Óbvio
Teoria de uma Mente Disruptiva
Por alguém que cansou de aceitar o óbvio
Durante parte da minha vida, convivi com diferentes crenças, culturas, religiões e pessoas das mais diversas formas de pensar. Em meio a essas experiências, fui percebendo algo inquietante: existe um senso comum que domina o olhar de muitos, e por outro lado, existe o “anormal” — aquilo que poucos conseguem ou se permitem enxergar.
Com o tempo, e com observações cada vez mais críticas, cheguei a uma conclusão incômoda:
As pessoas comuns não necessariamente sabem pouco, mas falam apenas sobre o que gira em torno delas. Vivem presas a futilidades, distrações, prazeres momentâneos. O mundo se tornou uma grande vitrine digital, onde a realidade acontece dentro de telas, e não mais entre pessoas.
A conversa foi trocada por curtidas.
A presença foi substituída por notificações.
E o "nós" desapareceu para dar lugar ao "eu".
Vivemos tempos em que a intenção gira apenas em torno dos próprios umbigos. Muitos querem colher o que não plantam, consumir o que não constroem, viver vidas que nem são suas. A identidade própria perdeu valor — o progresso interno se tornou menos relevante do que acompanhar o próximo famoso em ascensão.
As pessoas acusam os outros de estarem cegos, sem perceberem a própria cegueira. E quando alguém tenta ir além das emoções, pensamentos e ações superficiais... quando alguém tenta enxergar de verdade... logo é visto como ameaça.
Não estou em desilusão. Estou desperto.
E despertar, hoje em dia, causa desconfiança. Em um mundo de cegos, aquele que enxerga é rei — mas não se engane, pois vão tentar roubar sua coroa a qualquer custo. A vaidade venceu a compaixão. O domínio sobre o outro se tornou mais importante do que o domínio sobre si mesmo.
Domínio atrás de domínio.
Vaidade sobre vaidade.
Reflita sobre isso.
Porque pensar, hoje em dia, virou ato de rebeldia.
Quem trilha o óbvio caminha entre sombras, só quem ousa o improvável acende luzes no olhar do mundo.
Zombam de quem pensa como trilionário, mas mal percebem que é preciso enxergar além do óbvio para alcançar o impossível. O problema não é quem sonha grande, é quem ri pequeno.
Transcender o óbvio, o trivial e o normal é um ato de amor-próprio. Isso é tão subjetivo quanto o ar que respiramos e os caminhos que escolhemos seguir.
Em primeira instância costumamos perceber o óbvio na outra pessoa. Notamos a beleza física, o quanto os olhos são azuis, ou pretos. O ofato se atenta ao perfume 212 que exala pelos poros.
Em segunda instância, observamos a constância da alma, a serenidade e a verdade.
O que naquele primeiro momento parecia importante vai perdendo a relevância e o que mais interessa é o que se é, onde só quem enxerga além, consegue ver .
Nildinha Freitas
Está na cara!
Mas o óbvio... É muito, mas é muito difícil de enxergar.
Assim pensa o mundo carente de uma boa visão.
Não sou a favor da autonomia do Banco Central porque quem governa um país, por óbvio, são os governos, eleitos democraticamente pelo povo, não os bancos...
Eu acho curioso saber que o guarda-chuva não guarda chuvas. E é óbvio que eu não estou falando de proteção, mas de gratidão pela perfeição da chuva.
O óbvio é como um daqueles dias de trevas em que dialogamos com uma árvore para compreensão óbvia da árvore.
O orgulho tenta ofuscar o óbvio, mas não consegue porque o que é real tem mais valor que o fingimento.
Nem todos conseguem perceber o óbvio de escolher o correto e fazer o bem, nós seguimos em frente nos livrando das consequências dos perversos.
