi o que é amar.
É inverno!
Celebremos,
Não é eterno,
Sempiterno.
- momento
Não recusemos.
É eterno!
Não recuemos,
- é extremo
Enfrentemos,
- o tempo
E o eternizaremos.
É sempiterno!
Como um afeto,
Reconhecemos,
É terno,
Intenso,
Logo, o passaremos.
Com fascinação própria,
- arte e luz
Fui agraciada ao ver,
A Lua cor-de-rosa,
- maravilhosa
Beijando o mar.
Aos passos, tateando,
- experimentando -
E exortando a delícia
De contemplar a cena,
Que talvez não se repita,
O mar se deixando beijar.
A Lua ao beijar o mar,
- acabou beijando-me
E seduzindo-me,
Acabou enfeitiçando-me,
E completamente doce:
acabei entregando-me.
